sexta-feira, 2 de abril de 2021

“A Juventude de Blueberry” em “Revista do Clube Tex Portugal” nº 12

A JUVENTUDE DE BLUEBERRY

Rui Cunha

Quando uma personagem de banda desenhada (BD) nasce pelas mãos do(s) seu(s) criador(es) e começa a obter sucesso, mais tarde ou mais cedo parece ser regra a criação de um ou mais álbuns, ou mesmo de uma série, que conte a sua origem ou a sua juventude, até para que se entendam melhor determinados comportamentos e/ou atitudes presentes em determinada(s) aventura(s), quando surge alguém que se cruzou com o herói algures no seu passado. Foi assim com Thorgal (de Jean Van Hamme e Grzegorz Rosiñski, 1977) ou com o “nosso” Tex Willer (de Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, 1948), só para citar alguns exemplos conhecidos, mas também com Blueberry (de Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, 1963), como vamos ver em seguida.

      
            Jean-Michel Charlier                                           Jean Giraud

Foi ainda numa fase inicial de Blueberry (1968) que Charlier e Giraud começaram a pensar na possibilidade de criar uma série paralela à principal, que na altura já contava com quatro álbuns publicados, onde se explicariam as primeiras aventuras de Michael Steven Donovan (antes de se tornar Mike S. Blueberry) na sua juventude durante a Guerra de Secessão, enquanto racista, filho de um plantador rico do sul dos Estados Unidos, e as suas aventuras antes de se tornar corneteiro no exército nortista. O material escrito e desenhado para esta nova série, prevista para três álbuns, começou a ser publicado entre 1968 e 1970 na revista de bolso “Super Pocket Pilote”, num total de 9 histórias curtas de 16 páginas cada, oito das quais constituíam um episódio isolado situado durante a Guerra de Secessão. A primeira dessas histórias intitulava-se “Tonnerre sur la Sierra”, isolada do resto da série, e cuja ação decorria após a guerra e antes dos acontecimentos narrados em “La Mine de l’allemand perdu” (“A Mina do Alemão Perdido”, 1972).  Excetuando a já referida primeira história curta e também a última, “Double Jeu”, todas as outras foram desenhadas e publicadas a preto e branco.



Tanto Charlier como Giraud não estavam interessados em ter muita concorrência de outras personagens da revista “Pilote” e queriam manter o estilo que caracterizava as primeiras aventuras de Blueberry: episódios que transitavam de um número para o seguinte. No entanto, o editor da revista preferia histórias completas e informou os dois autores que a sua personagem estava a irritar seriamente os leitores, criando dúvidas que ameaçavam o bom andamento da personagem. Questões relativas ao nariz partido de Blueberry; a sua continuidade no exército, quando era mais que óbvio que não possuía qualidades para tal, com exceção, claro, da sua bravura amplamente demonstrada na Guerra de Secessão. Mas, principalmente, a razão do seu nome (Blueberry) ser o mesmo de um fruto. Definitivamente, Blueberry (mirtilo, em português) não era nome para um herói do Oeste e alterá-lo estava fora de questão, pois já tinham sido publicadas várias histórias.

Existe, no entanto, uma referência ao passado de Blueberry na primeira aventura “Forte Navajo”, quando ele se apresenta ao Coronel Dickinson, comandante do forte. Foi então que Charlier teve a ideia de criar um passado do herói, através das histórias que lhes tinham sido encomendadas pela “Super Pocket Pilote” e, assim, satisfazer a curiosidade dos leitores. Apresentou a ideia a Giraud, que ficou entusiasmado e começou imediatamente a trabalhar naquela que seria a primeira aventura da série, batizada como “La Jeunesse de Blueberry”. O argumento era muito semelhante ao das aventuras da série principal, só que numa dimensão mais pequena e, para aguçar a curiosidade dos leitores, Charlier decidiu situá-la na Guerra de Secessão. Segundo Charlier e Giraud, as aventuras da juventude de Blueberry decorreriam entre 1861 e 1864, ou seja, no período em que decorre a Guerra de Secessão Americana. Ainda em 1974, no álbum “Ballade pour un Cercueil” (“Balada para um Caixão”), Charlier introduziu um dossier de 16 páginas onde apresentou uma biografia ficcionada de Mike Steve Donovan, aliás Mike S. Blueberry, detalhando a sua vida desde o seu nascimento (ocorrido em 1843) até à sua morte, aos 90 anos, em 1933. Escrito sob um ponto de vista histórico, num estilo jornalístico (que Giraud voltaria a utilizar nos álbuns finais da série, quando Blueberry narra os seus feitos a um jornalista), com fotografias encontradas em arquivos americanos, quando Charlier andou a viajar pelo Oeste, o dossier oferecia ao leitor uma pequena ideia do que foi a juventude de Blueberry antes de se tornar conhecido no Oeste e na banda desenhada. Mesmo rompendo com a tradicional barreira das 48 páginas dos álbuns franceses, Charlier e Giraud achavam que tinha chegado o momento e era importante publicar o dossier sobre a nova série que estava na forja, pelo que “Ballade pour un Cercueil” tornou-se no primeiro álbum franco-belga a ultrapassar a referida barreira.


