terça-feira, 5 de novembro de 2013

"Blueberry" nº 6 “L’Homme à l’étoile d’argent”

Capa de "L'Homme à l'étoile d'argent", uma das reedições.



Prancha 1.


Prancha 2.


Prancha 3.


Prancha 4.


Prancha 5.


Ficha técnica

L’Homme à l’étoile d’argent
“O Homem da Estrela de Prata”
Roteiro: Jean-Michel Charlier
Desenhos e capa: Jean Giraud
Cores: Quadricromia
Volume: 6
Ano de publicação da primeira edição: 1969
Número de pranchas: 47
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,5x29,8 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Fonte das imagens: Dargaud Éditeur.



A capa da 1ª edição.



A prancha 2 da 1ª edição.



A contracapa da 1ª edição.

Fonte das imagens: Bedetheque.


L’Homme à l’étoile d’argent” - “O Homem da Estrela de Prata”

Fora de ciclo Blueberry Xerife. O primeiro retorno à vida civil em "O Homem da Estrela de Prata" - Arizona. Verão de 1868.

O álbum “O Homem da Estrela de Prata” é um dos oito, do total de 28 da série “Blueberry”, que não tem 46 páginas; os outros sete são: "O General Cabeça Amarela" (47 páginas), "O Espectro das Balas de Ouro" (52), "Balada para um Caixão" (62), "O Fora da Lei" (44), "Nariz Partido" (47), "Arizona Love" (56) e "Dust" (68).

Jean-Michel Charlier se inspirou em "Rio Bravo" ("Onde Começa o Inferno", título no Brasil; "Rio Bravo", título em Portugal), filme dirigido por Howard Hawks, lançado em 1959, para escrever o roteiro de "L' Homme à l'étoile d'argent" ("O Homem da Estrela de Prata"), álbum publicado em 1969.

Um clássico western: "Onde Começa o Inferno". John Wayne é John T. Chance, xerife de uma pequena cidade do Texas, Rio Bravo, prestes a enfrentar um bando de pistoleiros, contando com um quarteto inusitado: um bêbado (Dean Martin), um velho resmungão (Walter Brennan), um jovem e inexperiente pistoleiro (Ricky Nelson) e uma bela garota (Angie Dickinson).

"O Homem da Estrela de Prata": Xerife Blueberry, em um fora de ciclo da série, enfrentando um bando de pistoleiros com a ajuda de um velho resmungão e bêbado, Jimmy Mac Clure, um jovem e inexperiente pistoleiro, Dusty, e uma bela professora, Katie Marsh - o xerife Harrison, assassinado no início da história, também aludi ao bêbado, no filme, Dude (Dean Martin), auxiliar do xerife.

Para a capa do álbum "L'Homme à l'étoile d'argent" ("O Homem da Estrela de Prata"), 1969, Jean Giraud se inspirou naquela da revista "Star-Ciné Bravoure" Nº 144, de 01/10/1968, "Un pistolet à la main" ("Uma Pistola na Mão"), cuja fotografia publicada é uma cena do filme "Dos mil dolares por Coyote" ("Dos Mil Dólares por Coyote"), 1966, dirigido por León Klimovsky. Na capa do volume 6, o então Xerife Blueberry é substituído pelo ator James Philbrook, que interpreta Sam Foster no longa metragem espanhol; as únicas diferenças, entre os dois personagens, são a cor do chapéu, a estrela e a pistola.

Jean-Michel Charlier escreveu o roteiro de "L' Homme à l'étoile d'argent" ("O Homem da Estrela de Prata"), inspirado no de “Rio Bravo” (“Onde Começa o Inferno”), e, juntamente com Jean Giraud, homenageou John Wayne, o Xerife John T. Chance, no filme, com o seu rosto naquele de Harrison, personagem presente da página 5 a 8, Xerife de Silver Creek, cidadezinha isolada a dois dias a cavalo de Forte de Navajo.

Jean Giraud se inspirou no ator anglo-americano Charles Laughton para realizar o visual do Juiz de Silver Creek, vilarejo isolado, no Arizona, a dois dias de Forte Navajo, palco de “O Homem da Estrela de Prata”.

