domingo, 26 de novembro de 2017

Blueberry e o Ciclo do Atentado

Blueberry e o Ciclo do Atentado


N. C.: 1) O anúncio de “L’Outlaw” em “Pilote” nº 699, de 29 de março de 
1973, apresenta extrato do quadrinho 6 da prancha 2 da história, que foi 
publicada com parte do título em inglês, no semanal a partir do número 
seguinte, e com o título em francês, “Le Hors-la-loi”, em álbum, em 1974.


Le Hors-la-loi(2) e “Angel Face(2) representam a continuação do ciclo precedente. Seria mais correto definir esses dois álbuns um dos quatro subciclos da ampla narrativa que começa com “Chihuahua Pearl(2) e que se conclui em “Le Bout de la piste(2), para um total de dez volumes.

2) Álbuns publicados em português pela extinta editora Meribérica e pela parceria do jornal “Público” com a editora ASA, todos de Portugal. “Le Hors-la-loi” – “O Fora-da-lei”, “Angel Face” – “Angel Face”, “Chihuahua Pearl” – “Chihuahua Pearl”, “Le Bout de la piste” – “O Fim da Pista”.




Em “Le Hors-la-loi”, os autores mostram Mike Steve Blueberry que, de encarcerado na penitenciária militar de Francisville, Alabama, e com os cabelos raspados a zero, é obsecado pela ideia de reentrar no México para constranger o comandante Vigo a dizer a verdade sobre o ouro confederado. Nos acontecimentos sucessivos à sua evasão para alcançar esse objetivo, encontra dois personagens mais resurgidos de toda a saga: Guffie Palmer e Marmaduke o’Saughtnessy, um rapaz da face de anjo. Será, sobretudo, o segundo a ficar impresso na memória dos leitores e a dar o título à segunda parte do díptico, “Angel Face”.








Le Hors-la-loi” pode parecer um episódio de ligação sem demais reviravoltas, aparentemente subtom, inferior àquelas do ciclo precedente. Na realidade, nesse álbum a ação cede o posto à reflexão, às revelações, à inquietude. A coloração original, desejada provavelmente pelo próprio Giraud e não mais modificada sucessivamente como sucedeu aos primeiros álbuns, apresenta personagens com rostos verdes, fundos e primeiros planos virados sobre o azul claro, como para criar perplexidade e sentido de incômodo utilizando sem moderação as tonalidades frias!




Todo de outra massa é, ao invés, o sucessivo “Angel Face”. Charlier idealizou a história de um complô conspirado aos danos do presidente Grant, durante uma visita eleitoral a Durango, envolvendo o nosso herói na trama, que torna a ser o bode expiatório ideal, mas essa vez de uma culpa bem mais grave que de um tesouro roubado.








O ritmo da narrativa é decisivamente mais cerrado, nisso se encontra a capacidade de Charlier de atrair a atenção do leitor e de mantê-la ligada da primeira à última página. As pranchas são mais arejadas, com um menor número de quadrinhos, Giraud evitou sobrecarregar os desenhos, tornados mais fluidos, limitando o uso excessivo do preto como fundo. Graças ao uso do microtracejado e às detalhadas reconstruções cenográficas, “Angel Face” resulta um dos melhores episódios de toda a série.

Por notar que a ideia brilhante das cenas urbanas sobre telhados e ao longo das ruas apinhadas foi utilizada por Giraud em “Mister Blueberry”, enquanto a ideia do atentado foi retomada e ampliada por François Corteggiani na série “La Jeunesse de Blueberry”.

Algumas mudanças de estilo entre as duas partes podem também depender do lapso de tempo intercorrido entre a publicação da primeira e a segunda metade do “complô contra Grant”: de fato, passam mais de dois anos. “Le Hors-la-loi” é pré-publicado em capítulos, como todos os precedentes episódios, no periódico “Pilote”, que, porém, cessa a vida como semanal em junho de 1974. “Angel Face” não aparecerá no mensal que toma o posto da revista, antes das muitas reencarnações do glorioso título, mas só em setembro de 1975 no primeiro número de “Nouveau Tintin”, prosseguimento, com modificação do título e nova numeração, da edição francesa do semanal belga.




