terça-feira, 19 de setembro de 2017

Blueberry e o Ouro da Sierra

Blueberry e o Ouro da Sierra




Com “La Mine de l’Allemand perdue” (1972) (1) e “Le Spectre aux balles d’or” (1972) (2) a saga de Blueberry faz um ulterior passo adiante. Nos dois episódios desse breve ciclo em questão, Jean-Michel Charlier narra sobre a mina do alemão (3), um mito entre os garimpeiros.

O nosso tenente, do 7º Regimento de Cavalaria, está, por três meses, empacado na cidadezinha de Palomito a gerir, ainda uma vez, a ordem como xerife por querer (vingança) do general Allister, que o distanciou após os fatos descritos no ciclo sobre a ferrovia.

N. C.: 1) “La Mine de l’Allemand perdue” – “A Mina do Alemão Perdido”. 2) “Le Spectre aux balles d’or” – “O Espectro das Balas de Ouro”. 3) Também denominada A Mina do Holandês Perdido. Em uma das versões dessa lenda, Jacob Waltz e Jacob Weiser, dois imigrantes alemães, descobriram ouro nos Montes da Superstição, Arizona.




O primeiro episódio é mais centrado sobre a figura de Jimmy Mac Clure (4), o beberrão amigo dedicado de Mike Blueberry, que recorda a figura de Doppio Rhum, ombro do Capitan Miki da apreciada assinatura EsseGEsse, ambos amantes da bebida alcoólica, mas rápidos e precisos com a pistola. A propósito de Mac Clure, o filho de Charlier, Philippe, em entrevista no número 24 da revista “BoDoï” (1999), centrada sobre a contraposição entre Giraud e herdeiros de Charlier, afirmou que foi Giraud a querer manter o velho beberrão no universo blueberryano, enquanto o seu pai o havia considerado útil só para uma narrativa (5).

N. C.: 4) Igualmente chamado de Jimmy McClure. 5) Jean-Michel Charlier afirmou sobre o assunto: “(...) Giraud me pergunta de prolongar um papel que eu tinha concebido unicamente como secundário. O caso mais característico é aquele de McClure que devia aparecer durante quatro ou cinco pranchas, no máximo. Giraud encontrou nele um psíquico todo feito em particular e me tem comunicado parte de seu aborrecimento de não mais revê-lo. De golpe, McClure é presente em todos os episódios.”. Fonte: “Jean-Michel Charlier vous raconte...”, Gilles Ratier, Le Castor Astral, 2013.






O eixo da história, porém é a figura, bem aprofundada por Charlier, do pretenso barão prussiano, doutor em medicina e teologia, além de ex-aluno da guarda do Kaiser, Werner Amadeus von Luckner, mais notório entre ladrões, prostitutas e mineradores com o apelido de Prosit. Este homem, canalha e pérfido mentiroso sempre pronto a trair sem nenhum remorso, é possuidor de um mapa indicante uma rica mina de ouro e vive de expedientes, roubando e tapeando pobres ingênuos que acreditam na existência da jazida aurífera.






A Blueberry e Mac Clure cabe a tarefa de salvá-lo das garras de uma dupla de caçadores de recompensas, o velho Wally e o seu jovem ajudante Crazy Cole, que queriam apossar-se do mapa. Abandonado, sem água, no deserto, Mike demonstra ainda uma vez uma excessiva sorte graças a um providencial (quanto muito improvável) encontro com Guffie Palmer, introduzida no ciclo precedente, que o salva de um terrível fim por sede.




O segundo episódio é centrado sobre a descoberta da mina situada em uma antiga aldeia pueblo, construída em uma concavidade da parede rochosa. O ritmo da narrativa é cerrado, as perseguições dos apaches entre as rochas são emocionantes, parece quase de ver um clássico filme hollywoodiano. E o quê dizer das rochas, material natural onipresente na saga de Blueberry? Gir, memore talvez dos cenários admirados durante a sua estadia no México, os repetem obsessivamente, antes se pode dizer que não há cena ao aberto em cuja não aparecem as rochas. Em certo sentido recorda a obsessão de Jacobs pelas cavernas presentes nas aventuras de “Blake et Mortimer(6).

6) “Blake e Mortimer” é uma série de álbuns de história em quadrinhos criada pelo belga Edgar P. Jacobs. Apareceu pela primeira vez na revista “Le Journal de Tintin” em 26 de setembro de 1946. Após a morte de Jacobs, em 1987, a aventura incompleta “As três formulas do professor Sato” foi desenhada, com roteiro de Jacobs, por Bob de Moor. Depois, a série foi continuada por outros autores e continua a ser publicada na atualidade. Fonte: Wikipédia.






Esse ciclo é considerado por Giraud como o momento da reviravolta na própria arte, porque consegue libertar-se das influências dos seus inspiradores. O autor alterna vinhetas horizontais a vinhetas verticais, de modo a movimentar o sentido da leitura; não só, mas também o uso de um traço minucioso nos rostos dos personagens em atitudes dramáticas determina um relevante efeito de evidência que recorda aquele utilizado pelos autores estadunidenses de horror da EC (7) dos anos 1950 (Jack Davis, Will Elder, Johnny Craig, etc.).

7) A Entertaining Comics, a popular EC Comics, era uma editora americana, de histórias em quadrinhos, mais identificada com os gêneros de ficção criminal, ficção de horror, sátira, ficção militar e ficção científica. A EC Comics seguiu nessa linha de 1940 até1950, até que a censura do Comics Code Authority a fizesse abandonar a maior parte dos títulos polêmicos e se concentrasse na revista semanal de humor e sátira chamada “Mad”. Fonte: Wikipédia.





Algumas ideias e ambientações fazem vir à mente os célebres episódios de “Pato Donald” (“O Fantasma da Caverna”, 1947) e de “Tio Patinhas” (“As Cidades do Ouro”, 1954) desenhadas pelo grande Carl Barks.


Blueberry
Textos de Jean-Michel Charlier e desenhos di Jean Giraud

11 – “La Mine de l'Allemand perdu
“Pilote” do nº 497 de 15/05/1969 ao nº 519 de 16/10/1969
Álbum Dargaud em 1972



La miniera del tedesco (perduto)
Volume 1,  Mondadori, 1978
“Skorpio” do nº 42 ao nº 45 de 1980, Eura Editoriale
“Collana Eldorado” 11, Nuova Frontiera, 1983
“Blueberry” 11, Alessandro Editore, 2011
Álbum “Blueberry” 6, Editoriale Aurea, 2013
“Collana Western” 7, Gazzetta dello Sport, 2014



Il fantasma dai proiettili d'oro
Volume 2,  Mondadori, 1978
“Skorpio” do nº 46 ao nº 49 de 1980, Eura Editoriale
“Collana Eldorado” 12, Nuova Frontiera, 1983
“Blueberry” 12, Alessandro Editore, 2012
Álbum “Blueberry” 6, Editoriale Aurea, 2013
“Collana Western” 7, Gazzetta dello Sport, 2014




Fonte: Blog Zona BéDé, Itália.

Blueberry e l’oro della Sierra © Zona BéDé 2014

Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur


Afrânio Braga

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