“Ballade pour un cercueil”


“La Jeunesse de Blueberry”


O primeiro álbum da nova série foi editado em 1975, “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”), com o mesmo título da série, e incluía três histórias curtas “Le Secret de Blueberry”, “Le Pont de Chattanooga” e “3000 Mustangs”, que tiveram que ser redesenhadas, reorganizadas e recoloridas, para se adaptarem ao formato de álbum. Este trabalho não foi do agrado de Jean Giraud, pois o seu “design” gráfico (principalmente na história “3000 Mustangs”), nomeadamente a paginação, foi todo alterado. Na primeira história, “Blueberry’s Secret”, Mike S. Donovan é acusado do assassinato de Tucker, um plantador sulista. Sem poder provar a sua inocência ou defender-se, Mike vê-se obrigado a fugir e andar a monte vários dias e, depois de várias peripécias, e quase a ser capturado por um grupo de pistoleiros, acaba por ser salvo por uma patrulha nortista que o incentiva a alistar-se, porque a guerra estava a começar. Mike começa por recusar, pois não quer lutar contra os seus, mas acaba por aceitar ser clarim de regimento e, ao ver umas manchas azuis de um fruto perto de si, identifica-se como Mike Steve Blueberry. Em “Le Pont de Chattanooga”, Blueberry, agora um jovem clarim, ainda enfrenta alguma adversidade por parte de elementos do seu regimento devido à sua origem sulista, mas consegue superar esses problemas, voluntariando-se para destruir a ponte de Chattanooga, vital para a passagem do comboio de abastecimentos do exército de Lee, general sulista e o grande comandante dos Confederados. Em “3000 Mustangs”, os homens do regimento de Blueberry têm a missão de encontrar uma parte do exército de Lee, que se prepara para invadir e conquistar a capital Washington. Sempre um passo atrás dos Confederados, os cerca de 50 soldados unionistas quase perdem a esperança de localizar os mais de 3000 homens de Lee, mas o instinto do jovem Blueberry acaba por levar a melhor e encontrar os soldados sulistas, não sem que, pelo meio, o jovem sulista tornado nortista, encontre alguém conhecido.



Blueberry jovem


“Un Yankee nommé Blueberry”

Satisfeita a curiosidade dos leitores quanto às origens de Blueberry, Charlier e Giraud puderam então regressar à série principal. Mas a recepção à nova série foi muito positiva e os leitores continuavam a querer mais aventuras, acabando os autores por satisfazer a vontade do público, apesar do editor não ter planeado dar continuidade a esta série. Assim, “Un Yankee nommé Blueberry” (“Um Ianque chamado Blueberry”) chegava às livrarias em 1978, com mais três histórias (“Chevauchée vers la mort”, “Private M. S. Blueberry” e “Chasse à L’homme”), as quais, tal como as do primeiro álbum, tinham sido publicadas na “Super Pocket Pilote” e foram alvo, também, das mesmas adaptações para o formato álbum. Na primeira história, Blueberry é capturado pelos sulistas e reencontra Norton, um seu velho inimigo. Condenado à morte, Blueberry consegue escapar com a ajuda de um outro soldado a quem falou de um suposto tesouro escondido nas suas terras e ambos rumam ao sul. O quê os aguarda, porém, é algo diferente. Em “Private M. S.Blueberry”, depois de ter novamente fugido, Blueberry chega às linhas nortistas, onde é preso por traição e condenado a ser executado por fuzilamento. Salvo no último instante, Blueberry é levado para a retaguarda do exército da união, para ser julgado em tribunal militar, mas é novamente capturado pelos sulistas, cujo comandante o nomeia correio. Ao saber que os sulistas são apoiados por um comboio carregado de mantimentos e munições destinado ao exército, que prepara uma ofensiva contra o Norte, Blueberry decide destrui-lo e, assim, impedir o avanço. Na última história, “Chasse à L’homme”, apesar de ter destruído o comboio e ficado ferido, Blueberry continua a ser considerado um traidor e espião ao serviço do Sul. No entanto, um encontro com alguém do seu passado, vai impedir que venha a ser julgado.

