segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Blueberry: algumas referências em uma paisagem densa

BLUEBERRY:
ALGUMAS REFERÊNCIAS
EM UMA PAISAGEM DENSA


Há mais de trinta anos (1) que Blueberry passeia seu físico hirsuto na paisagem da história em quadrinhos francesa, e, quase tanto como o galope na liderança, tornou-se, tudo ao mesmo tempo, fenômeno editorial e herói mítico.

A série começa sua carreira no número de Pilote (2), datado de 31 de outubro de 1963. Ela é nascida da colaboração de Jean-Michel Charlier, para o roteiro, coredator chefe, com René Goscinny, do “journal d’Astérix et d’Obélix” e já fortemente conhecido pelas numerosas séries que ele dá vida (particularmente Tanguy et Laverdure, Buck Danny) e, para o desenho, de um jovem autor, de exatamente 25 anos, que tem feito as suas aulas (3) ao lado de Jijé (Joseph Gillain), o criador de Jerry Spring: Jean Giraud.

Muito rápido, Fort Navajo (é o título de origem da série) vai seduzir os leitores, e Mike Steve Blueberry, seu herói, torna-se um dos pilares do hebdomadário. O ritmo é intenso: duas pranchas em cores cada semana, um trabalho de titã, levando em conta a complexidade do desenho de Giraud, que, além disso, ao curso dos anos, vai ganhar em riqueza, em sofisticação e em originalidade.

Paralelamente à publicação da série em revista, o desenvolvimento, mais e mais importante, todo ao longo dos anos sessenta, da edição de história em quadrinhos em álbuns cartonados, vai consagrar, em livraria, o sucesso de Blueberry. Pouco a pouco, a série torna-se um dos pesos pesados do gênero.




O trabalho conjunto de Jean Giraud e Jean-Michel Charlier prossegue assim, em uma cadência muito sustentada, em uma boa dezena de anos (mais de quinze álbuns, de Fort Navajo a Angel Face, serão assim publicados entre 1965 e 1975, ao ritmo de um e, às vezes, dois todos os anos), até à metade dos anos 70.

É então a época do aparecimento, na França, daquilo que se chamará rapidamente de “HQ adulta”, ou ainda a história em quadrinhos “de autor”. As estruturas editoriais tradicionais, mal preparadas ao acolhimento dessa nova tendência, veem desertar bom número de seus jovens talentos.

Charlier, formado na escola clássica da história em quadrinhos para a juventude, não será parte interessada dessa (r)evolução. Mas Giraud não ficará à distância. Em 1975, ele deixa Pilote e sua editora, Dargaud, para ir fundar uma nova revista, Métal Hurlant, e uma nova editora, Les Humanoïdes Associés, onde ele desenvolverá a obra de seu alter ego Moebius, esboçado desde 1973 através de algumas histórias (notavelmente La déviation) publicadas em Pilote. Essa curva maior na carreira de Giraud marca, no mesmo golpe, a interrupção provisória de Blueberry.

O personagem retoma ao serviço a partir de 1979, simultaneamente em duas direções. Em efeito, antes que Giraud “abandone” temporariamente o tenente, Charlier e ele haviam publicado, em 1975, um “álbum flash-back” explorando a biografia dos jovens anos de Blueberry, notavelmente durante a Guerra de Secessão americana: La Jeunesse de Blueberry (4). Bem acolhida, essa história ia dar nascimento a um novo “ramo” da saga de Blueberry: dois novos álbuns assinados Charlier-Giraud, Un Yankee nommé Blueberry e Cavalier bleu, iriam ser publicados pela Dargaud em 1979, desenvolvendo uma série distinta, cujo título genérico ficaria, doravante, La Jeunesse de Blueberry.

