quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Blueberry 1 de Sfar e Blain: revelação da capa

TENENTE BLUEBERRY: REVELAÇÃO DA CAPA


Christophe Blain e Joann Sfar associam seus talentos propondo uma aventura de Blueberry em dois volumes.




Criado em 1963, por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud para a revista “Pilote”, “Blueberry” é um florão da história em quadrinhos francófona. Mas, desde o falecimento de Giraud em 2012, a série não conheceu mais novidade.

Portanto, Christophe Blain (“Quai d’Orsay”, “Gus”, “Isaac”) e Joann Sfar (“Le Chat du Rabbin”) associaram seus respectivos talentos propondo uma aventura do Tenente Blueberry.

Enquanto ele patrulha os arredores de uma reserva indígena, o tenente Blueberry assiste ao homicídio de duas mulheres da tribo apache assassinadas por três jovens brancos. As duas vítimas são a esposa e a filha de um guerreiro, Amertume: um duplo homicídio que põe em risco incendiar a região desencadeando uma nova guerra...

Uma narrativa de uma só vez fascinante e crepuscular, homenagem a esse western culto.

Encontraremos vocês em 29 de novembro de 2019!


Christophe Blain em via de realizar a capa sob o olhar atento de seu editor François Le Bescond.


Uma antevisão da capa do Tenente Blueberry...


Nova etapa antes dos retoques da capa...


E, enfim, eis a capa de “Lieutenant Blueberry” volume 1/2 a descobrir em livraria em 29 de novembro de 2019!




Lieutenant Blueberry : révélation de la couverture © Dargaud Éditeur 2019

Afrânio Braga


domingo, 1 de dezembro de 2019

Homenagem aos 30 anos do último voo de Jean-Michel Charlier

Jean Giraud, Jean-Michel Charlier e Peyo. (1)


Homenagem aos 30 anos do último voo de
Jean-Michel Charlier


Ele obteve a graduação em Licenciatura em Letras, o doutorado em Direito, o brevê de piloto de avião comercial e, sobretudo, a admiração de milhões de leitores, em todo o mundo, por seu ofício de contador de histórias.

Ele é o maior roteirista da história em quadrinhos franco-belga, em cuja ele foi o criador de diversas séries de sucesso como “Blueberry”, “Tanguy et Laverdure”, “Buck Danny”, “Barbe Rouge”, “La Patrouille des Castors”, “Marc Dacier” – obras literárias que encantaram e continuam a encantar gerações de amantes da 9ª arte.

Ele foi o criador da revista semanal “Pilote” juntamente com outros profissionais da história em quadrinhos da época, entre os quais François Clauteaux, René Goscinny e Albert Uderzo. Esse hebdomadário foi publicado de 1959 a 1989 (ano em cujo ele cavalgou para as pradarias celestiais).

Ele viu as aventuras dos pilotos Michel Tanguy e Ernest Laverdure serem mostradas na série televisiva francesa “Les Chevaliers du ciel” (ou “Les Aventures de Tanguy et Laverdure”, um dos títulos da bande dessinée – história em quadrinhos), a qual teve 39 episódios, de 1967 a 1970. Ele não viu o filme “Les Chevaliers du ciel” (“Sky Fighters”, título em inglês; “Os Cavaleiros do Ar”, título no Brasil), lançado em 2005, ser inspirado livremente nas histórias desses dois pilotos.

Ele também não viu a adaptação de dois episódios da série “Blueberry” – “La Mine de l’Allemandu perdu” e “Le Spectre aux balles d’or” (“A Mina do Alemão Perdido” e “O Espectro das Balas de Ouro”, díptico que compõe o ciclo do Ouro da Sierra) – para o cinema, em 2004, no filme “Blueberry, l’expérience secrète” (“Blueberry. Desejo de Vingança”, título no Brasil), de cujo o seu filho, Philippe, pediu para retirar o seu nome dos créditos por considerar que o roteiro da produção cinematográfica distorcera a sua obra literária; ficando, nos créditos, apenas o nome de Jean Giraud, o seu parceiro, por 26 anos, nessa famosa série western da literatura em quadrinhos.

Ele foi diretor de programas de televisão, nos quais ele realizava tudo – da filmagem à edição, da narração à mixagem – com o seu entusiasmo característico. Christine, a sua esposa, disse que ele estava uma dezena de anos adiante do desenrolar dos acontecimentos.