Desse momento, as histórias de Blueberry, não mais reguladas pelas apertadas necessidades de um periódico, se farão esperar: passarão mesmo muitos anos entre um álbum e o sucessivo. A frequência de dois álbuns ao ano se tornará uma bela recordação e os leitores das primeiras edições deverão armar-se de muita paciência para seguir as vicissitudes do seu amado “tenente”.


Blueberry
Textos de Jean-Michel Charlier e desenhos de Jean Giraud

16 – Le Hors-la-loi
“Pilote” do nº 700 de 05/04/1973 ao nº 720 de 23/08/1973
Álbum Dargaud em 1974

Il fuorilegge
“Skorpio” do nº 10 ao nº 13 de 1981, Eura Editoriale
“Collana Eldorado” 16, Nuova Frontiera, 1986
“Blueberry” 16, Alessandro Editore, 2014
Álbum “Blueberry” 9, Editoriale Aurea, 2014
“Collana Western” 10, Gazzetta dello Sport, 2014


17 – Angel Face
“Nouveau Tintin” do nº 1 de 16/09/1975 ao nº 9 de 11/11/1975
Álbum Dargaud em 1975

“Angel Face
“Skorpio” do nº 14 ao nº 17 de 1981, Eura Editoriale
“Collana Eldorado” 17, Nuova Frontiera, 1986
Álbum “Blueberry” 9, Editoriale Aurea, 2013
“Collana Western” 10, Gazzetta dello Sport, 2014

Fonte: Blog Zona BéDé, Itália.

Blueberry e il ciclo dell’attentato © Zona BéDé 2014

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.
Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur

Afrânio Braga

Edições do grupo Média-Participations na Livraria Amazon Brasil





segunda-feira, 6 de novembro de 2017

“La Jeunesse de Blueberry” nº 20 “Gettysburg”

Capa, 2012. N. C.: Blueberry como soldado confederado. 


Página de apresentação.


Prancha 1. 


Prancha 2. 


Prancha 3. 


Prancha 4. 


Prancha 5. 


Contracapa, 2012. 

Ficha técnica

“Gettysburg”
“Gettysburg”
Roteiro: François Corteggiani
Desenhos e capa: Michel Blanc-Dumont
Cores: Lucie Blanc-Dumont, Denis Bernatets, Bonaventure (1)
Volume: 20
Data de publicação: 25 de maio de 2012 (2)
Número de pranchas: 53 (3)
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,5x29,5 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Edição: Anotado “Primeira edição”. As páginas 55 e 56 são reprises de “Pilote HS” verão 2003. (4)

Fonte: Dargaud Éditeur e Bedetheque.

N. C.:

1) O primeiro álbum de Blueberry colorido a seis mãos.

2) Edição de 2015: Anotado “Primeira edição em 2012”.

3) Número de pranchas: 51 de “Gettysburg” e duas de “Yankee Blueberry”.

4) “Yankee Blueberry”, roteiro de François Corteggiani e desenhos de Michel Blanc-Dumont, história curta do jovem tenente Mike Blueberry.


N. C.: Da página 2:

1) Dedicatória:

Para Jean,
que partiu algures antes da publicação desse volume 20 dessa “jeunesse de Blueberry” que ele inicia graficamente no nº 2 de “Super Pocket Pilote”.

Em homenagem a Jean Giraud, nesse vigésimo episódio de “La Jeunesse
de Blueberry”, nós desejamos que a capa desse livro lembre aquela
que ele desenhou para o primeiro volume.

Michel Blanc-Dumont e François Corteggiani


2) “Yankee Blueberry”:

As páginas 55 e 56 foram publicadas inicialmente no “Pilote” fora de série verão 2003.


3) Ficha técnica das cores:

Cores das páginas 3 a 22: Lucie Blanc-Dumont.
Cores das páginas 23 a 32, 34 a 39 e da ilustração na página 54: Denis Bernatets.
Cores das páginas 32, 33, 40 a 53: Bonaventure.



N. C.: Inicialmente, a capa de “Gettysburg” teria o fundo em tom alaranjado, depois mudou para o cinza de um céu sombrio da Guerra de Secessão e de uma segunda homenagem a Jean Giraud, pela tristeza de sua partida para as pradarias celestiais.