Jean Giraud se inspirou em uma cena do clássico western “High Noon” ("Matar ou Morrer"), 1952, dirigido Fred Zinnemann, com Gary Cooper, que foi usada em um dos cartazes do filme, para desenhar Blueberry, também xerife, no quadrinho 7 da página 23 de "L' Homme à l'étoile d'argent" (“O Homem da Estrela de Prata”), 1969.

Jimmy McClure, ajudante do Xerife Blueberry, em Silver Creek, na história “O Homem da Estrela de Prata”, desarma dois vaqueiros, cujos visuais foram inspirados, por Jean Giraud, naqueles dos atores John Wayne e Dean Martin no filme “Rio Bravo” (“Onde Começa o Inferno”).

“O Homem da Estrela de Prata” é a primeira história blueberryana lançada no Brasil, em fevereiro de 1976, pela Editora Abril, em uma edição especial, em cores, e em duas versões – brochura e cartonada. A capa é distinta daquela francesa, pois traz quatro quadrinhos da aventura. Texto da contracapa: "Forte Navajo. Em 1962, quando voltava de uma viagem que fez ao oeste dos Estados Unidos, o cenógrafo franco-belga Jean-Michel Charlier "sentiu" toda a epopéia do faroeste. Com o auxílio do excelente desenhista Jean Giraud criou esta história em quadrinhos cujo protagonista é o tenente Blueberry. Em um pequeno local situado na zona Apache, o Forte Navajo, o tenente dos "casacos azuis" vive suas emocionantes aventuras no melhor e mais fiel estilo do western cinematográfico. Esta história faz parte de uma série que se tornou famosa como uma das melhores criações em quadrinhos dos tempos atuais."

A Editora Abril relançou "O Homem da Estrela de Prata" em março de 1992, sendo o número 1 da segunda série, dessa vez em preto e branco. O último álbum da primeira série, "Blueberry", em cores, fora publicada em janeiro de 1991, mais de um ano antes.

O título mudou de "Blueberry" para "Tenente Blueberry", com o seguinte editorial para essa reestréia: "Arrependam-se, incréus, ímpios, descrentes, céticos, pirrônicos e incrédulos que não botavam fé e até duvidavam! Eis que ressurge Blueberry, criando e desfazendo confusão no Oeste como se nada tivesse acontecido – para alegria dos leitores fiéis que, durante a ausência do tenente nas bancas, foram todos pressão, via telefone, telex, cartas e ataques diretos à redação. Ok, cowboys! Vocês venceram! O Homem da Estrela de Lata segue a cronologia da produção da dupla Charlier/Giraud. Trata-se de uma aventura independente, imediatamente posterior à saga indígena, e que prepara o terreno para o início de um novo ciclo, do caminho de ferro, com início marcado para a edição que vem. Fãs incondicionais do gênero bangue-bangue reconhecerão nas páginas seguintes algumas semelhanças com o clássico “Onde Começa o Inferno” (“Rio Bravo”), filme de Howard Hawks. O xerife acossado pelo bando de criminosos – John Wayne, nas telas – é substituído por um encrenqueiro, velho conhecido nosso..."

Após o ciclo das Primeiras Guerras Indígenas, das quais participou, o velho parceiro blueberryano Jimmy Mac Clure passa por Silver Creek, uma cidadezinha isolada do Arizona, a dois dias de Forte Navajo, aonde os irmãos Sam e Bud Bass, os poderosos da região, apavoram o local com o seu bando, que assassina o Xerife.

Jimmy fala tão bem de Mike Blueberry, que alguns moradores assinam uma carta pedindo ao comandante do forte que o enviasse para substituir o Xerife. O Tenente é envolvido sem ser consultado e, no lugarejo, usando trajes militares com civis, assume a missão e quase namora a valente mocinha Katie Marsh, bela e destemida professora, com direito à despedida romântica, só faltando um beijo.

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.
Blueberry nº 6 L'Homme à l'étoile d'argent © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur 1969
Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur

Afrânio Braga

Edições do grupo Média-Participations na Livraria Amazon Brasil

Editora Mythos

Editora Pipoca e Nanquim

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domingo, 3 de novembro de 2013

"Blueberry" nº 5 "La Piste des Navajos"

Capa de "La Piste des Navajos", uma das reedições.


Prancha 1.


Prancha 2.


Prancha 3.


Prancha 4.


Prancha 5.