Ele nasceu em 30 de outubro de 1924, em Liège, Bélgica, e alçou o seu último voo em 10 de julho de 1989, em Paris, França, às vésperas dos fogos de artifício do 14 de julho. Quase um adeus em meio ao foguetório do feriado nacional francês, mas, certamente, em meio a perseguições, tiroteios, trens, aviões, embarcações, tramas, reviravoltas e muita aventura na arte sequencial de sua autoria.

Ele, um dos mais prolíficos roteiristas da história em quadrinhos, recebeu uma série de homenagens, do blogue Blueberry, por ocasião do 30º aniversário do seu falecimento. Nesta homenagem, é listada, em ordem de publicação, as postagens do blogue, com os respectivos links, que tratam, mais especificamente, sobre a vida e a obra do Alexandre Dumas da bande dessinée: JEAN-MICHEL CHARLIER.






























Jean-Michel Charlier, criador literário das séries “Blueberry”
e “La Jeunesse de Blueberry”, e François Corteggiani, atual
roteirista das histórias de Blueberry jovem, em 1983. (2)


N. A.: 1) Jean Giraud, Jean-Michel Charlier e Peyo, criador dos “Les Schtroumpfs” (“Os Smurfs”, no Brasil), na comemoração do 50º aniversário de Victor Hubinon, desenhista da série “Buck Danny”, em um restaurante próximo à casa do aniversariante, o Hostellerie Saint Roch, em Combain-la-Tour, Bélgica, em 1974 - fotografia de François Walthéry, criador de “Natacha”. 2) Jean-Michel Charlier e François Corteggiani – arquivo pessoal do atual roteirista de “La Jeunesse de Blueberry”.

© Os autores, os editores, e os seus herdeiros legais.

Afrânio Braga


«Eu me defino simplesmente como um contador de histórias! Existem contadores árabes de histórias, os contadores de histórias nos saraus, aqueles que fazem os estilos definidos e que alguém pagaria para contar as histórias que os povos ouvem religiosamente. É exatamente como isso que eu me considero...»

Jean-Michel Charlier em “Un réacteur sous la plume”.




sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Homenagem a Jean-Michel Charlier em “Spirou”

Homenagem a

Jean-Michel Charlier em “Spirou”



«Um de nossos pilotos não reentrou...»

Morte de um gigante


Página 2: Homenagem a Jean-Michel Charlier



OLÁ, AMIGO!


      Nessa segunda-feira, 10 de julho, a história em
      quadrinhos se encontrou órfã.
      Jean-Michel Charlier não está mais entre nós.
      E todos nós, em “Spirou”, nos sentimos tristes.



Jean-Michel Charlier era uma das mais brilhantes personalidades da História da história em quadrinhos. Doutor em Direito, piloto profissional, jornalista (um genuíno, à procura dos dossiês explosivos), aventureiro até as pontas das unhas, ele era, sobretudo, o roteirista prolífico de séries tornadas clássicas. “Buck Danny”, era ele. “La Patrouille des Castors” também. E “Lieutenant Blueberry”, “Les Chevaliers du ciel”, “Barbe- Rouge”, “Valhardi”, “Jacques Le Gall” e tantas outras que, todas, hoje, devem estar muito sozinhas em seu reino de papel.

Como estão enlutados os seus milhões de leitores e os numerosos amigos que ele tinha na profissão. Esse apaixonado, esse humorista, esse namorado da vida atraiu a estima e a


simpatia de todos aqueles que tiveram a sorte de conhecê-lo. Contador inesgotável, ele cativava pelas numerosas anedotas que ele colheu entorno do mundo. E passar algumas horas em sua companhia era sempre um maravilhoso prazer.

Foi em “Spirou” que ele começou a sua carreira excepcional. Ele acompanhou a história de nossa revista durante mais de trinta anos. Desde que nós soubemos da notícia, nós desejamos prestar-lhe uma homenagem, à qual se juntam todos os colaborados da revista e das Edições Dupuis. É em nome deles que nós queremos transmitir, à sua esposa e aos seus familiares, a nossa emoção e a nossa calorosa simpatia.