No ano seguinte, em 1980, a “série-mãe” se enriqueceria, no quê lhe concerne, de um novo episódio, Nez Cassé. Mas se as aventuras de Blueberry são assim relançadas, isso não será nunca mais no mesmo ritmo da origem. Mudando de editora nesse início dos anos 80: é, portanto, Novedi (retomada, na sequência, por Éditions Dupuis, em sua coleção Repérages) que acolhe a série. Quatro aventuras de Blueberry serão assim publicadas, aos seus cuidados, de 1980 (La Longue Marche) a 1986 (La Bout de la piste).




No curso do mesmo período, a mesma editora, na mesma coleção, “recupera” igualmente La Jeunesse de Blueberry. Mas ali também houve mudança: Giraud, que não pôde fazer frente sozinho, tem delegado seus lápis a um jovem desenhista neozelandês, Colin Wilson, que a contar do quarto episódio (Les Démons du Missouri, 1985) dará vida, daqui em diante, graficamente a La Jeunesse de Blueberry com toda autonomia, os roteiros eram colocados a encargo de Charlier (3 álbuns) depois, após o falecimento desse, de François Corteggiani (3 álbuns). Para concluir com La Jeunesse de Blueberry, anotamos que essa série, após uma breve passagem sob o rótulo Alpen, também retorna sob a bandeira Dargaud, em 1993 (4).

Quem se tornou o “ramo mestre” durante esse tempo? Nenhuma novidade, e por causa: Jean-Michel Charlier, criador “histórico” da série, falece, em 10 de julho de 1989, então quando ele trabalhava no roteiro de uma nova aventura de Blueberry, Arizona Love. Ele deverá esperar o ano seguinte, quatro anos após Le Bout de la piste, para finalmente ver publicar esse álbum semipóstumo: Jean tem retomado o trabalho inacabado de onde havia deixado Jean-Michel, na prancha 22, e, só, tem terminado o álbum.

E é de novo, para a “série-mãe”, e seus muito numerosos leitores, uma longa espera que começa, pois é somente nesse ano, de 1995, que Jean Giraud, essa vez inteiramente só no comando, dá enfim, com Mister Blueberry, um novo prolongamento das aventuras de seu herói.

Todavia, não esquecer que a atualidade de Blueberry não está totalmente permanecida em sono, ao curso desses cinco últimos anos, visto que um novo “ramo” da saga tem visto a luz. Ele se situa cronologicamente, na biografia (cheia) de Blueberry, entre Général Tête Jaune e La Mine de l’Allemandu perdu, ou seja, no curso do inverno de 1868 e dos primeiros meses de 1869. Publicado por Alpen, depois prosseguido por Dargaud, ele é roteirizado por Giraud e colocado em imagens por William Vance, o autor de XIII: é Marshal Blueberry, com dois álbuns publicados, Sur ordre de Washington (1991), Mission Sherman (1993) e um terceiro (Frontière sanglante) a publicar proximamente (5).

E, visto que é questão porvir, anotamos, enfim, que outra série paralela deverá, à sua vez, aparecer após o encerramento da trilogia Marshal: Blueberry 1900, que, como seu título indica, contará as novas aventuras do personagem (ficado sensivelmente mais idoso) por ocasião do nascimento do século XX. Um primeiro roteiro, escrito por Jean Giraud, já está inteiramente acabado (6).

Fonte: “Mister Blueberry. Dossier de presse”, Dargaud Éditeur, Paris, França, 1995

N. C.:

1) Trinta anos: período de vida editorial de “Blueberry” à época da publicação do artigo Blueberry : quelques repères dans un paysage touffu (Blueberry: algumas referências em uma paisagem densa).

2) “Pilote”: revista semanal, de história em quadrinhos, publicada, de outubro de 1959 a outubro de 1989, por Dargaud Éditeur, em Paris, França. “Fort Navajo”, o primeiro episódio de Blueberry, foi lançado, em 31 de outubro de 1963, no número 210 do hebdomadário, que era chamado de “journal d’Astérix et d’Obélix” (“revista de Asterix e de Obelix”).