Em 1979, “Cavalier Bleu”, o terceiro volume da série, foi editado para grande satisfação do público, que contém as histórias “Double Jeu” e “Tonnerre sur la Sierra”. Na primeira, Blueberry, agora cabo, recebe a missão de escoltar o general nortista Dodge, que tinha sido feito prisioneiro, até ao quartel general das forças sulistas. Antipatizando um com o outro, os dois envolvem-se numa luta, durante a qual Blueberry fica com o nariz partido. Mais tarde, já no barco que os transporta, ambos planejam uma fuga de modo a conseguirem chegar ao sector nortista e entre os dois surge algum respeito. Na segunda história, Blueberry, agora colocado num forte, é incumbido de deter os irmãos Dawson, um bando de cowboys que anda a saquear a região. Durante a sua missão, Blueberry é surpreendido por uma tempestade na serra e tem que se recolher numa cordilheira próxima, onde três homens, sem qualquer razão aparente, o querem matar.


“Cavalier bleu”


“Cavalier bleu”, prancha 2

Com a edição destes três álbuns, no entender de Charlier e Giraud ficava concluída a série dedicada à juventude de Blueberry (que seria posteriormente conhecida como “O Ciclo Traidor do Sul” e seria agora possível regressar à série principal. Giraud aproveitou então para se afastar da personagem do jovem Blueberry, pois queria explorar e desenvolver a sua outra faceta mais fantástica, através do pseudónimo “Moebius”, com o qual criou, entre muitas, a série “Incal”, que revolucionou a banda desenhada franco-belga dos anos 80. Por seu lado, Charlier continuou a trabalhar nas suas outras séries, incluindo na série principal de Blueberry, mas passariam cerca de seis anos até que regressasse às aventuras que narram a juventude do herói. Com Giraud impossibilitado de regressar, devido aos seus compromissos como Moebius para a série “Incal”, Charlier teve de procurar um novo artista para desenhar um novo álbum para a Juventude de Blueberry, surgindo o neo-zelandês Colin Wilson, recomendado pelo próprio Giraud, que conhecia a sua obra, e que será o desenhador dos álbuns seguintes da série.


Colin Wilson


Blueberry de Colin Wilson


O primeiro, “Les Démons du Missouri” (“Os Demónios do Missouri”), foi editado em 1985 e dá início a um novo ciclo chamado “O Ciclo Quantrill”, que compreenderá dois álbuns. Blueberry comanda uma companhia de soldados que, durante uma patrulha na fronteira entre o Kansas e o Missouri, é atacada por um grupo de rebeldes. Depois de saber que quem levou a cabo o ataque foi William Quantrill, um fora-da-lei sulista que comanda cerca de 400 homens do Missouri, Blueberry é incumbido de o encontrar e matar, acabando por se cruzar com os “Jayhawkers” (desertores do exército sulista) do ex-senador do Kansas, Jim Lane, que também quer encontrar e destruir Quantrill. O segundo álbum deste ciclo, “Terreur sur le Kansas” (“Terror no Kansas”), publicado em 1987, conclui esta aventura. Quantrill e os seus homens, depois de terem sido encurralados numa mina pelos “Jayhawkers” de Jim Lane, conseguem escapar e voltam a atacar no Kansas. Lane parte de novo à sua procura, acompanhado por Blueberry, que tinha sido enviado pelo coronel Totten, comandante do forte Scott. No entanto, Blueberry fica preocupado quando toma conhecimento que Jim Lane pretende aprisionar os familares de Quantrill e dos seus capitães. Quando a tentativa de salvamento levada a cabo por Quantrill corre mal, causando a morte a inúmeros inocentes, Blueberry é feito prisioneiro, dado como culpado e condenado à morte. Mas será salvo por alguém inesperado.