Ficha técnica

“La Piste des Navajos”
“A Pista dos Navajos”
Roteiro: Jean-Michel Charlier
Desenhos, cores e capa: Jean Giraud
Volume: 5
Ano de publicação da primeira edição: 1969
Número de pranchas: 46
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,5x29,8 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Fonte das imagens: Dargaud Éditeur.



A capa da 1ª edição.



A prancha 1 da 1ª edição.




A contracapa da 1ª edição.

Fonte das imagens: Bedetheque.


"La Piste des Navajos" - "A Pista dos Navajos"

Quinto e último álbum do ciclo Forte Navajo. As Primeiras Guerras Indígenas (álbuns 1 a 5) - Arizona, Novo México e Texas. Junho de 1867 a maio de 1868. Acontecimentos históricos: Negócio Bascom, As Guerras Indígenas e A Construção do Caminho de Ferro.

Uma das edições da Meribérica, editora portuguesa, é dos anos 1980. A Editora Abril publicou como o volume 4, em cores, seguindo a numeração atrasada um número em relação à série francesa, devido à publicação do álbum 1, "Forte Navajo", na série Graphic Novel, que foi uma espécie de pré-lançamento de "Blueberry" em 1990.

Jimmy Mac Clure, primeiro parceiro de Blueberry, aparece, na capa, correndo ao lado do Tenente, com o seu tradicional charuto na boca. A cena representa a ação na qual Blueberry salva Jimmy de um incêndio que destruiu por completo a cidade fantasma de San Felix, que estava localizada entorno da extinta mina de ouro.

Blueberry enfim acerta as contas com Quanah, Águia Solitária, que havia assassinado covardemente o seu amigo Crowe. O chefe Cochise, que reaparecerá em "Nariz Partido" (primeiro álbum do ciclo do Segundo Complô. O Crepúsculo da Nação Apache e a Reabilitação de Blueberry), decide que os dois duelariam amarrados pelos punhos, com machadinhas, no ritual do círculo da morte – Blueberry vinga o amigo e escalpela Quanah, tal qual como esse fizera com Crowe.

Os desertores do exército sulista, Finlay e Kimball, têm participação ativa na aventura. Os dois "jay-hawkers" reaparecerão no ciclo Chihuahua Pearl. O Tesouro dos Confederados.

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.
Blueberry nº 5 La Piste des Navajos © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur 1969
Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur

Afrânio Braga

Edições do grupo Média-Participations na Livraria Amazon Brasil





sábado, 2 de novembro de 2013

"Blueberry" nº 4 "Le Cavalier perdu"

Capa de "Le Cavalier perdu", uma das reedições.


Prancha 1.


Prancha 2.


Prancha 3.


Prancha 4.


Prancha 4.


Ficha técnica

“Le Cavalier perdu”
“O Cavaleiro Perdido”
Roteiro: Jean-Michel Charlier
Desenhos: Jean Giraud e Jijé
Capa: Jean Giraud
Cores: Claude Poppé
Volume: 4
Ano de publicação da primeira edição: 1968
Número de pranchas: 46
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,5x29,8 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

N. C.: Recolorização: Claudine Blanc-Dumont

Fonte das imagens: Dargaud Éditeur.



A capa da 1ª edição.


 A prancha 1 da 1ª edição.



A contracapa da 1ª edição.

Fonte das imagens: Bedetheque.


LE CAVALIER PERDU
Quarto episódio

Essa história foi pré-publicada em “Pilote” entre 29 de abril e 7 de outubro de 1965.

Jijé, de cujo Giraud foi discípulo até sua estreia, desenha as pranchas 18 a 38 desse episódio e explicou à época: "Essa colaboração me foi pedida por Charlier, quando Giraud havia desaparecido nos Estados Unidos da América sem deixar endereçoPequena vingança contra os monstruosos atrasos dos roteiros de Charlier?”.
Esse álbum marca uma etapa para Giraud na relação com seu "mestre" Jijé: "Foi ali, nesse momento, que eu senti que estava terminado, que alguém se livrou da relação pai/filho. Nós éramos de igual para igual, um profissional que presta serviço a outro profissional. Foi certamente bastante artificial porquanto ao ponto de vista do estilo, ele ainda era superior a mim em cem côvados. Ele me substituiu quando eu estava na América, onde eu estava quaisquer semanas sem poder desenhar. Ele deve ter dito que, à época, eu não tinha mais tempo para respirar: eu terminava um episódio e, imediatamente, eu começava outro, era loucura!".