3) Jean Giraud foi discípulo de Joseph Gillain, dito Jijé, cujo auxiliou fazendo a arte-final do episódio “La route de Coronado”, de “Jerry Spring”, publicado na revista “Spirou”, em 1962. Posteriormente, foi a vez de o desenhista belga colaborar com Gir – como Giraud assinava história em quadrinhos western e também, justamente, para não confundir com as iniciais do nome do seu ex-mestre, J. G., que eram iguais às suas -: realizando o desenho da capa da revista “Pilote” nº 210, quando do lançamento de “Fort Navajo”, auxiliando em dois episódios de “Blueberry” (“Tonnerre à l’Ouest” e “Le Cavalier perdu”) e fazendo a ilustração da capa de “Fort Navajo”, o primeiro volume da saga do Tenente Blueberry.

4) “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”): desde 1998, a partir do volume 10, o desenhista é Michel Blanc-Dumont; a série continua sendo publicada, com o volume 21 previsto para sair em 2015.

5) “Marshal Blueberry”: o terceiro e último volume da série, “Frontière sanglante”, foi desenhado por Michel Rouge e publicado por Dargaud Éditeur, em 2000.

6) “Blueberry 1900”: a série, roteirizada por Jean Giraud, não foi aprovada por Philippe Charlier, um dos detentores dos direitos autorais de “Blueberry”, porque, segundo ele, apresentava um Blueberry muito diferente daquele de Jean-Michel Charlier, seu pai, o criador literário do personagem. O desenhista seria o renomado François Boucq, autor da saga “Bouncer” e que trabalhara com Jean Giraud na editora Les Humanoïdes Associés, juntamente com o roteirista Alejandro Jodorowsky.

Imagens: Afrânio Braga: 1) “Blueberry” nº 23 “Arizona Love”, prancha 13, quadrinho 1: Duke Stanton, a cavalo, debaixo de uma tempestade, na perseguição a Mike Blueberry, após esse ter sequestrado a sua noiva, Lily Calloway, aliás, Chihuahua Pearl, no momento do seu tão esperado casamento, que estava ocorrendo, no fim de 1872, na igreja da pequena cidade de Tacoma, Novo México, se indaga onde estaria escondido o casal fugitivo. Enquanto a forte tempestade, com raios e trovões, cai sobre a cabeça do noivo furioso e frustrado, a bela loira passa a noite de núpcias, em uma gruta, com Blueberry, sua antiga paixão. Em “Mister Blueberry. Dossier de presse” é publicado um extrato desse quadrinho.   2) “Blueberry” nº 11 “La Mine de l'Allemandu perdu”, prancha 43, quadrinho 8: Jimmy McClure, após ser traído, quase morto e deixado, por Prosit Luckner, em um deserto do Arizona, reencontra Wally Blount e Cole “Crazy” Timbley, dois caçadores de recompensas, que o colocam em um suplício apache para ele indique o caminho tomado por Luckner. O velho garimpeiro, cujo pegara novamente a febre do ouro, será salvo por Blueberry, que o liberta e, na troca de tiros com os dois pistoleiros, mata Cole “Crazy” Timbley e fere, na mão, Wally Blount.

Mister Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 1995
Mister Blueberry Dossier de presse © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 1995
Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur

Afrânio Braga

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terça-feira, 1 de setembro de 2015

“La Jeunesse de Blueberry” em “Super Pocket Pilote”

1. Super Pocket Pilote

Roteiros, desenhos e cores: vários autores

Depósito legal: 06/1968

Editora: Dargaud Éditeur

Coleção: Super Pocket Pilote

Pranchas: 256

Edição: Narrativas completas, em cujas “La Jeunesse de Blueberry”. A coleção completa conta 9 números.

N. C.: Data de lançamento: julho de 1968. Formato: 12,5 x 18, 5 cm. Páginas: 260, das quais 98 em cores.


























2. Super Pocket Pilote

Roteiros, desenhos e cores: vários autores

Depósito legal: 10/1968

Editora: Dargaud Éditeur

Coleção: Super Pocket Pilote

Pranchas: 264

Edição: Narrativas completas, em cujas “La Jeunesse de Blueberry”. A coleção completa conta 9 números.

