quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Jean-Michel Charlier, desenhista e roteirista


Jean-Michel Charlier

Biografia

Nascido em 1924, Jean-Michel Charlier foi um autor belga de história em quadrinhos. Ele é, ainda em nossos dias, considerado um dos roteiristas de história em quadrinhos dos mais importantes da escola franco-belga. Em 1959, ele foi um dos fundadores da lendária revista “Pilote”, ao lado de autores como Albert Uderzo e René Goscinny, onde ele vai igualmente desenvolver uma de suas séries mais conhecidas, “Blueberry”, com Jean Giraud. Ele falece em 1989, deixando atrás de si mais de 500 histórias em quadrinhos, roteiros ou mesmo seriados, destinados à televisão ou ao rádio.

Jean-Michel Charlier nasce em 30 de outubro de 1924 em Liège, Bélgica. Aos cinco anos, descobre Tintin e inventa logo para Pitche, herói de uma HQ publicada pela Libre Belgique, algumas aventuras pessoais.

Estudante de Direito na Universidade de Liège, ele desenha em "Spirou", onde cria "Buck Danny", em 1947, com Hubinon e Troisfontaines. Ele escreve o roteiro, desenha os aviões e as embarcações, enquanto que Hubinon se encarrega dos personagens...

Graduado doutor em Direito, ele escolhe a história em quadrinhos e parte para conquistar Bruxelas com alguns desmiolados, entre os quais Weinberg e Hubinon. Amontoados em uma barraca antes ocupada por todas as tropas de passagem, eles partilham durante três anos colchões, travesseiros, redes, espaguetes e batida semanal da polícia. A princípio afrontado, Charlier acaba por ouvir os conselhos de Jijé: ele abandona o desenho pelo roteiro.

Após a publicação simultânea de três álbuns de "Buck Danny", Charlier junta suas economias para conseguir dois brevês de turismo: ele pensa, a partir daquele momento, que, parar falar de aviões, era mais importante saber pilotar. Mas voar custa caro e ele decide se tornar piloto profissional. Com Hubinon, ele recupera um velho avião abandonado em um ferro-velho na Inglaterra, decifra as instruções de voo em um manual do exército belga pré-guerra e eles passam juntos ao trabalho prático: um voa enquanto o outro julga o resultado produzido. Eles conquistam o brevê e ganham doravante a vida deles voando o "weekend", dedicando o resto da semana à HQ.

Durante a Guerra da Coréia, a companhia aérea belga Sabena contrata Charlier como copiloto de DC 3 e Convair. Ao fim de um ano, achando que a profissão de piloto de linha parecia enormemente àquela de motorista de ônibus, Charlier a abandona e vem se instalar em Paris.

Entrementes, antes do sucesso de "Buck Danny" em 1948, ele cria novas histórias em quadrinhos ou prossegue o roteiro de antigas: "La Patrouille des castors" com Mitacq, "Marc d'Acier" com Paape, "Mermoz" e "Surcouf" com Hubinon, "Valhardi" com Gillain depois Paape.

Ele encontra Goscinny em Bruxelas e Uderzo em Paris. Juntos, eles decidem promover a profissão e escrevem uma carta aos desenhistas que valiam de se encontrar na calçada à luz do amanhecer. É o retorno das vacas magras, até a criação de Edifrance e o nascimento, em 1959, de "Pilote".

Para "Pilote", Charlier cria "Tanguy" e "Belloy" com Uderzo, "Barbe-Rouge" com Hubinon, "Jacques le Gall" com Mitacq, "Guy Lebleu" com Poïvet. Ele escreve também os diálogos de "Tanguy e Laverdure" e de "Démon des Caraïbes" para Radio-Luxembourg.

Após uma partida fulminante, "Pilote" conhece alguns reveses, em cujos uma passagem suicida pela moda iê-iê-iê, antes de renascer mais firmemente sob a chefia da coredação de Charlier e Goscinny.

Em 1962, 1964 e 1965, Charlier empreende três voltas ao mundo – durante a primeira, ele descobre o Oeste americano e sua História, isso dá a ele a ideia de criar uma HQ sobre esse universo, ele propõe o desenho a Jijé, que aconselha a ele um de seus alunos, Jean Giraud. Isso se concretizará, em 1963, com a famosa série “Blueberry”, que ele sustenta até o fim dos anos 1980.

Mas o verdadeiro "relaxamento" desse aventureiro, era voltar à televisão: a adaptação dos diálogos de "Chevaliers du ciel", entre outros, que dá a ele a oportunidade de sobrevoar o Peru, de helicóptero, ou de comer macaco defumado na Amazônia... Em 1972, ele cria os "Dossiers noirs" para a France 3, uma grande série de investigações consagradas aos personagens ou aos acontecimentos sobre os quais ainda paira um mistério: o negócio Stavisky, Al Capone, os assassinatos de John e Bob Kennedy ou de Martin Luther King... Pesquisas, roteiro, filmagem, entrevistas, montagem, comentários, mixagem – ele mesmo faz tudo, com seu entusiasmo e seu talento habitual.