N. C.: A capa desse álbum foi inspirada naquela de “La Jeunesse de Blueberry” ("A Juventude de Blueberry") nº 1, de Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, publicado, pela editora Dargaud, em 1975.



N. C.: O texto da página 54:

A batalha de Gettysburg, que foi iniciada pelo general Lee, dura de 1º a 3 de julho de 1863 e termina com uma vitória da União e derrota catastrófica para os Confederados, em consequência de diversas decisões arriscadas. No meio dos oficiais comandantes, durante esse afrontamento mais que sangrento, além do general Lee, estavam presentes, entre outros, pelo Sul, o general James Longstreet e o major-general George E. Pickett. Pelo Norte, o coronel Joshua L. Chamberlain e o major-general George C. Meade, que veio tomar a responsabilidade do exército da União do Potomac. Os Confederados enviaram 67900 soldados ao combate em Gesttysburg. As suas perdas se elevaram a 4637 mortos, 12391 feridos e 58461 desaparecidos ou capturados. O exército da União enviou 95799 soldados. Suas perdas foram de 3149 mortos, 14503 feridos e 5161 desaparecidos ou capturados. Mesmo que tenha começado por acidente, a batalha de Gettysburg se tornou uma das batalhas mais célebres da História americana.

N. C.: Os personagens históricos citados, no texto, participaram de “Gettysburg”, volume 20 de “La Jeunesse de Blueberry”. Alguns dos personagens históricos presentes nessa série: presidente Abraham Lincoln, detetive Allan Pinkerton, senador Jimmy Lane, os militares unionistas general Grenville M. Dodge, general Philip Sheridan e general William T. Sherman e os confederados general John-Bell Hood e general Robert Lee e os terroristas William C. Quantrill e Archie Clement.


Enquanto Jean Giraud partiu, Corteggiani e Blanc-Dumont nos oferecem “Gettysburg”, 20º volume de “La Jeunesse de Blueberry”...

Nesse 20º álbum de “La Jeunesse de Blueberry”, Mike Steve Blueberry rememora a terrível batalha de Gettysburg. Entre a realidade histórica e a grande aventura, mergulha no coração da Guerra de Secessão e vive no interior de uma das batalhas das mais célebres, e das mais sangrentas, da História.

Fonte: Dargaud Éditeur.


“Yankee Blueberry”
Roteiro: F. Corteggiani
Desenhos: M. Blanc-Dumont


Prancha 1
A história curta se passa em Fort Wayne, Indiana, em novembro de 1864. Dois homens conversam em uma pequena taberna, o cliente pergunta ao proprietário sobre uma fotografia de Brady pendurada na parede, que responde se tratar de uma fotografia feita por Matthew B. Brady (1), em 1861, na qual estão militares unionistas: em pé, ao centro: ele - antes de ter a perna esquerda amputada na segunda batalha de Bull Run; sentado: o coronel J. Emsay (2), morto em Antietam; sentado ao lado de Emsay: o capitão Moeb (3), ferido em Fredericksburg; à direita, agachado: o sargento Guivid (4), morto durante a campanha do rio Vermelho (ele acreditava).

N. C.:

1) Mathew B. Brady foi um dos mais celebrados fotógrafos americanos do século XIX, mais conhecido pelos seus retratos de celebridades e pela documentação da Guerra Civil Americana. É-lhe atribuído o título de pai do fotojornalismo. Fonte: Wikipédia. Brady aparece no quadrinho 3 da primeira prancha.

2, 3 e 4) Homenagem dos autores a Jean-Michel Charlier – o coronel J. Emsay, “Ele é morto por primeiro no flanco 89”: J. de Jean, 89 de 1989, o ano da morte do criador literário de Blueberry; Jean Giraud – o capitão Moeb: de Moebius, pseudônimo do desenhista para as histórias em quadrinhos de ficção científica; Guy Vidal – o sargento Guivid: Gui (Guy), vid (Vidal), o roteirista e jornalista morreu em 2002, cerca de um ano antes da publicação de “Pilote” fora de série verão 2003.