N. C.: Data de lançamento: outubro de 1968. Formato: 12,5 x 18, 5 cm. Páginas: 268, das quais 98 em cores.


























3. Super Pocket Pilote

Roteiros, desenhos e cores: vários autores

Depósito legal: 03/1969

Editora: Dargaud Éditeur

Coleção: Super Pocket Pilote

Pranchas: 264

Edição: Narrativas completas, em cujas “La Jeunesse de Blueberry”. A coleção completa conta 9 números.

N. C.: Data de lançamento: abril de 1969. Formato: 12,5 x 18, 5 cm. Páginas: 268, das quais 98 em cores.



























4. Super Pocket Pilote

Roteiros, desenhos e cores: vários autores

Depósito legal: 06/1969

Editora: Dargaud Éditeur

Coleção: Super Pocket Pilote

Pranchas: 264

Edição: Narrativas completas, em cujas “La Jeunesse de Blueberry”. A coleção completa conta 9 números.

N. C.: Data de lançamento: junho de 1969. Formato: 12,5 x 18, 5 cm. Páginas: 268, das quais 98 em cores.



























5. Super Pocket Pilote

Roteiros, desenhos e cores: vários autores

Depósito legal: 09/1969

Editora: Dargaud Éditeur

Coleção: Super Pocket Pilote

Pranchas: 264

Edição: Narrativas completas, em cujas “La Jeunesse de Blueberry”. A coleção completa conta 9 números.

N. C.: Data de lançamento: outubro de 1969. Formato: 12,5 x 18, 5 cm. Páginas: 268, das quais 98 em cores.




























6. Super Pocket Pilote

Roteiros, desenhos e cores: vários autores

Depósito legal: 12/1969

Editora: Dargaud Éditeur

Coleção: Super Pocket Pilote

Pranchas: 264

Edição: Narrativas completas, em cujas “La Jeunesse de Blueberry”. A coleção completa conta 9 números.

N. C.: Data de lançamento: dezembro de 1969. Formato: 12,5 x 18, 5 cm. Páginas: 268, das quais 98 em cores.
























7. Super Pocket Pilote

Roteiros, desenhos e cores: vários autores

Depósito legal: 03/1970

Editora: Dargaud Éditeur

Coleção: Super Pocket Pilote

Pranchas: 264

Edição: Narrativas completas, em cujas “La Jeunesse de Blueberry”. A coleção completa conta 9 números.

N. C.: Data de lançamento: março de 1970. Formato: 12,5 x 18, 5 cm. Páginas: 268, das quais 98 em cores.
























8. Super Pocket Pilote

Roteiros, desenhos e cores: vários autores

Depósito legal: 06/1970

Editora: Dargaud Éditeur

Coleção: Super Pocket Pilote

Pranchas: 264

Edição: Narrativas completas, em cujas “La Jeunesse de Blueberry”. A coleção completa conta 9 números.

N. C.: Data de lançamento: junho de 1970. Formato: 12,5 x 18, 5 cm. Páginas: 268, das quais 98 em cores.
























9. Super Pocket Pilote

Roteiros, desenhos e cores: vários autores

Depósito legal: 09/1970

Editora: Dargaud Éditeur

Coleção: Super Pocket Pilote

Pranchas: 264

Edição: Narrativas completas, em cujas “La Jeunesse de Blueberry”. A coleção completa conta 9 números.

N. C.: Data de lançamento: outubro de 1970. Formato: 12,5 x 18, 5 cm. Páginas: 268, das quais 98 em cores.




Extrato de “Super Pocket Pilote” nº 1. Prancha 1 de “Tonnerre sur la Sierra”, roteiro e desenhos de Gir, história breve de Blueberry republicada em “Cavalier Bleu”, volume 3 da série “La Jeunesse de Blueberry”.



Fontes: Bedetheque e BDoubliees.

Fontes das imagens: Bedetheque: capas dos volumes 1 a 8; extrato de volume 1. m-bd: capa do volume 9.