A Redação

VER   NOSSO   DOSSIÊ   NAS   PÁGINAS   CENTRAIS





J  E  A  N  –  M  I  C  H  E  L      C  H  A  R  L  I  E  R

UMA VIDA
DE PAIXÕES


Contar Jean-Michel Charlier?
Seriam necessários vários volumes para cercar uma carreira tão excepcional, uma vida tão rica.
Todas duas se desenrolaram, de uma ponta a outra, sob o signo das paixões. Paixão pela aviação, paixão pela aventura, paixão pelas histórias que ele contava, paixão pela vida em todas suas facetas. Como contar tudo isso sem esmorecer?
Deixemos antes falar as imagens.
Escutamos antes testemunhar seus amigos.





É então que tudo começa...

Como se torna roteirista? Desenhando... desde a infância, depois no colégio. E, enfim, na universidade.  E saltando de pés juntos sobre as ocasiões que se apresentam. Em “Libération”, um colaborador da revista “Spirou”, Georges Troisfontaine, procura um desenhista para animar suas rubricas. Jean-Michel Charlier, novato no domínio, corre o risco: propõe-lhe seus serviços. E ele é aceito. Durante vários anos, os leitores de “Spirou” puderam assim se iniciar no modelismo e na aviação graças aos seus desenhos.
É lá que ele encontra certo Hubinon, desenhista e retocador em um quotidiano. A quem o mesmo Troisfontaine propõe “realizar com ele uma epopeia desenhada, colocando em cena os pilotos americanos, então em todo brilho de uma glória sem nuvem” (1). Após algumas pranchas, o roteirista, em falta de inspiração, pede a Charlier para prosseguir essa história, em cuja o personagem principal é um oficial americano chamado... Buck Danny.
A sequência? Vocês a encontrarão nos quarenta e quatro álbuns da série e os quatorze milhões de exemplares vendidos (2).








Uma das numerosas crônicas de aviação ilustradas por Charlier após a Segunda Guerra Mundial. É igualmente ele que realiza os desenhos de todas as embarcações e de todos os aviões dos primeiros álbuns de “Bucky Danny”, Hubinon desenhando o resto dos quadrinhos.
“Para fazer face aos problemas de técnica aeronáutica que nos pôs nosso trabalho”, conta Charlier (1), “nós tivemos, Victor Hubinon e eu, que passar logo nos brevês de piloto de turismo. Nossas magras economias esgotadas, mas apreendidos pela paixão pelo voo, nós decidimos empurrar até ao brevê profissional. Os instrutores custam caro, nós somos, essencialmente, iniciados nas acrobacias aéreas graças a um velho manual da aviação militar belga de antes de 1939. Todo nosso treinamento foi pitoresco. Portanto, uma noite de junho de 1947, únicos de todos os candidatos a concorrer, nós fomos promovidos pilotos profissionais.”









J.-M. Charlier animava a revista “Spirou” através de curtas sequências de histórias em quadrinhos, às vezes relaxantes, mais frequentemente educativas. Ele assinava com um pseudônimo: Flettner.





Victor Hubinon: “Com Charlier, nós tivemos nosso primeiro acidente de avião em oito dias de intervalo. Na mesma época, em um mês de intervalo, nós somos casados e, o roteirista fazendo sempre o trabalho antes do desenhista, ele teve um filho quatro horas antes de mim.” (3)

(1) Uma das numerosas anedotas que conta Charlier nos prefácios da coleção “Tout Buck Danny”, Dupuis.
(2) Quarenta álbuns publicados na Éditions Dupuis, quatro na Éditions Novedi (o quarenta e cinco, desenhado por F. Bergèse, está em curso de elaboração).
(3) Depoimentos recolhidos por Isabelle Forestier e Jean Léturgie, “Les Cahiers de la BD” nº 35, Glénat, 1978.


  
















Doc.: Mitacq


Mitacq (“Jacques Le Gall”, “La Patrouille des Castors”)
“Como todos os bons roteiristas, ele era muito solicitado. Foi por isso que ele me telefonou, uma noite, o roteiro de uma prancha de “Jacques Le Gall” que eu desenhei na mesma noite. De manhã, eu chamei meu irmão e nós partimos à gráfica. Lá, eu coloquei a prancha em cores e meu irmão fez o letreiramento enquanto as máquinas giravam nos esperando.” (2)






O trabalho do roteirista
O roteiro, anotado, recortado e acompanhado de croquis da mão de Charlier, para a prancha 6 de “Passeport pour le Néant”, 21ª aventura de “La Patrouille des Castors” e o original desenhado por Mitacq.
