Autor talentoso, aparentemente incansável e particularmente prolífico - no total, mais de 500 roteiros e diálogos, em histórias em quadrinhos, seriados, rádio ou TV - Charlier falece em 10 de julho de 1989.


Bibliografia

1961 - Barbe rouge - Le Démon des Caraïbes
1962 - Barbe rouge - Le Roi des sept mers
1963 - Barbe rouge - Le Fils de Barbe-Rouge
1964 - Barbe rouge - Défi au roy
1965 - Barbe rouge - Les Révoltés de l'Océane
1966 - Barbe rouge - Le Vaisseau fantôme
1967 - Barbe rouge - L'Ile de l'homme mort
1968 - Barbe rouge - Le Piège espagnol
1969 - Barbe rouge - La Fin du faucon noir
1970 - Barbe rouge - Mort ou vif
1971 - Barbe rouge - Le Trésor de Barbe-Rouge
1971 - Barbe rouge - La Mission secrète de l'épervier
1972 - Barbe rouge - Barbe-Rouge à la rescousse
1972 - Barbe rouge - Le Pirate sans visage
1973 - Barbe rouge - Khair le More
1973 - Barbe rouge - La Captive des Mores
1974 - Barbe rouge - Le Vaisseau de l'enfer
1981 - Barbe rouge - Le Jeune Capitaine
1992 - Barbe rouge - Pirates en mer des Indes
1992 - Barbe rouge - Intégrale T1 - Le Démon des Caraïbes
1992 - Barbe rouge - Intégrale T2 - Le Capitaine Sans Nom
1993 - Barbe rouge - Intégrale T3 - Le Vaisseau fantôme
1994 - Barbe rouge - Intégrale T4 - La Fin du faucon noir
1995 - Barbe rouge - Intégrale T5 - Le Pirate sans visage
1996 - Barbe rouge - Intégrale T6 - La Captive des mores
1997 - Barbe rouge - Intégrale T7 - Les Disparus du faucon noir
1998 - Barbe rouge - Intégrale T8 - La Citée de la mort
1999 - Barbe rouge - Intégrale T9 - Les Révoltés de la Jamaïque
1963 - Tanguy et Laverdure - L' Ecole des aigles
1962 - Tanguy et Laverdure - Pour l'honneur des cocardes
1964 - Tanguy et Laverdure - Escadrille des cigognes
1966 - Tanguy et Laverdure - Canon bleu ne répond plus
1967 - Tanguy et Laverdure - Cap zéro
1967 - Tanguy et Laverdure - Pirates du ciel
1968 - Tanguy et Laverdure - Les Anges noirs
1968 - Tanguy et Laverdure - Mission spéciale
1969 - Tanguy et Laverdure - Destination pacifique
1969 - Tanguy et Laverdure - Menace sur Mururoa
1970 - Tanguy et Laverdure - Lieutenant double bang
1972 - Tanguy et Laverdure - Mission dernière chance
1973 - Tanguy et Laverdure - Un DC8 a disparu
1996 - Tanguy et Laverdure - Intégrale T1 - L'Ecole des aigles
1997 - Tanguy et Laverdure - Intégrale T2 - L'Escadrille des cigognes
1997 - Tanguy et Laverdure - Intégrale T3 - Cap zéro
1998 - Tanguy et Laverdure - Intégrale T4 - Menace sur Mururoa
1998 - Tanguy et Laverdure - Intégrale T5 - Lieutenant Double-Bang
1999 - Tanguy et Laverdure - Intégrale T6 - La Terreur vient du ciel
2000 - Tanguy et Laverdure - Intégrale T.7 - La Mystérieuse escadre Delta
2001 - Tanguy et Laverdure - Intégrale T.8 - L'espion venu du ciel
1992 – Les Gringos – Viva la Révolution
1992 – Les Gringos – Viva Villa
1995 – Monographies, livres d’études – Un Réacteur sous la plume
1965 - Blueberry - Fort Navajo
1966 - Blueberry - Tonnerre à l'ouest
1967 - Blueberry - L' Aigle solitaire
1968 - Blueberry - Le Cavalier perdu
1969 - Blueberry - La Piste des Navajos
1969 - Blueberry - L' Homme à l'étoile d'argent
1970 - Blueberry - Le Cheval de fer
1970 - Blueberry - L' Homme aux poings d'acier
1971 - Blueberry - La Piste des sioux
1971 - Blueberry - Le Général Tête jaune
1972 - Blueberry - Le Spectre aux balles d'or
1972 - Blueberry - La Mine de l'Allemand perdu
1973 - Blueberry - Chihuahua Pearl
1973 - Blueberry - L'Homme qui valait 500.000$
1974 - Blueberry - Ballade pour un cercueil
1974 - Blueberry - Le Hors-la-loi
1975 - Blueberry - Angel Face
1980 - Blueberry - Nez Cassé
1980 – Blueberry – La Longue marche
1982 – Blueberry – La Tribu fantôme
1983 – Blueberry - La Dernière carte
1986 – Blueberry – Le Bout de la piste
1990 - Blueberry - Arizona Love
1975 – La Jeunesse de Blueberry - La Jeunesse de Blueberry
1978 – La Jeunesse de Blueberry - Un Yankee nommé Blueberry
1979 – La Jeunesse de Blueberry - Cavalier Bleu
1985 - La Jeunesse de Blueberry – Les Démons du Missouri
1987 – La Jeunesse de Blueberry – Terreur sur le Kansas
1989 - La Jeunesse de Blueberry – Le Raid Infernal
2003 – Blueberry – Les Monts de la Superstition
2012 - Blueberry l’Intégrale tome 1
2013 - Blueberry l’Intégrale tome 2
2015 - Blueberry l’Intégrale tome 3
2015 - Blueberry l’Intégrale tome 4
2015 - Blueberry tome 24 Mister Blueberry N&B
2015 - Blueberry tome 25 Ombres sur Tombstone N&B
2016 - Blueberry tome 26 Géronimo L’Apache N&B
2016 - Blueberry tome 27 OK Corral N&B
2016 - Blueberry l’Intégrale tome 5
2017 - Blueberry tome 28 Dust N&B
2017 - Blueberry l’Intégrale tome 6
2017 - Blueberry l’Intégrale tome 7
2018 - Blueberry l’Intégrale tome 8
2019 - Blueberry l’Intégrale tome 9