Super Pocket Pilote © Dargaud Éditeur 1968, 1969, 1970

La Jeunesse de Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur 1968, 1969, 1970


Afrânio Braga

Edições do grupo Média-Participations na Amazon Brasil. Acesse a livraria por um dos links abaixo:




quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Um astro francês: o Tenente Blueberry



UM ASTRO FRANCÊS: O TENENTE BLUEBERRY


AQUELE DISSOLUTO,
IRRESISTÍVEL “MIRTILO”





S
ão muitos a julgar "Blueberry" um dos melhores quadrinhos western da História, por mais de um motivo. A série estreia em 1963, no semanal francês "Pilote", com o título de "Fort Navajo".  Teatro da vicissitude é o habitual fortim nas quentes fronteiras do Sudoeste dos Estados Unidos, logo após a Guerra de Secessão. Soldados empoeirados, bandidos arrogantes, índios impenetráveis, cavalos, cactos, cânions. Porém, um dos personagens, o tenente Mike Steve Donovan, ex-sulista, apelidado jocosamente de Blueberry ("mirtilo"), mostra rapidamente aquele impalpável algo a mais que o fará o inevitável astro. Despenteado e briguento, fumante, beberrão, jogador, galante apreciador do belo sexo, permanece impresso na mente dos leitores também por um motivo mais exterior: as suas feições reproduzem aquelas do simpático ator Jean-Paul Belmondo. Mas tudo isso, naturalmente, não basta.

Os textos de Jean-Michel Charlier, bem construídos e documentados, se fazem rápido apaixonantes, enquanto o poder de fascinação das imagens assinadas pelo jovem Jean Giraud, discípulo prodígio de Jijé, cresce de episódio em episódio. Inspirando-se nas atmosferas dos filmes de Sergio Leone e de Sam Peckinpah, Gir interpreta, como verdadeiro diretor, os roteiros, dispondo os quadrinhos em sequência que dilatam ou aceleram os tempos narrativos e, sobretudo, tendo sempre em relação os personagens com a paisagem circundante, com o tempo atmosférico, com as diversas horas da jornada.




À morte de Charlier, ocorrida em 1989, Gir prossegue sozinho a saga de Blueberry, e dos seus amigos e inimigos, que ainda goza de um imudável sucesso (basta pensar que o último episódio saiu em pré-lançamento, em capítulos, no renomado cotidiano "Le Monde"). Uma paralela série secundária nos leva aos anos da dissoluta juventude, com François Corteggiani nos textos e Colin Wilson nos desenhos.


 Com o seu físico musculoso e “marcado” e o seu
 caráter irremediavelmente desenvolto e
 anticonformista, o “Blueberry”, de Jean-Michel
 Charlier e Jean Giraud, está na pista desde 1963.




Fonte: Una star francese: il Tenente Blueberry, artigo que integra Al galoppo intorno al mondo, de Ferruccio Giromini, capítulo 2 de “Le Frontiere di carta. Piccola storia del western a fumetti”, livro anexado a “Tex” nº 455, setembro de 1998, em comemoração aos 50 anos de Tex, publicado por Sergio Bonelli Editore S.p.A., Milano, Itália.

© Sergio Bonelli Editore 1998

N. C.:
1) O capítulo Al galoppo intorno al mondo traz em sua página de apresentação a capa de "Le Cavalier perdu" ("O Cavaleiro Perdido"), volume 4 da série “Blueberry”, de Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, e quarto álbum do ciclo Forte Navajo. As Primeiras Guerras Indígenas.
2) As imagens blueberryanas que ilustram o artigo foram extraídas de "La Tribu fantôme" ("A Tribo Fantasma"), volume 20 da série “Blueberry”, de Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, e terceiro álbum do Ciclo do Segundo Complô contra Grant – Parte 1. O Crepúsculo da Nação Apache.
3) A história "Ombres sur Tombstone" ("Sombras sobre Tombstone"), antes do lançamento, foi publicado, em capítulos, no jornal francês "Le Monde". Tal fato também aconteceu com a história "OK Corral" (“OK Corral”), que saiu no quotidiano "L’Express".