Antes de entrar numa nova década, a série “Blueberry” iria sofrer um duro golpe, com a morte de Jean-Michel Charlier em julho de 1989, temendo-se, então, o pior para as séries, o que não viria a acontecer. O seu filho, Philippe Charlier, autorizou a continuação das aventuras do tenente, tanto na série principal, como na juventude. No entanto, quer o editor Dargaud, quer Philippe Charlier, achavam que Colin Wilson não tinha capacidade suficiente para passar a escrever a série. Antes de morrer, Jean-Michel Charlier deixara escrito parte de um argumento para uma nova aventura da juventude, por isso, a solução seria encontrar alguém que a terminasse. Depois de alguma procura, Wilson sugeriu o nome de François Corteggiani, que já tinha provas dadas em algumas séries e era um confesso admirador de Charlier.


François Corteggiani

“Le Raid Infernal” (“O Raide Infernal”) foi editado em 1990 e dá início a um novo ciclo, “O Ciclo Caminho-de-Ferro”, que compreenderá dois álbuns, o segundo dos quais, “La Poursuite Impitoyable” (“A Perseguição Implacável”), publicado em 1992, já será escrito integralmente por Corteggiani. Apoiados por um depósito de armas e munições situado atrás das sua linhas, os sulistas concentram uma grande parte do seu exército ao longo da linha ferroviária que liga Atlanta a Nashville. Blueberry voluntaria-se para destruir o depósito, com a ajuda de um grupo de prisioneiros, condenados à morte, de modo a conceder-lhes uma oportunidade de redenção (inspirado no filme “Os 12 Indomáveis Patifes”, que Robert Aldrich realizou em 1967). Depois da missão cumprida, o grupo cai numa armadilha dos sulistas e Blueberry é capturado. Já no campo de prisioneiros para onde foi transferido, o tenente consegue escapar, com o objetivo de sequestrar o comboio do general sulista, Landbetter e assim regressar ao Norte. Mas nem tudo vai correr pelo melhor.


“Le raid infernal” reedição, 2003


“Le raid infernal”, prancha 1


“Trois hommes pour Atlanta”


“Trois hommes pour Atlanta”, prancha 1


“Trois hommes pour Atlanta”, prancha 2


Em 1993, “Trois Hommes pour Atlanta” (“Três Homens para Atlanta”) deu início ao “Ciclo Atlanta”, constituído novamente por dois álbuns, sendo o segundo, “Le Prix du Sang” lançado em 1994. A ação decorre em Atlanta, na Geórgia, quando Blueberry liberta Homer, um soldado nortista negro, que estava para ser enforcado por ladrões. O general nortista Sherman quer conquistar Atlanta e Blueberry, juntamente com Homer e o Sargento Grayson, voluntaria-se para uma missão de reconhecimento das defesas da cidade, acabando por se cruzar com um velho conhecido dos tempos em que ainda vivia no Sul.  Cumprida a sua missão em Atlanta, Blueberry, Homer e o Sargento Grayson, descobrem, por acaso, um armazém de víveres para o exército sulista, escondido numa quinta nos arredores da cidade, e os três vão tentar destruir o armazém.

Livre dos seus compromissos como “Moebius”, Jean Giraud regressa em 1990 à série principal de Blueberry, para desenhar e completar o argumento de “Arizona Love”, deixado incompleto com a morte de Jean-Michel Charlier. Giraud, que tinha acompanhado o trabalho desenvolvido pela outra equipa na Juventude e entendia que a série estava bem entregue, não se mostrou interessado em voltar a desenhar a mesma. A sua atenção estava voltada para a série principal. Mas um novo golpe aguardava a série “A Juventude de Blueberry”.

Colin Wilson quis sair para se dedicar a outros projetos e sem Giraud para lhe dar continuidade, começou nova procura por outro desenhador para a série. Desta vez, de novo a conselho de Giraud, a escolha recaiu no francês Michel Blanc-Dumont, especialista em westerns e conhecido pela série “Jonathan Cartland”. O novo álbum, “La Solution Pinkerton”, editado em 1998 e já da autoria da nova dupla, foi o primeiro do “Ciclo das Conspirações”, um dos mais longos, constituído ainda por “La piste des maudits” (2000), “Dernier train pour Washington” (2001) e “Il faut tuer Lincoln” (2003).