A destacar, a aparição, pela primeira vez, do fiel Jimmy Mac Clure.

Fonte: Blueberry L’Intégrale / 1. Anthology – Les classiques de la bande dessinée. Charlier – Giraud. Éditions Niffle, Bélgica, 2002.


"Le cavalier perdu" - "O Cavaleiro Perdido"

Esse episódio foi publicado na revista "Pilote" entre 29 de abril e 7 de outubro de 1965, e lançado em álbum em 1968; é o quarto volume do ciclo Forte Navajo. As Primeiras Guerras Indígenas (álbuns 1 a 5) - Arizona, Novo México e Texas. Junho de 1867 a Maio de 1868. Acontecimentos históricos: Negócio Bascom, As Guerras Indígenas e A Construção do Caminho de Ferro. As cores da reedição de junho de 2002 são de Claudine Blanc-Dumont, colorista dos álbuns realizados por seu marido, Michel Blanc-Dumont, para a série "A Juventude de Blueberry".

Jijé auxiliou, pela segunda e última vez, o seu ex-discípulo Gir - o qual estava ao seu nível ou até o superava -, desenhando 21 pranchas dessa história, cujo título, "O Cavaleiro Perdido", alude ao Tenente Graig, que foi salvo pelo seu colega de farda, o Tenente Blueberry.

Surge Jimmy Mac Clure, um garimpeiro de ouro, velhote, baixinho, barrigudo, beberrão, cheio de trapalhadas e muito corajoso, que se tornará o primeiro parceiro de Mike Steve, sendo seu amigo e companheiros de aventuras, na grande maioria dos álbuns da série central, com 18 anos de vida editorial – de “Le Cavalier perdu” (1968) - "O Cavaleiro Perdido" – até “Le Bout de la piste”  (1986) - "O Fim da Pista".

A Editora Abril lançou o álbum em dezembro de 1990, em cores, e sempre com a numeração atrasada: número 3 x número 4 da série francesa. A editora brasileira usou as expressões "túnicas azuis" para designar os soldados norte-americanos e "Nariz Quebrado" para Blueberry, ao invés de "Nariz Partido" conforme a editora portuguesa Meribérica intitulou anos antes o álbum "Nez Cassé" (França, 1980). Nariz Partido – Tsi-na-pah – é o apelido dado pelos Apaches a Blueberry, devido seu nariz quebrado pelo General Dodge na série paralela "A Juventude de Blueberry".

A destacar a participação do mestiço Crowe, ex-tenente da Cavalaria, que salva Blueberry e Jimmy McClure do poste dos martírios e da vingança de Quanah, a Águia Solitária. E ainda os ex-combatentes sulistas, Capitão Finlay e Cabo Kimball, que também salvam, juntamente com um grupo de "jay-hawker", a dupla de amigos e companheiros de aventuras, dessa vez da forca, no México.

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.
Blueberry nº 4 Le Cavalier perdu © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur 1968
Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur

Afrânio Braga

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Editora Trem Fantasma




domingo, 20 de outubro de 2013

Aux sources de Blueberry... - As fontes de “Blueberry”...

Em comemoração aos 50 anos de vida editorial de “Blueberry”, série western criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, o blog Blueberry, uma Lenda do Oeste convidou Jean-Yves Brouard, desenhista, fotógrafo, piloto de avião, escritor, roteirista e editor de Bandes Dessinées, como “Les aventures d’Allan Mac Bride”, “Les aventures de Quentin Foloiseau” e “Missions Kimono”, especialista da carreira de Jean-Michel Charlier e criador e autor do site jmcharlier.com, que gentilmente presenteou o seu artigo Aux sources de Blueberry... – As fontes de “Blueberry”... -, publicado na revista “Casemate Hors série” nº 3, abril de 2012, consagrada a Jean Giraud, lançada após o seu falecimento, ocorrido em 10 de março de 2012, a esse acontecimento tão especial e importante da história em quadrinhos mundial. Um grande obrigado a Jean-Yves Brouard.