Fontes das imagens: Afrânio Braga: Página de apresentação, traduzida do italiano para o português, do capítulo Al galoppo intorno al mondo – Ao Galope Entorno do Mundo. Jean-Yves Brouard: os extratos do álbum “La Tribu fantôme” – prancha 15, quadrinho 2: Blueberry, disfarçado de soldado, persegue o sargento Dougherty, que dispara contra ele; prancha 9, quadrinho 1: Cochise considera Tsi-Na-Pah como um filho; Chini, filha de sangue do chefe apache chiricahua, acha que está tudo perdido para a tribo; prancha 11, quadrinho 3: quatro patrulhas e um mensageiro solitário, o sargento Dougherty, saem do forte da Reserva Indígena San Carlos, no Arizona. Agradecimento a JYB pelas imagens das pranchas de “La Tribu fantôme”.


Na comemoração do cinquentenário de Tex Willer, o seu irmão francês não poderia faltar: Mike Steve Donovan, aliás, Mike Blueberry - também chamado de Tsi-Na-Pah, “Nariz Partido”, pelos seus amigos e irmãos Apaches, devido ao seu nariz quebrado pelo General Dodge, ainda na juventude, durante a Guerra de Secessão.

Natural da Geórgia, Estado sulista, Blueberry lutou pelo Norte na Guerra de Secessão. Ele foi tenente, xerife, marshal, fora da lei e, atualmente, vive a sua aposentadoria militar em Tombstone, jogando pôquer, o seu passatempo predileto. O nosso herói, após tantas aventuras pelo Oeste - e também pelo México – estabeleceu residência na célebre cidade mineira do Arizona, onde, entre um charuto e um drinque, está nos braços da bela cantora-dançarina Dorée Malone.

Em meio aos eventos que causaram o famoso tiroteio entres os irmãos Earp e Doc Holliday, e os irmãos Clanton e Mc Lowery, Mike vive o seu mais denso, e tenso, ciclo de aventura, aquele do O.K. Corral, também chamado de ciclo Mister Blueberry e de ciclo Tombstone.

Os seus criadores, Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, dois dos mais renomados autores da Bande Dessinée francófona, se inspiraram no cinema para compor o personagem, tanto no visual, quanto nas narrativas. Blueberry é uma verdadeira Hollywood em quadrinhos e, no processo inverso, exportou para as telas o seu mais renomado ciclo, O Ouro da Sierra, baseado em uma história verídica ocorrida nos Montes da Superstição.

Rodeado por acontecimentos e personagens históricos, o ex-tenente, em Tombstone, parece não sentir falta de seus antigos companheiros de aventuras, Jimmy Mac Clure e Red Neck, que muito fazem rir e emocionar os leitores. Através desse bravo trio de parceiros, as narrativas repletas de reviravoltas e os desenhos com enquadramento cinematográfico legaram às paginas blueberryanas um dos mais nobres sentimentos: a amizade.

Afrânio Braga

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sábado, 1 de agosto de 2015

A primeira “A Juventude de Blueberry”



A primeira “A Juventude de Blueberry”

Por algumas décadas, nessa parte, também na França e na Bélgica, é vinda a moda de criar séries paralelas àquelas normais de personagens famosos, similarmente a quanto acontece nos Estados Unidos com os super-heróis de maior sucesso. De fato, são multiplicadas as séries de Masque Rouge, John Difool, Thorgal, Lanfeust, Barbe-Rouge, XIII e Alix. Mas é a Blueberry que cabe o triunfo de ter sido o primeiro a inaugurar essa moda na Bande Dessinée, com a série intitulada La Jeunesse de Blueberry, que repercorre os anos da juventude ilustrando como e quando entrou a fazer parte do exército nortista.

No início, se tratava de algumas histórias breves, escritas por Jean-Michel Charlier e desenhadas por Jean Giraud, publicadas em formato “digest”, ou livreto, para os nove números do suplemento trimestral Super Pocket Pilote, publicados de 1968 a 1970.