Prancha 2
O cliente pergunta quem era aquele ao fundo, em pé; o proprietário responde que quem portava a trombeta era Blueberry, de cujo se disse que se tornaria tenente. “Parece que contrariamente àquilo que tem sido dito, foi ele que fez explodir a ponte de Chattanooga, e não um certo sargento Matt...” (5) “Parece também que foi ele que salvou o dia ao general Dodge, quando de sua transferência a Forte Hunt pelos malditos rebeldes...” (6) “Também se conta que foi Dodge que teria quebrado o seu nariz com um golpe de muleta.. Mas se conta tantas coisas...” (7) “A única coisa que eu estou certo, é que ele está sempre bem vivo... E que tanto que se contará sobre seu respeito, ele permanecerá, pois não se mata uma lenda, senhor...” “Nós espalharemos... É tudo...” (8)

N. C.:

5, 6 e 7) Quadrinhos baseados naqueles feitos por Jean Giraud em episódios dos volumes 1 e 3 da série “La Jeunesse de Blueberry”, em cujos estão os acontecimentos narrados pelo militar aposentado.

6 e 7) O general Dodge quebra o nariz de Blueberry antes de ser salvo por ele na sua transferência feita pelo exército Confederado.

8)  O último quadrinho da prancha 2 foi baseado na ilustração da capa de “Cavalier Bleu”, volume 3 de “La Jeunesse de Blueberry”.



Um provável estudo de capa do álbum alemão “Die Jugend von Blueberry” band 49 “Gettysburg” (“La Jeunesse de Blueberry” tome 20 “Gettysburg”), publicado pela Egmont na coleção Ehapa Comic Collection, em 2012, com o número 49 (do 49º volume de Blueberry lançado pela editora alemã, somando as três séries blueberryanas). A Egmont publicou o álbum com a capa original da editora Dargaud.



Desenho original da capa de “La Jeunesse de Blueberry” nº 20 “Gettysburg”.



Tela, de Michel Blanc-Dumont, inspirada na capa do álbum “Gettysburg”.


“La Jeunesse de Blueberry” – “Gettysburg”

“ - O senhor os vê, meu capitão?
- Afirmativo... Ei-los!! Eles aceleram a marcha... Preparem-se para atirar.
- Avante!
- Fogo!
Shiloh, Seven Pines ou Chickamauga... Pouco importa o nome...”

1863, os exércitos unionista e confederado se enfrentam em Gettysburg, Pensilvânia, em uma batalha decisiva da Guerra de Secessão.

O Tenente Blueberry comanda uma pequena tropa da cavalaria unionista para buscar munição, cuja chegaria de trem, contudo ele ignorava que o comboio fora tomado pelos confederados, que descem dos vagões, na estação Born, atirando e bradando seu terrível grito de guerra: o “Rebel yell”.

Na fuga, o cavalo de Blueberry é baleado, o tenente sobe na garupa do sargento, cuja montaria também é morta, lançando novamente Mike ao solo, que passa a fugir a pé. A dupla se abriga em uma casa, no alto de uma colina, a qual é atingida por tiros de canhões, levando os dois oficiais a se esconderem no porão, onde Blueberry conta parte do seu passado, com a participação de personagens históricos, como o general sulista “Stonewall” Jackson e o general nortista Dodge, que quebra o seu nariz com a muleta de um soldado – o nariz quebrado dá origem a outro apelido blueberryano, dessa vez dado pelos índios: Tsi-na-pah, “Nariz Partido”.

Mike prossegue a narrativa: traidor do Sul, é acusado de agente duplo e feito prisioneiro pelos Nortistas; após a evasão da prisão, Blueberry é procurado pelos dois exércitos, tornando-se novamente sulista, para depois voltar à União e sair em missão secreta, disfarçado de soldado confederado, em meio a mais famosa e sangrenta batalha da Guerra de Secessão: Gettysburg.

A calmaria envolve o lugar, porém, Mike é preso, pelos rebeldes, ao sair da casa destruída pelos tiros dos canhões. O tenente continua narrando as suas aventuras para o sargento, enquanto os dois aguardam o seu destino cinza...


Fonte das imagens: Dargaud Éditeur: capa, página de apresentação, pranchas 1, 2, 3, 4 e 5, capa inicial, capa de “La Jeunesse de Blueberry” nº 1 e ilustração da página 54. Michel Blanc-Dumont:  pranchas de “Yankee Blueberry”; desenho original da capa de “La Jeunesse de Blueberry” nº 20 “Gettysburg”. Galerie Napoleon: tela inspirada na capa de “Gettysburg”.

