quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A última aventura do tenente Moebius

A última aventura do tenente Moebius


O pai de “Blueberry” e de “L’Incal” era um dos pontas de lança da nova HQ. Ele morreu em 10 de março.

Le Monde | 12/03/2012
Por Frédéric Potet



O desenhista Jean Giraud, aliás, Moebius, em Paris, em janeiro de 2009.


Penetrar no antro de um deus vivo, naquele dia, abalou quaisquer ideias recebidas. Era uma manhã de setembro de 2010, e Jean Giraud me receberia em sua casa, perto de Paris, algumas semanas antes da estreia da grande retrospectiva que a Fondation Cartier consagraria a ele. Por que se espera ver os gênios viver em habitações suntuosas e espaçosas como o campo de sua imaginação? A pequena casa-ateliê de Montrouge não tinha nada, mas verdadeiramente nada de ostentoso. Alguns degraus a subir atrás de uma grade anônima, um cômodo único ao rés-do-chão com uma pequena cozinha ao fundo, os utensílios na pia, as caixas de papelão com desenhos ali, os livros, as revistas... Em suma, uma bagunça simpática, atestando uma atividade prolífica e a presença de um mundo interior.

Sobre a mesa, negligentemente colocado, um pequeno caderno de desenhos convidava os visitantes a folhear suas páginas. “Vá lá, vá lá!”, autorizou amigavelmente o anfitrião preparando um café. Depois de vários anos, Giraud desenhava as suas histórias sem rascunho – diretamente ao pincel, sem a menor lapisada – sobre esses pequenos calepinos apenas maiores que as agendas telefônicas. Por evidentes razões de conforto, a grande maioria dos autores de histórias em quadrinhos trabalha sobre formatos superiores ao tamanho dos álbuns publicados. Giraud fazia ao inverso. “Ele explicava que aquilo o obrigava a mais concentração.”, revela o roteirista e jornalista Jean-Pierre Dionnet que com ele funda a revista “Métal Hurlant” na metade dos anos 1970. O exercício tinha também, sem dúvida, um sabor de desafio. Esse gosto pelo risco permanente ao qual, finalmente, Jean Giraud jamais faltou durante toda sua carreira.

Foi particularmente por isso que seu falecimento, sábado, 10 de março, em Paris, à idade de 73 anos, criou tal emoção no pequeno mundo da 9ª arte. Raramente um autor de HQ foi tão festejado por seus pares, todas as gerações embaralhadas, e por seus leitores. Sua dupla identidade – Gir para seu período Blueberry, Moebius para a vertente fantástica e onírica de sua obra – tem, evidentemente, muito contribuído em sua aura nessa disciplina ou quanto repetitivo e sujeito aos sistemas que é a história em quadrinhos.

A grande força de Gir-Moebius foi de ser diferente e idêntico ao mesmo tempo. De multiplicar os estilos sem desistir de uma coerência gráfica. De se renovar sem se revogar. “Eu sou raramente antagonista na medida onde eu tenho duas assinaturas que me dão acesso aos campos inteiros da expressão, com a tese e antítese, o diabo e o anjo. Eu me saio bem em me trair sem me deixar.”, ele explicou naquele dia em Montrouge.

Viagem ao México

Jean Giraud nasceu em 8 de maio de 1938 em Nogent-sur-Marne (Val-de-Marne), França. Então quando ele era aluno da École de Arts Appliqués de Paris, sua juventude foi marcada por uma viagem ao México, onde partiu para viver sua mãe, separada de seu pai. Uma estada no deserto o marcará na vida e se tornará mais tarde um tema recorrente em sua obra, do Blueberry das estreias às histórias introspectivas publicadas nesses últimos anos ao seio de sua pequena editora (Stardom). “No deserto”, ele dizia, “se abandona toda a acumulação cultural que nos embarace, quer seja em matéria de narração, de demonstração... Além disso, em toda parte, não se pode dar um passo sem cair sobre uma regra, sobre uma armadilha ou sobre um fogo vermelho. No deserto, não resta mais que ser cultural internalizado, o personagem que deambula e que coloca as questões: é isso que é o bem e o mal? O quê é isso que eu faço? É isso que é a criação? Se eu me represento a mim mesmo, é nisso que eu me torno criatura ou isso ainda sou eu?”.