Goscinny e Charlier vistos Greg

Jidéhem (“Sophie”)
“Jijé encontrou um truque para atenuar a ausência de roteiro quando Charlier não seguia mais. Ele desenhava três ou quatro pranchas de “Tanguy et Laverdure” inventando ele mesmo o roteiro, depois ele telefonava a Charlier para lhe contar a sequência da história e ele terminava por: “Arranja-te para que a sequência do roteiro cole com aquilo que eu desenhei!” (2)





Mil e um roteiros





No início dos anos cinquenta, Charlier abandona a história em quadrinhos para tornar-se piloto de linha aérea na Sabena. Essa infidelidade não durará um ano. “Desapontado pelo lado “condutor de ônibus” da linha aérea, eu voltei ao jornalismo e à história em quadrinhos, sem cessar de pilotar. (1)”
Os roteiros vão se multiplicar. Citá-los todos ocuparia várias páginas. Ele cria as “Histories de l’Oncle Paul”, que farão amar a História a várias gerações de crianças. Ele conta as biografias de Surcouf, Stanley, Mermoz. Mas esses são seus roteiros de ficção que vão lhe permitir de conquistar definitivamente seu público. Com talentosos desenhistas, esses são verdadeiros clássicos que veem o dia. “Barbe-Rouge” (“Le Démon des Caraïbes”), “Tanguy et Laverdure” (“Les Chevaliers du Ciel”), “Marc Dacier”,



“Jacques Le Gall”, “La Patrouille des Castors”, “Blueberry”, mais alguns episódios de “Valhardi”, “Dan Cooper”, e muitos outros heróis que portam sua marca.
Os roteiros de Jean-Michel Charlier são exemplares. Uma documentação sólida serve de base inabalável às narrativas estofadas a estalar de humor e de reviravoltas. A intriga, particularmente eficaz, mantendo o leitor sem fôlego, de semana em semana, graças a um suspense ao fim de cada página. Seus personagens, bem tipificados têm uma personalidade coerente até em sua menor reação.
Charlier sabia contar uma história. Ele o fazia com talento. É a única razão pela qual milhões de leitores leem suas aventuras depois de tanto tempo. É o grande segredo de seu sucesso.









Goscinny e Charlier vistos Greg

© Dargaud


Morris (“Lucky Luke”)
“Para evitar ser energicamente repreendido por seus editores por causa dos atrasos, ele inventava desculpas complicadas bem como incríveis. Entre as mais esfarrapadas, um dia ele enviou uma carta para explicar que seu roteiro não seria entregue a tempo porque a janela de seu escritório ficara aberta e que uma turbulenta rajada de vento levou todas as folhas. Outra vez, ele estava em um táxi: com pressa para postar uma correspondência, ele saiu do veículo, para se engolfar em uma agência dos correios, deixando o roteiro sobre o banco!
Em me pergunto se ele empregava tanto a imaginação para encontrar as desculpas quanto para escrever suas séries.” (2)



Raríssimo!
Os documentos de trabalho anexados por Charlier ao roteiro de “Secret des Templiers” para Mitacq. Os croquis dão da mão do roteirista.





(1) Depoimentos colhidos por T. Martens em 1966.
(2) Depoimentos colhidos por L. Helen.






















Mitacq
           “Logo no início de “Buck Danny”, quando Charlier desenhava as embarcações e os aviões, ele era obrigado a fazê-lo após seu trabalho, muito tarde da noite. Fora de questão, além do minuto, de ir procurar uma garrafa de nanquim. Ele utilizava, portanto, às escondidas, aquela de Hubinon.
           Quando Hubinon percebeu, ele decidiu emboscar seu amigo. E, na mesma noite, a garrafa de nanquim continha tinta para imprimir sobre tecido.
            No dia seguinte, Charlier se inquietava pelo estado de saúde de seus pincéis, transformados em espanadores...” (3)