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.

La Jeunesse de Blueberry nº 20 Gettysburg © François Corteggiani, Michel Blanc-Dumont, Dargaud Éditeur 2012, 2015
Die Jugend von Blueberry band 49 Gettysburg © François Corteggiani, Michel Blanc-Dumont, Egmont 2012

Afrânio Braga



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Blueberry e o Tesouro dos Confederados

Blueberry e o Tesouro dos Confederados


N. C.: 1) Red Neck, Blueberry e Jimmy Mc Clure. Desenho de Gir 
publicado, em preto e branco, em “L’Univers de Gir”, Dargaud, 1986.


Com “Chihuahua Pearl” inicia o ciclo do ouro dos Confederados, em cujo os autores narram um evento que desenrolará a vida de Blueberry e repercutirá nas histórias narradas em dez álbuns publicados no curso de 14 anos. Esse ciclo compreende três subciclos. O primeiro é constituído por “Chihuahua Peal”, “L’Homme que valait 500.000 $” e “Ballade per un cercuil(2).

N. C.: 2) “Chihuahua Pearl” – “Chihuahua Pearl”; “L’Homme que valait 500.000 $” – “O Homem Que Valia $500.000”; “Ballade per un cercuil” – “Balada Para Um Caixão”.




A sequência inteira representa o fulcro, o ápice de toda a saga do tenente Blueberry, talvez quanto de melhor produziram os dois autores, nessa ocasião verdadeiramente grandes, cada um pela esfera da própria competência.



Chihuahua Pearl

A história, influenciada pelos spaghetti western, muito na moda à época, inicia com Mike Blueberry que salva um mexicano, portador de uma mensagem para o presidente dos Estados Unidos da América, da perseguição de uma patrulha de compatriotas, guiada pelo comandante Vigo. O confronto com esse último faz pressagiar que o nosso herói se fez um inimigo daqueles que deixam o sinal.




De Washington chega o general Mc Pherson, conselheiro militar do presidente, que em seu nome encarrega o jovem tenente de recuperar, no México, 500.000 dólares em ouro, um tesouro dos Confederados colocado a salvo a seu tempo pelo presidente sulista Davis. E para fazê-lo agir mais livremente, Mc Pherson faz degradar e expulsar do exército Blueberry e o envia à cidadezinha de Chihuahua para colocar-se em contato com um agente local. Antes de partir, o nosso herói pede a ajuda dos seus dois amigos Jimmy Mac Clure e Red Neck.




Um bando de proscritos sulistas, um caçador de recompensas e Chihuahua Pearl, uma linda e atraente cantora (3), se sucedem em cenas que parecem acolhidas em peso por um filme de Sergio Leone.

N. C.: 3) Chihuahua Pearl, cujo nome verdadeiro é Lily Calloway, deve o seu nome artístico à cidade de Chihuahua, na qual ela se apresentava no cassino “Casa Roja”. Chihuahua é a capital do estado mexicano de Chihuahua, que faz fronteira com Novo México e Texas, dois estados americanos.




L’Homme que valait 500.000 $

Nessa segunda parte do ciclo, a trama se adensa: acordos e traições, resgates e matrimônios, vidas e destinos em jogo perene. A aventura de Mike Blueberry prossegue entre amigos e inimigos, amor e ódio em um crescimento de tensão. Nós omitiremos a narrativa para não tirar o prazer de descobrir as contínuas reviravoltas idealizadas por um Charlier em verdadeiro estado de graça, coadjuvado na devolução gráfica por um Giraud, em nosso juízo, no acme de sua arte, tornada barroca!



Ballade per un cercuil

Esse volume é particular e importante na cronologia de Blueberry, porque nas primeiras 17 páginas contém a biografia escrita do personagem. Blueberry já tem o seu sucesso e a sua popularidade pelos quais Charlier decide criar uma biografia escrita, provida de fotografias autênticas de acontecimentos reais da história americana, sobre cuja está ancorada a saga do tenente.




Não se trata só de um capricho do autor, porque nesse modo põe as estacas bem precisas, talvez para segurar a freio a impetuosidade criativa de Giraud que quisera dar um tom mais intimista e psicanalítico ao herói. De fato, é mesmo graças a essa biografia que os herdeiros de Charlier fizeram escudo para impedir a qualquer um, incluído, sobretudo, Giraud, de sair do terreno semeado, traçado pelo roteirista, para histórias futuras sobre um Blueberry diverso daquele idealizado por ele.