N. C.: Álbuns publicados por Dargaud Éditeur.

Fonte da imagem e dos textos: Dargaud Éditeur, Paris, França.

Afrânio Braga

Edições do grupo Média-Participations na Amazon Brasil. Acesse a livraria por um dos links abaixo:




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

“Blueberry. Il Tesoro dei Confederati”

Capa.

Texto da orelha da capa:

É um tenente do exército nortista, mas a sua ficha militar diz que é um beberrão, um trapaceiro, um briguento, um desrespeitoso e um insolente: Mike S. Blueberry é um dos personagens mais celebrados da história em quadrinhos europeia. Nas suas histórias, roteirizadas por Jean-Michel Charlier e desenhadas por Jean Giraud, dois grandes mestres da narrativa em quadrinhos, que conseguiram fazer do western um território pulsante de vida, verdades e mentiras do homem convivem, se entrelaçam, se desencontram em contato com uma natureza selvagem e impiedosa. Blueberry ostenta sempre uma extraordinária coragem unida a uma desenfreada inteligência, mesmo se muito dá a impressão de olhar tudo aquilo que acontece com o ar sábio de quem preferiria soluções alternativas ao uso da violência e das armas. Nesse volume em cores é reunida a belíssima saga que vai de "Chihuahua Pearl", episódio realizado em 1973, a "Angel Face", de 1975. Mais de 200 páginas de emoções, tiroteios e saloons sobre os rastros da história do Oeste e de um maravilhoso personagem.
                  

I CLASSICI DEL FUMETTO DI REPUBBLICA
SERIE ORO

25



I CLASSICI DEL FUMETTO DI REPUBBLICA
SERIE ORO

25

BLUEBERRY
Jean-Michel Charlier – Jean Giruad

Chihuahua Pearl © Dargaud 1973, by Charlier & Giraud
L’Homme qui valait 500.000 $ © Dargaud 1973, by Charlier & Giraud
Ballade pour un cercueil © Dargaud 1974, by Charlier & Giraud
Le Hors-la-loi © Dargaud 1974, by Charlier & Giraud
Angel Face © Dargaud 1975, by Charlier & Giraud
www.dargaud.com
Blueberry é publicado na Itália por Alessandro Editore.
www.alessandroeditore.it
ae@ alessandroeditore.it
As ilustrações das páginas 5, 6, 8, 9, 10, 12, 13, 14, 15
são © STARDOM éditeur.
Para essa edição © 2005 Panini S.p.A.

Edição especial para la Repubblica
realizada em colaboração com Panini Comics

Diretor de Publicação na Itália SIMONE AIROLDI
Diretor Editorial MARCO M. LUPOI
Colaboram ENRICO FORNAROLI,
FRANCESCO MEO (revisão editorial),
SILVANO MEZZAVILLA (textos),
SONIA MINEN (redação),
MARIO CORTICELLI (projeto gráfico),
PAOLA LOCATELLI (paginação),
FRANCESCA AIELLO (produção),
MATTEO FORNASIERO (marketing)

Gruppo Editoriale L’Espresso S.p.A. – Divisione la Repubblica
Via Cristoforo Colombo 149 – oo147 Roma

Suplemento ao número hodierno de la Repubblica
Diretor Responsável: EZIO MAURO
Reg. Trib. Roma nº 16064 de 13/10/1975

Introdução e consulta editorial de LUCA RAFFAELLI

O presente livro deve ser vendido exclusivamente em conjunto
ao cotidiano la Repubblica. Todos os direitos de copyright são reservados.
Qualquer violação será condenada aos termos de lei.