Ele tem justo 18 anos, em 1956, quando ele publica suas primeiras histórias em quadrinhos em diversas publicações para a juventude: “Fripounet et Marisette”, “Âmes vaillantes”, “Coeurs vaillants”. No início dos anos 1960, seu encontro com Joseph Gillain, dito Jijé, dá uma acelerada em sua carreira. Esse último o recruta como assistente em um episódio de “Jerry Spring”, “La Route de Coronado”, em cujo ele é encarregado da arte-final. Pouco tempo depois, o roteirista Jean-Michel Charlier, regressando de um reconhecimento no Nevada para um episódio das aventuras do aviador Buck Danny, procura um desenhista para uma série western que ele tem na cabeça. Demais ocupado, Jijé declina a oferta, mas orienta Charlier rumo a Giraud. Em 1965, estreia “Fort Navajo”, a primeira história de um tenente do exército americano de nariz quebrado e de caráter forte, Mike “Blueberry” Donovan.

Esse personagem vai dar a ocasião a Giraud, que assina Gir desde o primeiro episódio, de “fazer cinema sobre papel”. À medida dos períodos, seu herói vai emprestar os traços de numerosos atores: Jean-Paul Belmondo, Charles Bronson, Clint Eastwood, Arnold Schwarzenegger, Vincent Cassel (que interpreta o papel de Blueberry no cinema no filme de Jan Kounen em 2004). “A cada vez, eu corrigia um nariz quebrado, assim como um corte de cabelo à la Mike Brant!”, se divertia Giraud, grande admirador de Sam Pechinpah, de Sergio Leone e, sobretudo, de John Ford “que toda sua vida foi esquartejado entre o machismo branco da conquista do Oeste e a consciência que ele tinha das minorias oprimidas”. A amizade de Blueberry pelos índios fazia dele o mais “fordiano” dos personagens de histórias em quadrinhos.

Paralelamente à sua série de sucesso, Giraud inventa muito rápido um dublê que ele chama Moebius – em referência à fita do sábio Möbius, símbolo do infinito – e com o qual ele vai desbravar as terras pouco exploradas na história em quadrinhos, aos confins do sonho e da ficção científica.

A reviravolta desse período é a criação, em 1975, de “Métal Hurlant”, ao lado de Dionnet, Philippe Druillet e Bernard Farkas. É, então, o nascimento do herói mudo Arzach, que fará escoar de tal maneira de tinta. “À época, “Métal Hurlant” vivia constantemente no perigo de morrer”, conta Giraud na entrevista que “Le Monde Magazine” tirou desse encontro com ele. “Nós não sabíamos jamais se nós iríamos lançar o número seguinte. A garantia da surpresa editorial era nossa própria surpresa. De onde esse personagem sem palavra nem referencia cultural que eu fazia à noite após o trabalho – após Blueberry, que coisa. Era um modo de ser provocante.”.

Um meio também de evitar a alienação de um trabalho que fez afundar na depressão tantos autores da época, Franquin encabeçando. Jean-Pierre Dionnet se lembra de uma discussão com Moebius, onde este lhe promete, para a semana seguinte, uma história de ficção científica em oito páginas: “Ele me entregou finalmente uma história se desenrolando na Idade Média! A história inicial, visto que ele já me contara, não tinha mais necessidade de ser nova.”. No mesmo período, Moebius realiza uma capa de “Métal Hurlant” “nenhum pouco bonita”, indigna de seu talento, se lembra ainda Dionnet. Este se espanta. “Eu o expressei”, lhe responde Giraud. “Eu queria ver se, porque eu era Moebius, se poderia totalmente me transpor.”.