AS AVENTURAS DE CHARLIER,
GRANDE REPÓRTER

           Em paralelo a seus prestigiados roteiros de histórias em quadrinhos, Jean-Michel Charlier enceta uma carreira na televisão. É a adaptação de “Les Chevaliers du Ciel” que é o seu clique.
            Ele vai se revelar também corajoso como os seus personagens de papel que ele animava, ameaçando a investigação sobre os assuntos perturbadores da atualidade. Isso serão “Les Dossiers Noirs”. “Quando alguém se encontra face ao assassino de Martin Luther King, ao chefe do FBI ou à secretária de Adolf Hitler, alguém prova o fantástico sentimento de viver levado direto sobre a história de nosso tempo, de compartilhá-la intensamente” (1).
         Recentemente, as emissões “Services Secrets” demonstram aquilo que já se percebeu nas suas narrativas de aventura: “que existe duas histórias dos acontecimentos, aquela oficial contada ao público e a verdadeira, que não tem, frequentemente, nada em comum com a versão oficial (2).”
            Assuntos tão quentes que vão, algumas vezes, lhe custar ameaças provenientes dos verdadeiros assassinos.
           “Isso me parece apaixonante, de abrir os olhos das pessoas sobre coisas que elas ignoram. Ocorre-me descobrir coisas e ter necessidade de explicá-las, de compartilhá-las, mas eu não tenho nenhuma mensagem a emitir.” (2)
            A vida de Jean-Michel Charlier é a ficção que juntou a realidade.





Franquin (“Gaston Lagaffe”)
              “Eu admiro o modo cujo ele se documentava. Seus dossiês eram de tal maneira completos que um dia, a polícia desembarcou na redação. Os policiais queriam saber quem forneceu aos autores de “Buck Danny” os planos de um avião “top secret”. De fato, Charlier se inspirou no modelo em serviço na aviação americana e o desenvolveu a partir de sua imaginação. Ele chegou assim ao mesmo resultado que os engenheiros americanos! Isso valeu a Charlier e Hubinon de se fazer cozinhar durante algumas horas.
            Todo mundo esquece também que Charlier é um grande repórter, ele investiga sobre o assassinato do Presidente Kennedy, sobre a história do petróleo... assuntos nada fáceis. Um dia, nos Estados Unidos, “alguém” lhe disse que sobre Kennedy, “ir mais longe seria perigoso.”
            Ele era um aventureiro vinte e quatro horas sobre vinte e quatro: no trabalho, na sua casa ou no restaurante, ele contava, sem cessar, as histórias.
            Charlier era um cara muito caloroso, que eu não vi assaz frequentemente. Ele era um amigo de qualidade.” (3)














Sirius (“Timour”,...)
           “Charlier tinha um “look descontraído” bem antes que isso tenha entrado nos costumes.
           Ele desembarca, um dia, em camisa leve e sem gravata, no aeroporto de Ankara, Turquia, onde um militar devia acolhê-lo. Ele o vê, sob um cartaz: “Welcome, Mr. Charlier”.
           Ele se dirige rumo ao cara e se apresenta: “I am Mr. Charlier”. Cólera do militar que, em inglês, pede a esse zazou mal vestido ir se vê em outro lugar.
           Sempre relaxado, Charlier insiste: “I am J. M. Charlier”. O militar irascível, injuria esse irritante, o ameaça de um passeio à delegacia...
            Esse é o momento, onde Charlier mostrou-lhe seus papéis, que ele compreendeu que um VIP podia viajar sem gravata.” (3)


Roba (“Boule et Bill”)
           “Eu passei tantos bons momentos em companhia de Charlier...






assinava, assinava, assinava.
           E entre duas assinaturas, eu vi meu Jean-Michel que rabiscava algo ao lado. Adivinhem o quê! Ele fazia roteiro!!!
            É um contador extraordinário e um homem charmoso. Ele mantinha seu auditório sem fôlego. Um dia, no restaurante, todo mundo parou de comer para escutá-lo contar uma história. E nós degustamos um excelente chucrute... morno.” (3)















           Eu me lembro de uma cena que demonstra sua potência de trabalho fenomenal. Nós estávamos em Paris, quando de uma gigantesca sessão de dedicatórias na loja Spirou. Toda a equipe reunida






(1) Conforme uma entrevista realizada por Jean Léturgie e Henri Filippini, Les Cahiers de la BD, Glénat, 1978.
(2) Extrato do ‘dossier de presse’ de “Services secrets”.
(3) Depoimentos colhidos por L. Helen.



Homenagem a Jean-Michel Charlier em “Spirou Magaziiiine” nº 2677, de 2 de agosto de 1989, edição da revista semanal publicada, pela editora Dupuis, logo em seguida ao falecimento, do roteirista, ocorrido em 10 de julho de 1989.

Spirou Magaziiiine © Dupuis 1989

Imagens: Jean-Yves Brouard.

Afrânio Braga