Impressão e encadernação
PFG Grafiche
Roma



JEAN-MICHEL CHARLIER – JEAN GIRAUD
BLUEBERRY
Il tesoro dei confederati



I CLASSICI DEL FUMETTO DI REPUBBLICA
SERIE ORO


Mike, o tenente

pacifista



T
N. C.: Página 5. Blueberry.
anto para começar, Blueberry não é o verdadeiro nome de Mike S. Donovan. Ele o escolheu, inspirado por um cacho de mirtilos que era sob o seu olhar, quando teve necessidade de uma nova identidade para entrar a fazer parte do exército nortista. De fato, blueberry, em língua inglesa, é o nome do mirtilo. E já é o feito que um homem escolha o seu nome dá o sentido de uma personalidade forte e livre. Os seus genitores eram ricos plantadores da Georgia, por conseguinte do sul dos Estados Unidos, mas, como diz ele mesmo ao coronel Dickson na sua primeira aventura, intitulada “Forte Navajo”, “me renegaram e desertaram. De qualquer modo, a minha hereditariedade terminou com eles sob os canhonaços”. Livre de tudo: dos vínculos familiares, da própria terra, enfim, da riqueza de cuja não tem necessidade para ser livre. Além disso, Mike é contra a escravatura: isso ele quer enfatizar, e não só porque está diante de um coronel nortista.

    MAS PARA CLAREAR a sua personalidade é bom voltar sobre a primeira página da primeira história, quando Blueberry se apresenta aos leitores como jogador de pôquer. Vencedor, por demais. Na segunda página, foi acusado de ter trapaceado e, assim, é envolvido em um tiroteio. O ajuda a sair fora o tenente Graig, que reencontrará mais vezes ao longo da estrada. Mas, surpresa: logo após a briga, Blueberry admite candidamente a Graig ter trapaceado realmente, e de fazê-lo sempre com quem o merece, “mesmo se algum chato se escandaliza”. E não existe só aquilo. Beberrão, briguento, desrespeitoso, insolente: eis que coisa lê ainda na ficha militar o coronel Dickson. O salva só o seu excelente estado de serviço: dois ferimentos e seis condecorações, tanto para terminar a guerra civil com a patente de tenente.


N. C.: Página 6. Jimmy McClure. 
“Vítima ou
vencedor, se tem 
a impressão que 
Blueberry seria
de bom grado a 
menos da 
aventura, que 
não nasceu para 
aquilo, que ali 
se encontra 
sempre seu mal
grado.”


PORÉM, não nos há dúvidas, a relação de Blueberry com a guerra é antes estranha. Os seus dotes de coragem, a sua prontidão de reflexos, astúcia, capacidade estratégica e intuitiva no prever os movimentos do adversário, são de todo extraordinários e tornam as suas aventuras apaixonantes, envolventes, vivas. Para não falar pois da sua capacidade de resistência à dor, à tortura, ao sol do deserto, e a mil outras insídias que conceberam a Mãe Natureza ou os seres humanos. Mas, vítima ou vencedor, se tem a impressão que ele seria de bom grado a menos da aventura, que não nasceu para aquilo, que ali se encontra sempre seu mal grado.


N. C.: Página 6. Blueberry.
O FATO É QUE ELE é um bom, um justo, mas pleno de uma bondade e uma justiça superiores àqueles de quem vive (junto a ele, nas suas aventuras) as situações do presente. Ele tem a consciência de quais são as reais forças que desencadeiam uma guerra, da inutilidade de tantos morticínios e da injustiça que esses escondem. Por isso, nas suas primeiras histórias, faz de tudo para que a guerra com os Apaches (causada pela histeria e pelos imbróglios do major Bascom) não tome a rota. Por isso, será acusado e renegado do exército antes de obter razão e justiça. E, porventura, isso se deve a dois fatos importantes: que essa história em quadrinhos extrai a sua origem de uma longa viagem de Jean-Michel Charlier aos Estados Unidos da América, e que nasce quando a “questão indígena” começa a ser revisada pelo cinema. Em suma, Blueberry tem a vantagem que só as grandes sagas têm: poder viver o presente com o olhar revolto para trás. Como se fosse já passado e pudesse ensinar-nos algo.


Sinais

de estilo
N. C.: Página 7. "Chihuahua Pearl", prancha 1.




N
omen omen. Charlier é um roteirista conversador, os seus personagens falam sempre tanto porque também através das palavras (e dos pensamentos) mostram a própria personalidade: e as didascálias contam, antecipam, descrevem, preparam o leitor e o tornam partícipe de quanto acontece. Não se trata de uma fórmula, mas de um estilo, e bastante pessoal. Desejado, procurado, refinado através dos álbuns. Obviamente, junto àquele grande gênio do desenho que é Jean Giraud, o qual atinge uma plena, absoluta maturidade artística próprio com as histórias reunidas nesse volume.