Não só, mas se trata também de um dos episódios mais longos dedicados ao personagem: 62 pranchas.




Nesse episódio, que conclui o ciclo, é realmente fascinante a fuga dos nossos com a carroça com o caixão, perseguidos por Lopez, Finlay e Vigo! Não diremos o desenvolvimento e o fim da história para não estragar a surpresa àqueles poucos (que acreditamos sejam realmente poucos) que nunca leram as aventuras de Blueberry nem em edições italianas, nem francesas! Diremos só que no penúltimo quadrinho se vê um irredutível Mike Blueberry nada resignado à dramática conclusão do Tesouro dos Confederados!




A trama é densa de acontecimentos que se sucedem a ritmo encalçante, tornam o ciclo, a nosso juízo, entre os mais emocionantes, não obstante os quarenta anos transcorridos. O traço gráfico de Giraud torna-se barroquista, curvilíneo, muito particularizado. Estupendas as cenografias com as paisagens que recordam os filmes western, mas que mais verossimilmente nascem das recordações das viagens juvenis de Giraud ao México! Cada prancha mereceria uma análise estrutural, que independe dos propósitos. Em algumas figuras, como naquela de Pearl, se inicia a ver um traço mais solto, à la Moebius (4), que o autor desenvolverá mais e melhor na série do Incal (5).

N. C.: 4) Moebius, o pseudônimo de Jean Giraud para os seus trabalhos na ficção científica e afins. 5) “L’Incal” (“O Incal”), série de ficção científica com roteiros de Alejandro Jodorowsky e desenhos de Moebius.




Blueberry
Textos de Jean-Michel Charlier e desenhos de Jean Giraud

13 – Chihuahua Pearl
“Pilote” do nº 566 de 10/09/1970 ao nº 588 de 11/02/1971
Álbum Dargaud em 1973

Chihuahua Pearl
“Avventuroso Colore”, 1975
“Skorpio” do nº 50 de 1980 ao nº 1 de 1981, Eura Editoriale
“Collana Eldorado” 13, Nuova Frontiera, 1984
“Blueberry” 13, Alessandro Editore, 2012
Álbum “Blueberry” 7, Editoriale Aurea, 2013
Collana Western 8, Gazzetta dello Sport, 2014


14 – L'Homme qui valait 500.000 $
“Pilote” do nº 605 de 10/06/1971 ao nº 627 de 11/11/1971
Álbum Dargaud em 1973

L’uomo che valeva 500.000 $
“Eroi dei fumetti” dal n.1 al n.4, editora Persona, 1971 (incompleto)
“L’Avventuroso” 6, editora SEA, 1974
“L’Avventuroso Colore” 1, 4, 5, 7/10 e “Speciale”, 1975, SEA
“Skorpio” do nº 2 ao nº 5 de 1981, Eura Editoriale
“Collana Eldorado” 14, Nuova Frontiera, 1984
“Blueberry” 14, Alessandro Editore, 2013
Álbum “Blueberry” 7, Editoriale Aurea, 2013
“Collana Western” 9, Gazzetta dello Sport, 2014


15 – Ballade pour un cercueil
“Pilote” do nº 647 de 30/03/1969 ao nº 679 de 09/11/1969
Álbum Dargaud em 1974

Ballata per una bara
“Avventuroso Colore” 5/6, 7-8, 9-10, 1977, Ed. Sole
Volume “Avventuroso Colore” 1, 1977, Edizioni GM
“Skorpio” do nº 6 ao nº 9 de 1981, Eura Editoriale
“Collana Eldorado” 15, Nuova Frontiera, 1985
Álbum “Blueberry” 8, Editoriale Aurea, 2013
“Blueberry” 15, Alessandro Editore, 2014 (única com biografia)
“Collana Western” 9, Gazzetta dello Sport, 2014




Fonte: Blog Zona BéDé, Itália.

Blueberry e il tesoro dei confederati © Zona BéDé 2014

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.
Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur

Afrânio Braga

Edições do grupo Média-Participations na Livraria Amazon Brasil