Consciente de sua genialidade e solicitado por toda parte, ele não menos continua as aventuras de Blueberry que ele descreve como “o patrocinador pessoal de Moebius.”. Suas explorações futuristas o conduzem a colaborar com o roteirista Alejandro Jodorowsky que cria, para ele, o personagem John Difool. Entrementes, o cinema dá a ele olhares doces, mesmo se Giraud não se tornará jamais aquilo que ele sem dúvida sonhou de ser igualmente: diretor. “Eu não diria que o cinema me deixou à margem do caminho.”, dizia ele ainda no outono de 2010. “Antes fui eu que o deixei passar. Infelizmente é difícil ter várias vidas simultaneamente. Fazer do Moebius sem a menor concessão, totalmente continuando Blueberry, demanda já um investimento interno considerável.”.

Venerado no Japão, solicitado pela Marvel aos Estados Unidos (onde ele trabalha com Stan Lee), idolatrado na França por seus leitores de longa data (apesar das tiragens tornadas mais confidenciais nesses últimos anos), Giraud não tem, sem dúvida, o reconhecimento que ele merecia nas mídias ou junto das instituições. Em 2010, a retrospectiva da Fondation Cartier resta a única grande exposição que a ele foi consagrada. Giraud não fica à sombra, ou pelo menos se esconde sob seu grande chapéu negro. “Fundamentalmente, os artistas são os acrobatas, os saltimbancos, e eles vivem unicamente porque eles atraem a atenção dos transeuntes que lançam uma moeda.”, dizia ele. “A única postura que vale é aquela do cigano que exibe o urso em seu circo. A base do ofício.”.


Datas-chaves
1938
Nascimento em Nogent-sur-Marne (Val-de-Marne), França.
1954
Arts Appliqués de Paris.
1956
Primeiras HQ em publicações para a juventude.
1961
Jijé o contrata como assistente em “Jerry Spring”.
1965
Estreia de “Fort Navajo”, primeiro álbum de “Blueberry”.
1969
Utiliza pela primeira vez o pseudônimo Moebius. (1)
1975
Criação de “Métal Hurlant”.
1977
“Alien”, de Ridley Scott.
1980
“John Difool” sobre um roteiro de Alejandro Jodorowsky.
1985
Trabalha no Japão sobre uma versão animada de “Little Nemo”.
2000
Trabalha no Japão com Jiro Taniguchi.
2005
“Inside Moebius”, história introspectiva.
2007
Assina um episódio de “XIII” com Jean Van Hamme.
2010
Retrospectiva "Trans- Forme" na Fondation Cartier.
10 de março de 2012
Morte em Paris.

N. C.:

1) Comentário de Charles Tatum nesse artigo do jornal “Le Monde”: «O pseudônimo “Moebius” não nasceu em 1969, mas no verão de 1963 nas colunas de “Hara-Kiri” (“L’Homme du XXIe siècle” particularmente). Ou seja, alguns meses antes das primeiras pranchas de Blueberry (fim de 1963, “Pilote”).» (2)

2) “Fort Navajo”, a primeira história de Blueberry, foi publicada na revista “Pilote” nº 210 de 31 de outubro de 1963.

La dernière aventure du lieutenant Moebius © Le Monde / Frédéric Potet 2012
Fotografia de Jean “Moebius” Giraud © Agence France-Presse – AFP / Franck Fife 2009

Afrânio Braga


terça-feira, 13 de novembro de 2018

Exposição Colin Wilson na livraria Bulles en Tête 2018

Mike Blueberry no cartaz da exposição. (1)


Exposição Colin Wilson na 
livraria Bulles en Tête 2018

A livraria Bulles em Tête está muito honrada em vos convidar a encontrar Colin Wilson a partir de 4 de outubro próximo por ocasião de uma exposição-venda das pranchas do último volume de “Wonderball”, assim como de ilustrações saídas de “La Jeunesse de Blueberry”! (2) (3)

Exposição de 4 a 20 de outubro. Vernissage, na quinta-feira, 4, às 18:30 horas, com a presença do autor.