Estruturadas em pranchas com 6 vinhetas, impressas em preto e branco (salvo Tonnerre sur la Sierra e Double jeu) foram em seguida coloridas, remontadas e adaptadas para três volumes da série principal: La Jeunesse de Blueberry (1975), Un Yankee nommé Blueberry (1978) e Cavalier Bleu (1979), cada um dos quais contendo três histórias de 15 a 16 páginas.








A ação se desenrola durante a Guerra de Secessão americana, de 1861 ao outono de 1863, exceto na última, Tonnerre sur la Sierra, que se desenvolve durante a sua permanência em Forte Navajo, por conseguinte, fora do período da juventude de Blueberry. Em tais histórias, os autores revelam eventos do passado do mais turbulento tenente alistado na Cavalaria do Exército dos Estados Unidos. De fato, no curso das histórias, descobrimos como um Mike Steve Donovan, escravista filho do Sul, entra a fazer parte do exército nortista, fazemos o conhecimento com a primeira mulher da sua vida, Harriet Tucker, como se quebra o nariz graças ao General Dodge e de onde deriva o seu apelido Blueberry (mirtilo), em prática, as suas origens!








Tratando-se de histórias breves, a trama corre veloz, não permitindo ao grande Charlier de desenvolver em profundidade as suas ideias geniais, porém, no conjunto, consegue exprimir uma ideia aceitável sobre os transcursos do jovem Mike. Obviamente, não faltam os contínuos cortes de cena, em cujos o escritor belga era um mestre.








A tal propósito, na entrevista publicada no livro Jean-Michel Charlier vous raconte... (Le Castor Astral, 2013), Charlier afirma que ele e Giraud deviam responder às perguntas dos leitores sobre o nariz partido do herói, sobre sua permanência no exército, ele que, não obstante a coragem, não tinha nenhuma qualidade de bom soldado, o porquê de um nome ridículo de mirtilo. Então, veio-lhes a ideia de construir um passado para o herói e de publicá-lo em Super Pocket Pilote. A ideia é acolhida com entusiasmo pelo artista que decide utilizar um estilo gráfico diverso para essa série, intitulada La Jeunesse de Blueberry.

Para tais histórias, Giraud tem utilizado uma grafia porventura um pouco chocante para os seus habituais leitores, porque muito simplificada, quase caricatural, em claro contraste com aquela por ele utilizada na série oficial, uma ulterior demonstração da extraordinária capacidade desse grande artista da história em quadrinhos mundial.




Histórias breves

1 - Tonnerre sur la sierra
Super Pocket Pilote 1, de 01/07/1968 (14 p.)
Album 3 - Cavalier Bleu (Dargaud Éditeur, 1979)

- Tuoni sulla Sierra (Tempesta sulla Sierra)
Superalbo Audacia 6, Mondadori Editore, 1970
L'Eternauta Presenta 180, Comic Art, 1998
Skorpio, no nº 34 de 2013, Editoriale Aurea
(volume) Alessandro Editore, 2014
Collana Western 18, Gazzetta dello Sport, 2014




2 - Le secret de Blueberry
Super Pocket Pilote 2, de 01/10/1968 (16 p.)
Album 1 - La Jeunesse de Blueberry (Dargaud Éditeur, 1975)

- Il segreto di Blueberry
Superalbo Audacia 5, Mondadori Editore, 1970
Zack Avventura, Corriere della Sera, 1974
L'Eternauta Presenta 179, Comic Art, 1998
I Maestri del Fumetto 23, Il Sole 24 Ore, 2009
(volume) Alessandro Editore, 2012
Skorpio, do nº 24 ao nº 25 de 2013, Editoriale Aurea
Collana Western 17, Gazzetta dello Sport, 2014


3 - Le pont de Chattanooga
Super Pocket Pilote 3, de 03/04/1969 (16 p.)
Album 1 - La Jeunesse de Blueberry (Dargaud Éditeur, 1975)