N. C.: A frase Nomen omen (ou ao plural nomina sunt omina) é uma locução latina que, traduzida literalmente, significa “o nome é um presságio”, “um nome um destino”, “o destino no nome”, “de nome e de fato” e deriva da crença dos romanos que no nome da pessoa fosse indicado o seu destino. Hoje, a locução é usada quando no nome ou no sobrenome de uma pessoa se identificam palavras e significados que possam se reconectar à sua profissão, à sua personalidade, à sua conduta ou, mais em geral, a outros aspectos da sua vida. Fonte: Wikipédia.


NOS PRIMEIROS VOLUMES de Blueberry se sente fortíssima a mão de Jijé, artista de cujo Giraud era assistente e que tinha um traço mais essencial e caricatural. Nestas páginas, ao invés, Giraud consegue atingir um nível de 
N. C.: Página 7. Blueberry e Vigo, edição americana.
realismo extraordinário: tudo parece vivo, pulsante, e belíssimo, graças também a uma emocionante construção da página. Se olharmos já as pranchas de abertura às páginas 17 e 18. A primeira, com aqueles quatro grandes quadrinhos, de diversos formatos, que circundam o primeiro plano do protagonista. A segunda, com estes quadrinhos de diálogo em cujos Giraud dá um efeito de profundidade com o mexicano achatado em primeiríssimo plano e Blueberry pouco atrás, de uma cor neutra como aquela do fundo. Não acontece demais raramente, de fato que Gir (como assina às vezes Giraud) renuncia ao fundo realístico para colocar os personagens sobre uma só cor. Na página 47, por exemplo, a tensão se acende no quarto quadrinho, cujo fundo é uma simples mancha de vermelho inflamado.



N. C.: Página 8. Blueberry.
Atrás 
do nanquim


É
 um pelotão cheio aquele dos personagens da história em quadrinhos franco-belga, que por décadas tem cavalgado sobre as pistas do West. Fazem-no parte cowboy, chasseurs des bois e soldados nortistas cujas histórias atingem às convenções do melhor cinema americano (em particular às obras-primas de John Ford, Howard Hawks e Anthony Mann) adaptando-as à sensibilidade do público europeu com modalidades narrativas que colocam a ênfase sobre a efervescência dos diálogos, sobre o ritmo despreocupado das sequências, sobre a imprevisibilidade das reviravoltas.

N. C.: chasseurs des bois (francês): caçadores dos bosques.


N. C.: Página 6. Blueberry.
TODOS NASCERAM entre os anos Cinquenta e os Setenta e possuem as características que o imaginário pretende dos grandes heróis das histórias em quadrinhos: se chamam “Jerry Spring”, criado em 1954 por Joseph Gillain, em arte Jijé (autêntico fundador da história em quadrinhos realística de Além-alpes); “Comanche” (1969) desenhado por Hermann sobre textos de Greg; “Buddy Longway” de Derib e “Manos Kelly” de Antonio Hernández Palacios, ambos de 1973; “Mac Coy” (1974) escrito por Jean-Pierre Gourmelen e ilustrado por Palacios; “Jonathan Cartland” de Laurence Harlé e Michel Blanc-Dumont, que fez a sua estreia em 1975, e, enfim, o “Lieutenant Blueberry” (1963), ou o cavaleiro mais famoso do grupo não tanto pela sua semelhança com o ator Jean-Paul Belmondo, quanto pelo alto nível inventivo das histórias roteirizadas por Jean-Michel Charlier e pela espetacularidade dos quadrinhos realizados por um Jean Giraud na eminência de registrar seja o próprio nome verdadeiro que o nom de plume Mœbius entre aqueles dos intérpretes mais representativos da história em quadrinhos mundial.

N. C.: nom de plume (francês): nome de pena, nome de bico de pena.


N. C.: Página 9. Blueberry.


        EM PARTICULAR, os cincos episódios que vos apresentamos – surgidos em capítulos sobre as páginas do semanal “Pilote” e depois reunidos em volume entre 1973 e 1975 – compõem um dos ciclos mais apreciados da saga (originalmente intitulada “Forte Navajo”) que tem por protagonista o tenente Mike Steve Donovan, apelidado Blueberry. Desde a partida, de fato, a hábil mise en scène de Charlier e Giraud funde os ingredientes do western clássico com situações carregadas de suspense e de mistério capazes de envolver emotivamente o leitor, de arrastá-lo em uma aventura de fôlego épico, de fasciná-lo com personagens inesquecíveis (como a belíssima entraîneuse Chihuahua Pearl) e de surpreendê-lo com situações assim inesperadas para deixá-lo realmente com a respiração suspensa.

N. C.: 1) mise en scène (francês): encenação. 2) Entraîneuse (francês): Jovem mulher cujo papel é estimular os clientes a beber ou a dançar, frequentemente empregada em bares ou casas noturnas. Fonte: Wiktionary. 3) Ilustração acima: Jethro "Steelfingers" Diamond, o Homem do Punho de Aço, página 9.