Em 2005, “Le Boucher de Cincinatti” dá início a um novo ciclo, “Ciclo Conspirações II”, que, desta vez ao contrário do ciclo anterior, seria apenas constituído por dois volumes, sendo o segundo, “La Sirène de Veracruz”, editado no ano seguinte.

Em 2007, Jean Giraud escreve e desenha o álbum “Apaches” para a série principal de Blueberry. Este álbum seria especial, não só porque no final do livro há um regresso ao principio da história e a “Forte Navajo”, como também serviu para unir ambas as séries, de modo a que se possa entender a vida aventurosa de Mike S. Blueberry, independentemente de se começar a leitura pela série principal ou pela Juventude.


Michel Blanc-Dumont

Nesse mesmo ano, Corteggiani e Blanc-Dumont iniciam um novo ciclo da Juventude, o “Ciclo Rothschildien”, constituído por “100 dollars pour mourir” e “Le Sentier de Larmes”, editado em 2008. Este ciclo deve o seu nome ao Banco Rothschild (uma espécie de Fundo Monetário Internacional do século XIX) e ao facto de Blueberry ir no encalço dos raptores de um empregado deste banco, o Diretor de Projetos, que é o único que sabe a combinação de um cofre carregado de ouro que vem num comboio.

Jean Giraud tinha planos para desenhar um novo álbum a seguir a “Apaches” e que iniciaria um novo ciclo intitulado “Blueberry 1900”, composto por quatro ou cinco volumes, protagonizado por Blueberry, com 57 anos, e o seu filho, já adulto, e os acontecimentos andariam em redor do assassinato do presidente William McKinley em 1901. No entanto, a morte de Giraud, ocorrida em 2012, cancelou o projeto definitivamente.

Mas a série da Juventude iria continuar para além da morte dos seus criadores. Em 2009, Corteggiani e Blanc-Dumont lançam novo álbum, “1276 Âmes” que iniciava mais um ciclo, o último até ao momento, chamado “Ciclo Redenção”, formado ainda por mais três álbuns: “Rédemption”, em 2010; “Gettysburg”, em 2012 e “Le Convoi des Bannis”, em 2015. Blueberry é incumbido por Allan Pinkerton, chefe dos serviços secretos de Washington, de uma nova missão pelo general Sherman: a sobrinha do general Sheridan, foi raptada da instituição batista onde se encontrava a estudar, pelo pregador Jim Thompson e os seus homens, que querem vingar-se do massacre civil ocorrido no vale de Shenandoah, na Vírginia, onde morreram cerca de 1276 civis (daí o título do álbum), levado a cabo pelas tropas nortistas. Como resgate, é exigida a rendição das tropas nortistas e a renúncia de Abraham Lincoln ao cargo de presidente dos Estados Unidos. Blueberry parte para a missão sem saber que vai direitinho para uma armadilha.

Finalmente, depois de um longo interregno, com a autorização dos herdeiros de Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, surge em 2019 “Amertume Apache”, uma nova aventura do Tenente Blueberry da autoria da dupla Joann Sfar e Christophe Blain.

Uma última nota pessoal: será que Blueberry, na sua juventude, terá o privilégio de alguma vez de cruzar com o jovem Tex Willer algures nas grandes pradarias do Oeste?


Blueberry de Colin Wilson


Blueberry de Michel Blanc-Dumont



Blueberry de Michel Blanc-Dumont


Blueberry de Michel Blanc-Dumont

© 2020 Clube Tex Portugal

Agradecimentos ao Clube Tex Portugal e a Rui Cunha pela gentil permissão para publicar o artigo “A Juventude de Blueberry” no blogue Blueberry.

Afrânio Braga

domingo, 14 de março de 2021

Blueberry e Tex por Walter Venturi


 

BLUEBERRY E TEX POR

 

 

 

 

WALTER VENTURI

 

 

 

 

 


Walter Venturi

Nato a Roma il 6 gennaio 1969, dal '94 autoproduce 12 albi di del suo personaggio "Capitan Italia", per dedicarsi successivamente alla mini serie di genere horror "Lost Kidz", scritta da Roberto Recchioni e colorata da sua moglie Tiziana "MadCow", autoprodotta dal gruppo Factory.