N. C.:

1) Texto do cartaz da exposição:

Exposição-venda Colin Wilson, de 4 a 20 de outubro de 2018
Vernissage, na quinta-feira, 4 de outubro, às 18:30 horas, com a presença do autor
40 pranchas e desenhos originais saídos do tomo 5 de “Wonderball”, assim como ilustrações de “La Jeunesse de Blueberry”

2) Colin Wilson desenhou seis álbuns da série “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”) - três com roteiros de Jean-Michel Charlier e os demais com roteiros de François Corteggiani -, coloridos por Janet Gale, sua esposa, que também coloriu “Le Bout de la piste” (“O Fim da Pista”), volume 22 da série “Blueberry”.

3) Ilustrações saídas também da série “Blueberry”.








Blueberry e Jimmy McClure defendem a diligência do ataque de índios.


Mike Steve Donovan, aliás, Mike Steve Blueberry.


Da direita para a esquerda: Red Neck, Blueberry, Jimmy e dois parceiros.


Mike Blueberry e passageiros prontos a retomar a diligência dos índios.


Red Neck e Mike Blueberry, companheiros de aventuras.


Mike Steve Blueberry.


Jimmy Mc Clure, Mike Blueberry e Red Neck, grandes amigos.


Mike Steve Blueberry.


Mike Steve Blueberry.


Mike Steve Blueberry.


Mike Steve Blueberry, ilustração do cartaz da exposição.


A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.

Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud – Dargaud Éditeur
Exposition Colin Wilson © Colin Wilson - Librairie Bulles en Tête 2018

Agradecimentos a Colin Wilson e a Jean-Pierre Nakache, da livraria Bulles em Tête, pela gentil permissão para publicar sobre a exposição 2018 no blogue Blueberry.


Afrânio Braga

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Blueberry visto por Blain e Sfar

BLUEBERRY Visto PoR BLAIN e SFAR

Após o brilhante Lucky Luke visto por Bonhomme, um novo projeto homenagem a uma série cult




Criado em 1963, por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, para a revista “Pilote”, Blueberry é um florão da história em quadrinhos francófona. Mas, após o falecimento de Giraud em 2012, a série não mais conheceu novidade.

Portanto, o tempo de uma aventura em dois álbuns, Christophe Blain (“Quai d’Orsay”, “Gus”) e Joann Sfar (“Le Chat du Rabbin”) associaram seu respectivo talento propondo sua própria interpretação de Blueberry.  Eles contam como um forasteiro (de origem alemã) - meio louco,  charlatão,  incontrolável, proprietário de um estranho autômato capaz de jogar xadrez - sozinho colocará em perigo uma paz frágil entre os índios e o exército americano. Nós vamos reencontrar Mike Steve Blueberry, mas também Jimmy Mc Clure, em uma história de uma só vez fascinante e crepuscular. Um Blueberry “visto por” dois autores que prestam uma homenagem, a seu modo, a esse western cult.

Nos encontraremos no fim do ano...




© Blain – Sfar – Dargaud 2018

Fonte: Dargaud Éditeur, 10/01/2018.


Afrânio Braga

domingo, 16 de setembro de 2018

Portfolio Blueberry Stardom

N. C.: Capa com ilustração – extraída do 
portfólio - se estendendo à contracapa.


Portfolio Blueberry Stardom
Tipo: 2D
Categoria: Portfólio
Autor: Jean Giraud
Editor: Stardom
Fabricante: Deja et fils
Dimensões: 245x322 mm; 240x320 mm; 320x240 mm; 480x320 mm (1)
Aspecto: Monocromo; Policromo (2)
Data de lançamento: 01/1994
Material: Papel cartonado
Tiragem: 800 exemplares (3)

Comentário: 18 ilustrações contidas no portfólio (4). Compreende 4 folhas monocromas em cujas um prefácio de Eddy Mitchell, 14 ilustrações ao formato 320x240 e uma ilustração ao formato 480x320.