        DAQUELES HERÓIS da história em quadrinhos transalpina, Blueberry é o único que prossegue ainda hoje a sua cavalgada nos cenários do selvagem Oeste. Depois da morte de Charlier, e não obstante os empenhos artísticos sobre a vertente da ficção científica e da visionaridade, Jean Giraud continua a desenhar-lhe as aventuras e a realizar-lhe os roteiros, enquanto são afirmadas dois séries paralelas: “La giovinezza di Blueberry”, agora escrita por François Corteggiani e desenhada por Blanc-Dumont, e “Marshal Blueberry”, ilustrada por William Vance e Michel Rouge sobre textos fornecidos pelo incansável Giraud. Em 2003, o diretor Jan Kounen (“Dobermann”) levou sobre a tela do cinema uma aventura de Blueberry, atribuindo a Vicent Cassel o papel do ex-tenente da cavalaria nortista.

N. C.: “La giovinezza di Blueberry”: "La Jeunesse de Blueberry" (“A Juventude de Blueberry”).



No sinal de
Blueberry


N. C.: Página 10. Blueberry.


O
 roteirista Jean-Michel Charlier e o desenhista Jean Giraud são os criadores da saga que tem por protagonista o tenente Mike Blueberry. Charlier, nascido em Liège (Bélgica) em 30 de outubro de 1924 e falecido em Saint-Cloud (França) em 10 de julho de 1989, estreia na história em quadrinhos, aos vinte anos, colaborando com a revista “Spirou”, primeiro como desenhista humorístico, depois se dedicando ao roteiro de várias coleções, entre as quais “Buck Danny”, “La Patrouille des castors”, “Simba Lee”, “Fanfan et Polo”. Ao fim dos anos Cinquenta, está entre os artífices da revista “Pilote”, para a qual, no curso do tempo, inventará os populares personagens de séries como “Tanguy et Laverdure”, “Barbe Rouge”, “Guy Lebleu”, “Blueberry” e “Les Gringos”, ilustradas respectivamente por Uderzo, Hubinon, Poivet, Giraud e De La Fuente.


              JEAN GIRAUD, o artista francês que se esconde atrás dos pseudônimos Gir e Mœbius, nasce em Nogent-sur-Marne (às portas de Paris) em 8 de maio de 1938. Em 1954, publica a sua primeira história em quadrinhos e realiza ilustrações para o periódico católico “Coeurs Vaillants”. Em 1960, desenha uma aventura de “Jerry Spring” e trabalha para as Éditions Hachette. Em 1963, em dupla com Charlier, dá, enfim, vida à série “Lieutenant Blueberry”; no mesmo período adota o pseudônimo de Mœbius, com o qual assinará as autênticas obras-primas da história em quadrinhos fantástica, como “A Garagem
N. C.: Página 10. Blueberry.
Hermética”, “Arzach”, “The
 Long Tomorrow” e, sobre textos do roteirista chileno Alejandro Jodorowsky, “O Incal”. Mœbius, além disso, colaborou com a realização do desenho animado “Les maîtres du temps” e dos filmes “Alien”, “Tron” e “O Quinto Elemento”, e desenhou uma graphic novel de “Surfista Prateado” sobre textos de Stan Lee.

N. C.: Jean Giraud faleceu em 10 de março de 2012.



Sinais e desenhos


 


 

Capas originais de “Chihuahua Pearl”, “L’Homme qui valait 500.000 $”, “Ballade pour un cercueil”, “Le Hors-la-loi” na edição Dargaud.

N. C.: As quatro capas são da página 11.




Capa original de “Angel Face”, na edição da Dargaud. Capa original de “L’Homme à l’étoile d’argent”, de 1969.



Acrílica para um pôster editado pelas edições Stardom.

N. C.: As duas capas e o pôster são da página 12.



Bico de pena e nanquins coloridos para o projeto da série de TV americana “Colt”.



Acrílica, pincel e bico de pena para um projeto de um filme de Jean Bruno.

N. C.: As duas imagens são da página 13.


 

      

Estudos. Bico de pena e nanquins coloridos.

N. C.: Página 14.



BLUEBERRY
Chihuahua Pearl



Textos: Jean Michel-Charlier
Desenhos: Jean Giraud
Tradução: Luca Basenghi

N. C.: A imagem da primeira página da história “Chihuahua Pearl” é de “Blueberry. Il Tesoro dei Confederati”, as demais são de álbuns franceses e americanos.


Página 17.
Página 18.


Página 19.
Página 20.

Página 21.
Página 22.

Página 23.
Página 24.

Página 25.
Página 26.

Página 27. 
Página 28.

Página 29. 
Página 30.

Página 31. 
Página 32.

Página 33.
Página 34.

Página 35.
Página 36.

Página 37.
Página 38.

Página 39.
Página 40.

Página 41.
Página 42.

Página 43.
Página 44.

Página 45.
Página 46.

Página 47.
Página 48.

Página 49.
Página 50.

Página 51. 
Página 52.


Página 54. 
Página 58.