Afrânio Braga

As fontes
de ”BLUEBERRY”...

“Blueberry”, o primeiro western assinado por Charlier? Formalmente sim, mas um cata-piolho se divertiu encontrando partes inteiras das aventuras de Mike S. Blueberry nos trabalhos precedentes do mestre. Alguns dos quais desenhados pelo grande René Follet. Mergulho em águas profundas.

 
E
m suas entrevistas, Jean-Michel Charlier sempre disse que antes de “Blueberry” ele nunca havia pensado em escrever um western. Que isso não era seu estilo. Mas que uma viagem ao Oeste americano, no deserto do Arizona, em contato com as civilizações indígenas, o havia deslumbrado e estimulado a criar a série “Blueberry”, após seu encontro com Jean Giraud em 1963.

A publicação de “Fort Navajo”, primeiro episódio da série, dá a partida nas páginas da revista “Pilote”. A colaboração entre os dois autores mal tinha começado e Jean Giraud já desenhava a primeira prancha da HQ. Como isso é possível? Jean-Michel Charlier estava assoberbado de trabalho – ele estaria por toda a sua vida – e uma série como essa demanda, a priori, uma grande pesquisa documentária.

Há uma explicação: Jean-Michel Charlier apenas reescrevia, quase copiando, aquilo que ele já havia escrito em diversas histórias publicadas nos anos cinquenta. Em quase todos os casos, um herói americano, soldado ou batedor do exército, perdido no deserto do Novo México, tenta restabelecer, sozinho, a paz entre Casacas Azuis, cercados e longe de tudo, e os índios, revoltados após uma falsa acusação.



Um desenho, feito por Ref (René Follet), publicado na revista “Spirou”, em 1949, para 
primeira história western de Jean-Michel Charlier, “Fort Cheyenne”, que colocou em 
cena um herói que se chamava Jimmy Hurley, um cavaleiro do Exército americano, em 
um forte do deserto. Acima do desenho, no fim da história, a assinatura de J.-M. Charlier.


A história mais antiga que nós podemos encontrar é uma HQ curta publicada em outubro de 1949, na “Spirou”. O herói de “Fort Cheyenne”, jovem batedor, dos Casacas Azuis, de um forte, cercado por Índios, nos confins do Arizona, prefigura Blueberry. Seu nome: Jimmy Hurley. O mesmo nome de certo companheiro de Blueberry, o velho Mac Clure... «Um verdadeiro moleque!... Magro, nervoso, teimoso como uma mula mexicana, mas cheio de audácia e de energia» como o descreveu Jean-Michel Charlier, esse jovem scout era até mesmo desobediente. Mas foi por um bom motivo: graças à sua saída arriscada do forte, sem água e quase em munição, contrariando ordens formais do capitão, Jimmy vai salvar todo mundo. O retrato do futuro Blueberry... Quando ele escreveu sua história, Jean-Michel Charlier tinha apenas 24 anos. O desenhista assina Ref, pseudônimo artístico de René Follet à época. Seria ele o primeiro desenhista a esboçar Blueberry?


Desenho de Georges Bourdin, extraído de uma história em imagens, onde 
J.-M. Charlier conta a vida de Cochise, publicada na revista “Jeannot”, em 1957.


Um extrato de outra história de Jean-Michel Charlier, desenhada por Claude Pascal, publicada na revista "Pilote" nº 25, de 25 de abril de 1960, contando ainda a história de Cochise e do oficial Bascom. Mas o nome de J.-M. Charlier não aparece: é uma história no anonimato.


Em “Fort Navajo”, Cochise corta a tenda com uma maestria de quem denota um longo hábito. Normal, ele já se livrou com a mesma prática em outra HQ assinada Charlier e Bourdin.