Fonte: Bedetheque.

N. C.:
(1) Dimensões: 24,5x32,2 cm: estojo do portfólio; 24,0x32,0 cm: 12 ilustrações, mais o prefácio de Eddy Mitchell, a introdução de Jean Giraud, Chihuahua Pearl e a ficha técnica do portfólio; 32,0x24,0 cm: duas ilustrações; 48,0x32,0 cm: uma ilustração em formato duplo em relação àquele vertical, guardada dobrada no estojo.
(2) Aspecto: Monocromo: 4 ilustrações – o prefácio de Eddy Mitchell; a introdução de Jean Giraud; Chihuahua Pearl em um extrato do álbum “Arizona Love”, o último publicado até então da série “Blueberry”; a ficha técnica da publicação. Policromo: 15 ilustrações – grande parte das quais publicadas nos Estados Unidos, sendo 9 de capas de álbuns “Blueberry” editados pela Epic Comics no final dos anos 1980 e no início dos anos 1990.
(3) Tiragem: 800 exemplares numerados e assinados por Jean Giraud, a lápis, junto ao prefácio de Eddy Mitchell.
(4) Comentário: 19 ilustrações: 4 folhas - a introdução, o prefácio, Chihuahua Pearl e ficha técnica - e 15 ilustrações.



N. C.: Prefácio de Eddy Mitchell (5):

É uma evidência, a perfeição
não é desse mundo, eu quero
dizer daquele dos adultos, mas
na quarta dimensão que é
o universo da BD (6), basta abrir
um álbum de Jean Giraud para
encontrá-la em cada desenho, em
qualquer página. Sua composição
de cena é digna de um John Ford (7)
ou de um Sam Peckinpah (8). Seus atores
não são heróis clichês, eles
têm caras, personalidades
e sentimentos que vão frequentemente
ao encontro das regras dos “gibizinhos”,
mas, como bem disse
o poeta Moebius (9), o homem é
bom? (10)

N. C.:
(5) Eddy Mitchell, ator e cantor francês.
(6) BD: Bande Dessinée. HQ: História em Quadrinhos.
(7) John Ford, cineasta norte-americano, diretor de “Stagecoach” (“No Tempo das Diligências”), “The Searchers” (“Rastros de Ódio”), entre outros westerns.
(8) Sam Peckinpah, diretor, produtor e roteirista de cinema norte-americano, dirigiu filmes western como “The Wild Bunch” (“Meu Ódio Será Tua Herança”).
(9) Moebius, o outro eu artístico de Jean Giraud.
(10) “O Homem é Bom?”: título de um dos álbuns de Moebius.



N. C.: Introdução de Jean Giraud:

                             Blueberry
Um dia, eu ainda acabei por
me encontrar sobre o dorso de um
daqueles pequenos cavalos apaches,
capazes de passar da sonolência à
fúria em uma piscar de olhos...
Em torno de mim se desdobrava a
incrível, a estranha majestade do
Monument Valley (11)...
O ar ardente e perfumado como
um som vibrante...
Estranha sensação...
Eu vivia meu sonho...
As milhares de horas sobre a
prancha em branco, dando à luz
Blueberry se dissolveram nesse
instante único, telescópico em um
desfile instantâneo e indescritível,
em um sonho azul...
          De um azul mirtilo... (12)
                                                      
N. C.:
(11) Monument Valley. Região dos Estados Unidos, situada na reserva dos índios Navajos, em cuja se encontra o monumento “As Quatro Esquinas” que marca o ponto de divisas de quatro Estados – Utah, Colorado, Novo México e Arizona. Foi muito usada como cenário em filmes western, particularmente os de John Ford, com John Wayne como ator principal. Fonte: Wikipédia, com adaptações.
(12) Mirtilo: fruta de cor azul, cujo nome em inglês é blueberry – apelido escolhido pelo próprio Mike Steve, na sua juventude, quando viu um arbusto dessa fruta. Jean Giraud definiu como o tenente seria chamado ao encontrar, no sumário de uma revista, uma reportagem sobre a planta blueberry, que, além do apelido do protagonista, passou, ao longo dos álbuns, a ser o título da série.


N. C.: Blueberry e Chini, filha de Cochise, chefe Apache Chiricahua. Ilustração, em acrílica, assinado Gir, republicada no artbook “Blueberry’s”, Stardom Éditeur, 1997.


N. C.: Blueberry, a galope, em meio a índios. Ilustração, em nanquim e pincel, assinado Gir, republicada no artbook “Blueberry’s”, Stardom Éditeur, 1997.


N. C.: Um homem branco – talvez Mike Blueberry – atacado por índios em seu acampamento. Ilustração, assinado Gir, publicada, em página inteira, no álbum “Blueberry 5 – The End of Trail” da Epic Comics.


N. C.: Ilustração, assinado Mœbius, da capa de “Blueberry 5 – The End of Trail”, álbum publicado por Epic Comics em 1990. Díptico com as histórias “The Last Card” (“La Dernière carte”, “A Última Cartada”) e “The End of Trail” (“Le Bout de la piste”, “O Fim da Pista”).


N. C.: Ilustração da capa de “Lieutenant Blueberry 1 – The Iron Horse”, álbum publicado por Epic Comics em 1991. Bico de pena e nanquim colorido, assinado Gir, republicada no artbook “Blueberry’s”, Stardom Éditeur, 1997, junto à versão para o projeto da série de TV “Colt”, 1995. “The Iron Horse”: “Le Cheval de fer”, “O Cavalo de Ferro”.


N. C.: Ilustração, assinado Mœbius, da capa de “Marshal Blueberry 1 – The Lost Dutchman’s Mine”, álbum publicado por Epic Comics. Republicada na capa de “Blueberry. Les Monts de la Superstition”, Hors Collection lançado em 2003, por Dargaud Éditeur, na ocasião dos 40 anos de Blueberry – díptico com as histórias “La Mine de l’Allemand perdu” (“A Mina do Alemão Perdido”) e “Le Spectre aux balles d’or” (“O Espectro das Balas de Ouro”) que integram o ciclo Prosit Luckner. O Ouro da Sierra.


N. C.: Ilustração, assinado Mœbius, da capa de “Blueberry 4 – The Ghost Tribe”, álbum publicado por Epic Comics em 1990. Díptico com as histórias “The Long March” (“La Longue Marche”, “A Longa Marcha”) e “The Ghost Tribe” (“La Tribu fantôme”, “A Tribo Fantasma”).


N. C.: Ilustração, assinado Mœbius, da capa de “Lieutenant Blueberry 2 – Steelfingers”, álbum publicado por Epic Comics em 1991. Jethro “Steelfingers” Diamond, chamado, nessa edição americana, de Jethro “Steelfingers” Drake. A segunda versão dessa ilustração – em acrílica, nanquim colorido e aerógrafo, assinado Gir, 1996 – foi publicada no artbook “Blueberry’s”, Stardom Éditeur, 1997. “Steelfingers”: “L’Homme au poing d’acier”, “O Homem do Punho de Aço”.


N. C.: Ilustração da capa de “Blueberry 1 – Chihuahua Pearl”, álbum publicado pela parceria da Epic Comics (Nova York, Estados Unidos) com a Titan Books (Londres, Inglaterra), impresso nos Estados Unidos, em 1989. Díptico com as histórias “Chihuahua Pearl” (“Chihuahua Pearl”, “Chihuahua Pearl”) e “The Half-a-million Dollar Man” (“L’Homme qui valait 500000$”, “O Homem Que Valia $500000”). Ilustração, assinado Mœbius, também da capa de “Chihuahua Pearl”, álbum publicado por Meribérica/Liber, editora portuguesa, em 1990; e utilizada na capa e na contracapa desse portfólio.