- Il ponte di Chattanooga
Superalbo Audacia 1, Mondadori Editore, 1969
Zack Avventura, Corriere della Sera, 1974
L'Eternauta Presenta 179, Comic Art, 1998
I Maestri del Fumetto 23, Il Sole 24 Ore, 2009
(volume) Alessandro Editore, 2012
Skorpio, do nº 25 ao nº 26 de 2013, Editoriale Aurea
Collana Western 17, Gazzetta dello Sport, 2014


4 - 3000 mustangs
Super Pocket Pilote 4, de 12/06/1969 (16 p.)
Album 1 - La Jeunesse de Blueberry (Dargaud Éditeur, 1975)

- 3.000 mustangs (3.000 cavalli) (La giovinezza di Blueberry)
Superalbo Audacia 2, Mondadori Editore, 1969
L'Eternauta Presenta 179, Comic Art, 1998
(volume) Alessandro Editore, 2012
Skorpio, do nº 26 ao nº 27 de 2013, Editoriale Aurea
Collana Western 17, Gazzetta dello Sport, 2014




5 - Chevauchée vers la mort
Super Pocket Pilote 5, de 23/10/1969 (16 p.)
Album 2 - Un Yankee nommé Blueberry (Dargaud Éditeur, 1979)

- Cavalcata verso la morte
Superalbo Audacia 3, Mondadori Editore, 1969
L'Eternauta Presenta 181, Comic Art, 1998
(volume) Alessandro Editore, 2013
Skorpio, no nº 29 de 2013, Editoriale Aurea
Collana Western 17, Gazzetta dello Sport, 2014


6 - Chasse à l’homme
Super Pocket Pilote 6, de 25/12/1969 (16 p.)
Album 2 - Un Yankee nommé Blueberry (Dargaud Éditeur, 1979)

- Caccia all'uomo
Superalbo Audacia 4, Mondadori Editore, 1970
L'Eternauta Presenta 181, Comic Art, 1998
(volume) Alessandro Editore, 2013
Skorpio, no nº 30 de 2013, Editoriale Aurea
Collana Western 17, Gazzetta dello Sport, 2014


7 - Private M.S. Blueberry
Super Pocket Pilote 7, de 19/03/1970 (16 p.)
Album 2 - Un Yankee nommé Blueberry (Dargaud Éditeur, 1979)

- Attentato al treno (Volontario Mike Steve Blueberry)
Superalbo Audacia 4, Mondadori Editore, 1970
L'Eternauta Presenta 181, Comic Art, 1998
(volume) Alessandro Editore, 2013
Skorpio, no nº 31 de 2013, Editoriale Aurea
Collana Western 17, Gazzetta dello Sport, 2014




8 - Chasse à l’homme
Super Pocket Pilote 8, de 25/06/1970 (16 p.)
Album 3 - Cavalier Bleu (Dargaud Éditeur, 1979)

- Caccia all'uomo
Superalbo Audacia 5, Mondadori Editore, 1970
L'Eternauta Presenta 180, Comic Art, 1998
Skorpio, no nº 32 de 2013, Editoriale Aurea
(volume) Alessandro Editore, 2014
Collana Western 18, Gazzetta dello Sport, 2014


9 - Double jeu
Super Pocket Pilote 9, de 29/10/1970 (16 p,)
Album 3 - Cavalier Bleu (Dargaud Éditeur, 1979)

- Doppio gioco
L'Eternauta Presenta 180, Comic Art, 1998
Skorpio, no nº 33 de 2013, Editoriale Aurea
(volume) Alessandro Editore, 2014
Collana Western 18, Gazzetta dello Sport, 2014

Fonte: Blog Zona BeDé, Itália.

La prima giovinezza di Blueberry © 2014 Zona BeDé 

A série "Blueberry" foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.
La Jeunesse de Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur

Afrânio Braga

Edições do grupo Média-Participations na Amazon Brasil. Acesse a livraria por um dos links abaixo: