quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Exposição Blueberry by Gir

BLUEBERRY BY GIR




De 15 de janeiro a 14 de junho de 2009, você poderá descobrir uma exposição excepcional sobre Blueberry em La Maison de la Bande Dessinée, em Bruxelas, Bélgica. Serão reunidos originais, ilustrações de capas e pranchas, que prestam conta da evolução e da qualidade de um grande clássico de história em quadrinhos.



Fonte: Dargaud Éditeur, Paris, França.


BLUEBERRY by GIR

Gênese da série

Western desenhado por excelência, Blueberry é a série que lança um dos mais famosos autores HQ atuais, o denominado Mister Jean Giraud. O destino tinha bem preparado seu golpe, tendo colocado sobre seu caminho o gringo Jijé que, em 1961, confia-lhe algumas pranchas de seu Jerry Spring. Antes, uma estadia no México, onde vivia sua mãe, assim como a travessia dos Estados Unidos, de ônibus, o faz descobrir o deserto, os índios e os cogumelos alucinógenos: não surpreendendo que esse western puro confine, às vezes, ao místico! Em 1963, nasce assim a série Blueberry para a revista Pilote, roteirizada por Jean-Michel Charlier e desenhada por “Gir”, primeiro pseudônimo de Giraud. Seu interesse pelo gênero se confirmará, em 1979, com sua nova série Jim Cutlass (do mesmo roteirista), história de outro tenente nortista, mas que conhecerá um sucesso menor.

Com Jean-Michel Charlier no roteiro, a fama do cowboy vai aumentando. A série se desenvolve com as aventuras paralelas retomadas por outros desenhistas e roteiristas: La Jeunesse de Blueberry narra o passado do dinâmico tenente, enquanto na trilogia Marshal Blueberry, o rebelde porta a estrela de xerife. Em 1989, à morte de Charlier, Giraud continua sozinho a série Blueberry (sobre as sinopses deixadas por Charlier) e começa, em 1995, um novo ciclo, Mister Blueberry, no qual o herói tem apreciado algumas rugas e dois ou três cabelos brancos. Outro projeto de série paralela, Blueberry 1900, devia colocar em cena um Blueberry ainda mais idoso. Elaborada em colaboração com François Boucq (de cujo ele admira Bouncer), essa série não tem finalmente visto a luz do dia. A história em quadrinhos tem conhecido uma adaptação cinematográfica, em fevereiro de 2004, com Blueberry, l’expérience secrète (realizada por Jan Kounen), fortemente marcada de xamanismo.


Um cowboy solitário

Filho de uma francesa e de um irlandês, o nariz partido (de um Jean-Paul Belmondo), esse terno que joga duro, de uma grande destreza a cavalo, um colt na mão, temerário, mas indisciplinado, beberrão e irreverente, cowboy solitário e soldado, apesar dele, Mike Steve Donovan, dito Blueberry, não se assemelha a Lucky Luke nem ao cabo Blutch. E, no entanto! Da mesma maneira, toda a história da Guerra de Secessão desfila sob nossos olhos, com seus personagens ilustres e lugares míticos. Os cânions, os desertos, os saloons repletos de jogadores de pôquer, os duelos, os ataques de índios, os foras da lei, os túnicas azuis, as mulheres fatais... todas as trivialidades do western clássico são reunidas. Mas o herói aqui é mais bruto, de uma realidade que se é revelada desestabilizadora à época da história em quadrinhos politicamente correta.


Giraud/Moebius

Jean Giraud tenta escapar de seu destino inventando um dublê, Moebius. Alimentando duas paixões, o western e a ficção científica, atraído de vez pela 9ª Arte, mas também pela pintura, ele conduz as experiências gráficas e narrativas que lhe permite o sucesso de Blueberry: “Blueberry sempre tem sido o patrocinador de minhas obras.” Muito eclético em seu desenho e sua proposta, o Moebius de Arzach, L’Incal (com Alejandro Jodorowsky) ou Le Monde d’Edena se aventura sobre os caminhos da ficção científica, enquanto o Giraud de Blueberry acompanha seu cowboy a um ritmo regular: ao total, 36 álbuns publicados em 45 anos! O estilo e o talento de Jean Giraud se confirmam à medida da série. Um traço rápido, realista e preciso, e mesmo acadêmico, mas perfeitamente adaptado ao tom do roteiro.

La Maison de la Bande Dessinée tem reunido uma coleção de originais, ilustrações de capas e pranchas, que prestam conta da evolução e da qualidade de um grande clássico da história em quadrinhos. A pista está aberta!


Todas as pranchas da série Blueberry dessa exposição têm sido roteirizadas por Jean-Michel Charlier (1924-1989).


Exposição Blueberry
  

Lembranças da exposição Blueberry by Gir






























Fonte: La Maison de la Bande Dessinée, Bruxelas, Bélgica.

Exposition Blueberry by Gir © La Maison de la Bande Dessinée 2009

Afrânio Braga

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