N. C.: Mike Blueberry na ilustração, assinado Mœbius, da capa de “Blueberry 3 – Angel Face”, álbum publicado por Epic Comics em 1989. Díptico com as histórias “Angel Face” (“Angel Face”, “Angel Face”) e “Broken Nose” (“Nez Cassé”, “Nariz Partido”).


N. C.: Mike Blueberry, Jimmy McClure e Chihuahua Pearl na ilustração, assinado Mœbius, da capa de “Blueberry 2 – Ballad For A Coffin”, álbum publicado por Epic Comics em 1989. Díptico com as histórias “Ballad For A Coffin” (“Ballade pour un cercueil”, “Balada Para Um Caixão”) e “The Outlaw” (“Les Hors-la-loi”, “O Fora-da-lei”).


N. C.: Ilustração, assinado Mœbius, do Tenente Mike Steve Blueberry.


N. C.: Ilustração, assinado Mœbius, da capa de “Lieutenant Blueberry 3 – General Golden Mane”, álbum publicado por Epic Comics em 1991. Díptico com as histórias “The Trail Of The Sioux” (“La Piste des Sioux”, “A Pista dos Sioux”) e “General Golden Mane” (“Général Tête Jaune”, “General Cabeça Amarela”). Ilustração inspirada no ator Kevin Costner em uma cena do filme “Dances with Wolves” (“Dança com Lobos”) lançado em 1990.


N. C.: Ilustração, assinado Gir, inspirada no último quadrinho de “General Cabeça Amarela” (“Général Tête Jaune”, 1971) e no quadrinho 4 da prancha 37 de “O Fim da Pista” (“Le Bout de la piste”, 1986), em cujos aparecem os três companheiros de aventuras – Jimmy McClure, Mike Blueberry e Red Neck – a cavalo, rumo ao horizonte. A ilustração é uma mescla dos dois quadrinhos.


N. C.: Tsi-Na-Pah em um duelo índio no Monument Valley, Arizona. Tsi-Na-Pah – “Nez Cassé”, “Nariz Partido” -, apelido dados pelos Apaches a Blueberry devido o seu nariz quebrado, na juventude, pelo General Dogde, durante a Guerra de Secessão. Ilustração - em bico de pena, nanquim colorido e aerógrafo, assinado Mœbius - republicada no artbook “Blueberry”, Stardom Éditeur, 1997.


N. C.: Lily Calloway, aliás, Chihuahua Pearl em uma noite de amor com Mike Blueberry, sob a tempestade, escondidos em uma gruta, naquela que seria a sua noite de núpcias com Duke Stanton. Desenho não publicado no álbum “Arizona Love” – lançado por Alpen Publishers em 1990 -, cuja história foi a última escrita por Jean-Michel Charlier, a qual teve o roteiro alterado e concluído por Jean Giraud. 


N. C.: Índio ancião. Bico de pena. Ilustração republicada, em preto e branco - sobre uma fotografia, também em preto e branco, de uma formação rochosa que alude ao desenho - no artbook “Blueberry’s”, Stardom Éditeur, 1997.

Ficha Técnica
Blueberry – Porte folio Copyright © Stardom Paris
Diretora da publicação Claudine Giraud
Concepção gráfica Diego Aranega / Pascal Paulus
Prefácio Eddy Mitchell. Texto Jean Giraud
Todos os direitos reservados
Stardom Galerie – 2 Rue Voltaire – 75011 Paris ®
Contato Frank Bruneau 45-56-60-89
Impresso na França por Deja et Fils 01/1994


Portfolio Blueberry © Jean Giraud, Stardom 1994

Fonte das imagens: Pinterest: coletânea do portfólio. Bedetheque: as demais.


N. C.: Coletânea do portfólio “Blueberry” Stardom também chamado de portfólio “Blueberry - Jean Giraud” e de portfólio “Blueberry – Couvertures Américaines”. Nessa coletânea, a exceção é o prefácio de Eddy Mitchell.

Afrânio Braga