Página 59.
Página 60.

Página 61.
Página 62.



BLUEBERRY
L'uomo che valeva 500.000 dollari




Textos: Jean Michel-Charlier
Desenhos: Jean Giraud
Tradução: Luca Basenghi


Página 65. 
Página 66.

Página 67.
Página 84.

Página 105.



BLUEBERRY
Ballata per una bara




Textos: Jean Michel-Charlier
Desenhos: Jean Giraud
Tradução: Luca Basenghi


Página 113.
Página 114.

Página 115.
Página 116.

Página 117.
Página 127.

Página 174.



BLUEBERRY
Il fuorilegge



Textos: Jean Michel-Charlier
Desenhos: Jean Giraud
Tradução: Luca Basenghi



Página 177.
Página 178.

Página 179.
Página 180.

Página 181. 
Página 189.

Página 190.



BLUEBERRY
Angel Face




Textos: Jean Michel-Charlier
Desenhos: Jean Giraud
Tradução: Luca Basenghi



Página 224. 
Página 225.

Página 226, 
Página 227.

Página 228.
Página 231.

Página 258.
Página 267.

Página 268.


Texto da orelha da contracapa:

Jean-Michel Charlier (1924-1989) é considerado um dos mais importantes roteiristas da assim chamada “escola franco-belga”. Nascido em Liège, inicia a trabalhar na redação da revista “Spirou”, em 1945, e, no curso da sua longuíssima carreira, cria dezenas de célebres personagens como o piloto Buck Danny e o pirata Barbe Rouge (junto a Victor Hubinon), Tanguy e Laverdure (junto a Albert Uderzo) e Blueberry (com Jean Giraud). Foi um dos fundadores do semanal “Pilote”, entre as importantes revistas em quadrinhos do mundo. Jean Giraud nasceu em 8 de maio de 1938 em Nogent-sur-Marne, nos arredores de Paris. Em 1960, se torna assistente de Jijé e já em 1963 cria, com Charlier, o seu primeiro personagem de grande sucesso: Blueberry. Começa assim a sua incrível, dupla carreira: como Giraud assina as aventuras do tenente nortista, com o pseudônimo Mœbius encanta os leitores com o seu estilo visionário e influenciado pela ficção científica. Ao fim de 1974, funda, com Philippe Druillet, Jean-Pierre Dionnet e Bernard Farkas, a revolucionária revista “Métal Hurlant”. Entre as suas obras mais famosas recordamos “Arzach” e o longo ciclo de John Difool, realizado em dupla com Alejandro Jodorowsky.

N. C.: Jean Giraud faleceu em 10 de março de 2012.

Imagens de capa:
Jean Giraud
© 2005 Dargaud


Contracapa.


Ficha técnica

“Blueberry. Il Tesoro dei Confederati”
“Blueberry. O Tesouro dos Confederados”
Roteiros: Jean-Michel Charlier.
Desenhos: Jean Giraud.
Cores: indeterminado.
Capa: Jean Giraud (“Blueberry” e “Serie Oro” em alto-relevo e em dourado, e o desenho em alto-relevo, cujo foi realizado por Giraud para as contracapas da série "Blueberry", ao lado dos títulos das histórias, a partir do álbum “Mister Blueberry”).
Contracapa: desenho de Giraud; e o pensamento de Blueberry, no último quadrinho de “Ballade pour un cercueil”: "A que coisa poderá jamais servir uma penitenciária, senão para fugir dela?".
Tradução: Luca Basenghi.
Número de páginas: 272 (248 de histórias em quadrinhos, sem incluir capa e contracapa).
Gênero: Documentário / Biografia, Western.
Preço: € 6,90 + o preço do cotidiano (“Repubblica” + livro € 7,80; com “D” ou “Il Venerdì” € 8,10).
Formato: 16,0x26,0cm (formato comics).
Edição lançada como suplemento do jornal “La Repubblica”, na Coleção “I Classici del Fumetto di Repubblica Serie Oro” ("Os Clássicos da História em Quadrinhos de Repubblica Série Ouro") volume 25, da parceria do “La Repubblica” com a Panini Comics.
Esse suplemento ao jornal “La Repubblica” reagrupa um caderno de 10 páginas de artigos e ilustrações sobre a série e edição em italiano de “Chihuahua Pearl”, “L’Homme qui valait 500000 $” (“L'uomo che valeva 500.000 dollari”), “Ballade pour un cercueil” (“Balada per una bara”), “Le Hors-la-Loi” (“Il fuorilegge”) e “Angel Face”, que compõem os Ciclos Chihuahua Pearl. O Tesouro dos Confederados (“Chihuahua Pearl”, volume 13, 1973, “O Homem que Valia $500.000”, volume 14, 1973 e “Balada para um Caixão”, volume 15, 1974) e do Primeiro Complô contra Grant. A Decadência de Blueberry (“O Fora da Lei”, volume 16, 1974 e “Angel Face”, volume 17, 1975). O integral italiano apresenta os dois ciclos completos, ao contrário da coleção portuguesa "Os Clássicos da Banda Desenhada" – publicada pelo jornal “O Correio da Manhã” em colaboração com a Panini Comics – que lançou, em 2003, o volume blueberryano faltando o último episódio, "Angel Face". Em 1996, nos Estados Unidos, o integral também foi publicado completo pela Mojo Press, em preto e branco a partir do colorido original dos álbuns franceses, com o título "The Blueberry Saga. Confederate Gold".
“Blueberry. Il Tesoro dei Confederati” publicado por Gruppo Editoriale L’Espresso S.p.A. – Divisione La Repubblica em colaboração com Panini S.p.A. – Panini Comics. Roma, Itália.