In seguito, collabora con Eura Editoriale realizzando numerose storie libere e miniserie apparse su Skorpio e Lanciostory, oltre a entrare a far parte dello staff di "John Doe" e "Detective Dante", entrambe serie ideate dal duo Lorenzo Bartoli & Roberto Recchioni.

Per Disney realizza le matite del n.7 della serie "Kylion" e, per le Edizioni BD, una storia breve di "Brad Barron" apparsa sul libro "Anatomia di un eroe", anticipando così l'uscita del n.16 di "Brad Barron" che segna l'inizio della sua collaborazione con Sergio Bonelli Editore.

Dopo aver lavorato anche su "Demian", realizza il primo albo del Color Zagor (agosto 2013) e debutta come autore completo con "Il grande Belzoni", Romanzo a Fumetti in uscita a ottobre 2013.

Disegnatore, ha realizzato Tex nn.: Color Tex 10, Tex Magazine 2.



Walter Venturi e “Il grande Belzoni” na mostra sobre
Giovanni Battista Belzoni em Padova, Itália, 2020.

Walter Venturi
 
Nascido em Roma, Itália, em 6 de janeiro de 1969, desde 1994 autoproduz 12 álbuns de seu personagem “Capitan Italia”, para dedicar-se sucessivamente às minisséries de gênero horror “Lost Kidz”, escrita por Roberto Recchioni e colorida por sua esposa Tiziana “MadCow”, autoproduzida pelo grupo Factory.

Em seguida, ele colabora com a editora Eura Editoriale realizando numerosas histórias livres e minisséries surgidas em “Skorpio” e “Lanciostory”, além de entrar a fazer parte do staff de “John Doe” e “Detective Dante”, ambas as séries idealizadas pela dupla Lorenzo Bartoli & Roberto Recchioni.

Para a Disney ele realiza os desenhos a lápis do nº 7 da série “Kylion” e, para a editora Edizioni BD, uma história breve de “Brad Barron” surgida no livro “Anatomia di un eroe”, antecipando assim a saída do nº 16 de “Brad Barron” que assinala o início da sua colaboração com a editora Sergio Bonelli Editore.

Após haver trabalhado também em “Demian”, ele realiza o primeiro álbum do “Color Zagor” (agosto de 2013) e ele debuta como autor completo com “Il grande Belzoni”, “Romanzo a Fumetti” saído em outubro de 2013.

Desenhista, ele realizou “Tex” números: “Color Tex” 10 (novembro de 2016), “Tex Magazine” 2 (janeiro de 2017).


Fontes: Imagens: Walter Venturi. Biografia e bibliografia texiana: Sergio Bonelli Editore, Milano, Italia.
 
A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud
Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud – Dargaud Éditeur
O personagem Tex foi criado por Giovanni Luigi Bonelli e realizado graficamente por Aurelio Galleppini.
Tex © Sergio Bonelli Editore

Blueberry, il fratello francese di Tex.
Blueberry, o irmão francês de Tex.
Sergio Bonelli
Editor e roteirista

Io ringrazio a Walter Venturi il disegno di Blueberry e Tex, il Tenente ed il Ranger più amati del West, per il blog Blueberry.
Eu agradeço a Walter Venturi pelo desenho de Blueberry e Tex, o Tenente e o Ranger mais amados do Oeste, para o blogue Blueberry.

Afrânio Braga

terça-feira, 2 de março de 2021

Blueberry em “Ken Parker” nº 15

 

Capa da edição brasileira da editora Tapejara.

Blueberry em

“Ken Parker” nº 15


Capa da edição italiana da editora CEPIM.

Uomini, bestie ed eroi


Argumento e roteiro: Giancarlo Berardi

Capa e desenhos: Ivo Milazzo

Data de lançamento: setembro de 1978

Pranchas: 96 1, 2, 3, 4, 5, 6


N. C.:

1 Edição em preto e branco;

2 Formato: 16,0x20,8 cm;

3 Língua: italiano;

4 Editora: Casa Editrice Periodici Italiani Milano - CEPIM, atual Sergio Bonelli Editore;

5 Local: Milano, Itália;

6 Títulos da história no Brasil: “Homens, Feras e Heróis”, Editora Vecchi, janeiro de 1980, em uma tradução equivocada para “bestie” que se relacionava ao gado bovino; “Homens, Animais e Heróis”, Editora Tapejara, 2002.

 

 

Em duas palavras...


Ken Parker e Pat O’Shane se metem à procura de alguns cowboys para conduzir uma manada de gado bovino de Dodge City ao rancho da pequena irlandesa em Sioux Falls...



Notas e citações

A história se desenrola entre o fim do verão e o início do outono de 1874.

A procura, da parte de Ken Parker, de homens para engajar como vaqueiros se torna um pretexto para fazer desfilar diante ao leitor um grande número de personagens da história em quadrinhos western, seja italiana como estrangeira, das origens aos anos 1970.

Em uma reelaboração à metade dentre a respeitosa homenagem, da parte de Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo, nos confrontos dos autores que os precederam e a tomada em volta de histórias em quadrinhos bem diversa daquela representada por Ken Parker se vê assim transitar no Heroe’s rest saloon (o saloon “O Repouso do Herói”) Kit Carson7 (página 11, vinheta 3) de Rino Albertarelli, Cisco Kid e Pancho (11/5) de Salinas8, Pecos Bill (12/2) de Guido Martina9, o Sergent Kirk (13/1) de Hugo Pratt10Sunday e Mortimer (18/2) de Victor de la Fuente11Tex e os seus pards (18/5), protagonistas de uma divertidíssima gag em cuja são retomadas algumas tormentas da série de Bonelli pai e Galleppini12, Cocco Bill (reconhecível pela espinha de peixe e o salame que tem no prato) de di Jacovitti e Rick O'Shay (19/1) de Linde13Rocky Rider14Comanche (20/2) de Hermann15Randall (23/2) de Del Castillo16, os heróis rapazinhos Capitan Miki17, Tim Carter (“Un ragazzo nel Far West”)18, Kit Teller (“Il piccolo Ranger”)19 e Kit Hodgkin (“Il piccolo Sceriffo”)20 (23/4), Zagor21 (24/1) e Larry Yuma22 (24/4). Em seguida, Ken Parker encontrará também Lucky Luke23 (35/3), Bill Adams, um dos protagonistas da bonelliana “Storia del West”24 de Gino D’Antonio, e Matt Dillon25 (56/3) e Blueberry26 (84/5). No saloon, além disso, está o próprio Giancarlo Berardi (4/3) a fazer o cicerone a Ken Parker; ao término do desfile de heróis comparecem, enfim, Ivo Milazzo (28/4), Sergio Bonelli27 (com os insólitos bigodões) e Decio Canzio28 (29/3).29

Fonte: Francesco Manetti em UBC Fumetti, Italia.

N. C.:

7 Personagem inspirado no verdadeiro Kit Carson;
8 Cisco Kid e Pancho de Rod Reed e José Luis Salinas;
9 Pecos Bill de Guido Martina e Raffaele Paparella;
10 Sergent Kirk de Héctor Oesterheld e Hugo Pratt;
11 Sunday de Victor Mora e Victor de la Fuente. Mortimer de Victor de la Fuente;
12 Tex de Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini;
13 Rick O’Shay de Stan Lynde;
14 Rocky Rider de Luigi Grecchi e Mario Uggeri;
15 Red Dust, de “Comanche”, de Greg e Hermann;
16 Randall de Héctor Oesterheld e Arturo Del Castillo;
17 Capitan Miki de EsseGesse;
18 “Un ragazzo nel Far West” de Guido Nolitta e Franco Bignotti. “Um Rapaz no Faroeste”, título no Brasil;
19 “Il piccolo Ranger” de Andrea Lavezzolo e Francesco Gamba. “O Pequeno Ranger”, título no Brasil;
20 “Il piccolo Sceriffo” de Tristano Torelli e Camillo Zuffi. “O Pequeno Sheriff”, título no Brasil;
21 Zagor de Guido Nolitta e Gallieno Ferri;
22 Larry Yuma de Claudio Nizzi e Carlo Boscarato;
23 Lucky Luke de Morris;
24 “Storia del West” – “Epopéia Tri” e “A História do Oeste”, títulos no Brasil;
25 Matt Dillon, delegado de “Gunsmoke”, de Harry Bishop;
26 Blueberry de Jean-Michel Charlier e Jean Giraud;
27 Sergio Bonelli, editor e roteirista (com o pseudônimo Guido Nolitta);
28 Decio Canzio, diretor geral da editora CEPIM;
29 Personagem não relacionado no artigo da UBC Fumetti: Black Bill, de “I fratelli Bill” – Black, Sam e Kid -, de Giovanni Luigi Bonelli e Giovanni Benvenuti, prancha 30, vinheta 1.


Prancha 1.


Kit Carson - prancha 9, vinhetas 2 e 3.


Cisco Kid e Pancho - prancha 9, vinheta 5.


Pecos Bill – prancha 10, vinhetas 2 e 3.


Sergent Kirk – prancha 11, vinheta 1.


Sunday e Mortimer – prancha 16, vinhetas 2 e 3.


Da esquerda para a direita: Kit Willer – prancha 16, vinheta 5; p. 17, v. 3 e 5; p. 18, v. 5; p. 20, v. 3; Jack Tigre – prancha 16, vinheta 5; p. 17, v. 3 e 5; p. 20, v. 3; Tex Willer – prancha 16, vinheta 5; p. 17, v. 1, 2, 3, 4 e 6; p. 18, v. 1 e 5; p. 19, v. 1, 2, 3 e 7; p. 20, v. 2 e 3; Kit Carson – prancha 16, vinheta 5; p. 17, v. 3 e 5; p. 18, v. 5; p. 20, v. 3.


Cocco Bill e Rick O’Shay – prancha 17, vinheta 1.


Rocky Rider e Red Dust – prancha 18, vinheta 2.


Randall – prancha 21, vinhetas 2 e 3.


Da esquerda para a direita: Capitan Miki, Tim Carter (“Um Rapaz no Faroeste”), Kit Teller (“O Pequeno Ranger”) e Kit Hodgkin (“O Pequeno Sheriff”) – prancha 21, vinheta 4.


Zagor – prancha 22, vinhetas 1 e 2.


Larry Yuma – prancha 22, vinhetas 4 e 6; p. 23, v. 1 e 2.


Black Bill – prancha 30, vinheta 1.


Lucky Luke – prancha 33, vinhetas 3, 4, 5, 6 e 7. Lucky Luke vai visitar o túmulo de René Goscinny, o criador de Astérix e o principal roteirista da série do cowboy solitário, que falecera em 1977, ano anterior à publicação de “Ken Parker” nº 15.


Matt Dillon – prancha 54, vinhetas 2, 3, 4 e 5; 
p. 55, v. 1, 2, 3, 4, 5 e 6; p. 56, v. 2; 
e Bill Adams – prancha 54, vinhetas 2, 3 e 4; 
p. 55, v. 1, 4 e 6; p. 56, v. 2. 



Blueberry – prancha 82, vinheta 5; p. 83, v. 1, 2, 3 e 4.


Da esquerda para a direita, em cima: Giancarlo Berardi – prancha 5, vinhetas 1, 3, 4, 5 e 6; p. 5, v. 1, 2, 3, 4 e 5; p. 9, v. 1, 2, 4 e 5; p. 10, v. 1, 3 e 4; p. 16, v. 1, 3 e 4; p. 18, v. 4 e 5; p. 19, v. 6; p. 20, v. 4 e 5; p. 21, v. 1, 2, 4 e 5; p. 22, v. 3, 4 e 5; p. 23, v. 1 e 2; p. 26, v. 3 e 6; p. 27, v. 1, 4, 5 e 6; p. 28, v. 1 e 2; Ivo Milazzo – prancha 26, vinhetas 4, 5 e 6; p. 27, v. 1, 2, 4, 5 e 6; p. 28, v. 1, 2, 3, 4, 5 e 6; p. 29, v. 1, 3, 4 e 6. Da esquerda para a direita, embaixo: Sergio Bonelli e Decio Canzio: prancha 27, vinheta 3.


Inspirações


Robert Redford, ator americano, inspirou o visual de Ken Parker...


...e Hayley Mills, atriz inglesa, aquele de Pat O’Shane.

© Os editores, os autores e os seus herdeiros legais.

Afrânio Braga


Artigo publicado também em Tex Willer Blog.