"Blueberry. Il Tesoro dei Confederati", segundo livro, da esquerda para a direita, em parte da minha BBteca/gibiteca.

A narrativa sobre o lendário Tesouro dos Confederados é a mais notória, ao lado daquela sobre o Ouro da Sierra (Ciclo Prosit Luckner, álbuns "A Mina do Alemão Perdido" e "O Espectro das Balas de Ouro", que inspirou o filme de Blueberry), da saga do teimoso, insubordinado, mas com o sentimento amizade à flor da pele, Tenente Blueberry. A trama apresenta várias cavalgadas, explosões, traições e mudanças repentinas, dignas de um clássico filme de "western" rodado na fronteira dos Estados Unidos e o México, em uma região inóspita.

Os dois ciclos, que compõem a história da busca pelo ouro dos sulistas, trazem a estreia de novos personagens na saga do Tenente mais amado do Oeste e esses serão muito importantes na série "Blueberry". Destacam-se entre os debutantes, a bela loira Chihuahua Pearl – apelido da cantora e dançarina Lily Calloway – e Vigo, comandante do exército mexicano, cujas participações se estenderiam para os dois ciclos seguintes e aquela de Pearl até o álbum isolado "Arizona Love". A relação inicial entre Blueberry e Pearl não é nada amistosa, beirando o ódio, a raiva e os dois chegam a brigar – o galante Mike perde a cabeça e dá um safanão na linda sedutora –, porém o futuro reserva uma intensa paixão entre o casal.

Mike Steve Donovan é falsamente expulso dos Casacas Azuis para investigar o paradeiro do ouro do exército sulista, entretanto havia muita gente atrás desse meio milhão de dólares. As coisas não andaram bem para o nosso herói, sendo ele acusado de traição e roubo do tesouro, então é preso em uma rígida penitenciária militar de cuja foge em uma trama secreta armada por aqueles que desejavam a morte do Presidente dos Estados Unidos. Além dessas acusações, pesa contra Blueberry a tentativa de assassinato de Ulysses Simpson Grant, o presidente, e, no final do último episódio, é dado como morto, inclusive por seus milhares de fãs em todo o planeta.

Afrânio Braga

Fontes das imagens: Bedetheque: capa, páginas 7 (página 1 de “Chihuahua Pearl”), página 11 (as quatro capas), página 12 (capa de “Angel Face”), 17, 105, 189, 268 e contracapa; BDgest: páginas 3, 12 (pôster Stardom Éditeur) e 13 (pôster “Colt”); Delete this now 123: página 5; Comic Historietas: páginas 6 (Jimmy McClure), 10 e 14; neuviemeart.citebd: página 10 (Blueberry, em preto e branco); The Airtight Garage: páginas 6 (Blueberry), 7 (Blueberry e Vigo), 13 (ilustração para o filme de Jean Bruno) 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 31, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 50, 51, 52, 54, 58, 59, 60, 61 e 62; Philippe Poison: página 8 (Blueberry); La Repubblica: página 8 (Blueberry a cavalo); Cine Cheonicle: página 9 (Blueberry); Passion Collections Superforum: página 9 (Jethro Steelfingers); Mister Jacq: página 12 (capa de “L’Homme à l’étoile d’argent); Profiles: página 15; Dargaud Éditeur: páginas 18, 19, 20, 21, 65, 66, 67, 113, 114, 115, 116, 117, 177, 178, 179, 180, 181, 224, 225, 226, 227 e 228; Renaud-Bray: páginas 84 e 258; BDnet: páginas 127 e 231; Booknode: página 174; BDzone: página 190; La Canción de Tristan: página 267; Afrânio Braga: parte de sua BBteca.

Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 1973, 1974, 1975
Blueberry. Il Tesoro dei Confederati © Panini S.p.A. 2005
Blueberry 1: Chihuahua Pearl. Story and Art © 1971 Dargaud Éditeur, Jean-Michel Charlier and Jean Giraud. Translations and text © 1989 Starwatcher Graphics. Publishers © 1989 Titan Books and Marvel Comics
Blueberry 3 – Angel Face. Story and Art © 1975 Dargaud Éditeur, Jean-Michel Charlier and Jean Giraud. Translations and text © 1989 Starwatcher Graphics. Publisher © 1989 Epic Comics

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.

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