O grande roteirista publica duas outras histórias distintas em 1957. Na revista mensal “Jeannot”, criada por ele e René Goscinny em fevereiro e financiada pela publicidade, nós encontramos histórias em cores compostas de oito quadrinhos com, sob cada um, um texto de uma dezena de linhas. Essas histórias reais em duas páginas, escritas por Jean-Michel Charlier, são intituladas: “Ils ont vécu une grand aventure” (“Eles viveram uma grande aventura”). Uma conta um episódio da vida do chefe apache Cochise; publicada em “Jeannot” em julho, ela é desenhada por Georges Bourdin, que se especializou em ilustrar romances policiais no início dos anos 1950. Nós notamos que a autêntica aventura do tenente de cavalaria, em confronto com tribos indígenas do Arizona e do Novo México, pouco após a Guerra de Secessão, será reaproveitada nas ficções de Jean-Michel Charlier, em todos os primeiros episódios de “Blueberry” (“Fort Navajo”). Georges Bourdin representará exatamente as mesmas cenas que desenhará Jean Giraud, em 1964, nas páginas de “Pilote”. O texto narra um acontecimento – e cita um nome conhecido dos leitores de “Blueberry”: o oficial Bascom – fielmente reprisado em “Fort Navajo”.

Ainda em 1957, Jean-Michel Charlier escreveu um romance ilustrado publicitário um pouco especial, com figurinhas que eram coladas nas páginas de um álbum, contando a história do cowboy Jim Flokers (tirado do nome da marca de produtos alimentícios Floker’s, o principal patrocinador). Os desenhos são de Albert Uderzo: as figurinhas precisavam ser recortadas das embalagens de cereais.


Tentativa de publicação, em história em quadrinhos, do romance ilustrado de Jim Flokers 
em “Le Supplément illustré”, projeto de Jean-Michel Charlier e René Goscinny, em 1957.


A primeira aventura de Jim Flokers tem por título “La Diligence de Santa Fé; uma sequência é anunciada, mas nunca verá a luz do dia. De modo que os leitores não souberam o final da aventura, cujo título, contudo, foi dado: “L’Énigme de la mine perdue” (“O Enigma da Mina Perdida”) Isso deve soar familiar aos fãs de “Blueberry”... Em “Le Supplemént illustré”, um projeto de revista montado pelo trio Charlier/Gosciny/Uderzo, esse romance deveria ser adaptado em HQ, com o mesmo desenhista. Infelizmente, esse projeto não veria a luz do dia. No entanto, no último diálogo da única meia página realizada como ensaio por Albert Uderzo, a referência aos Montes da Superstição salta aos olhos. Jean-Michel Charlier voltará a falar neles por duas vezes em “Blueberry”, em particular no famoso episódio “La Mine de l’Allemandu perdu” (“A Mina do Alemão Perdido”) e na sua continuação “Le Spectre aux balles d’or” (“O Espectro das Balas de Ouro”).


Steve Howard, Blueberry imaturo, é desenhado por Ref, em 1958. Ref é 
assinatura e o diminutivo de René Follet, ilustrador e desenhista belga.


A capa da revista “Pilote” nº 236, de 30 de abril de 1964, com uma ilustração
de Jean Giraud e o anúncio do lançamento do segundo episódio de
Blueberry – “O retorno do herói de Fort Navajo: Tonnerre sur l’Ouest”
-, cujo título, em seguida, mudaria para “Tonnerre à l’Ouest”.


Em seguida vem, sobretudo, no ano seguinte, um romance seriado publicado no hebdomadário “Tintin”, de julho de 1958 a março de 1959. Seu título: “Tempête à l’ouest” (um álbum da série “Fort Navajo” terá por título “Tonnerre à l’ouest”...). A trama detalhada e certo número de peripécias são exatamente aqueles dos cinco primeiros episódios da série “Blueberry”, lançada em “Pilote”, cinco anos mais tarde, com o título de “Fort Navajo”. Aparecem personagens idênticos no romance e na série “Blueberry”. O roteiro, inspirado no fato real já contado por Charlier em “Jeannot”, em 1957, evoca o conflito entre os índios Navajos e os soldados da cavalaria americana, seguido ao rapto das crianças de um fazendeiro, do qual os índios são falsamente acusados. O herói, Steve Howard, tem o mesmo nome que Blueberry no início da série em quadrinhos. Somente no início, porque ao longo da história, Charlier atribuiu, por distração, ao personagem Blueberry o nome Mike, que ficará... René Follet é ainda o ilustrador dessas peripécias. Um capítulo do romance, na revista “Tintin”, se intitula “Coup d’audace”. Foi também o título de um álbum da série “Dan Cooper” escrito (anonimamente) por Jean-Michel Charlier dois anos mais tarde. Outro capítulo se intitula “Le Bout de la piste” (“Tintin”, de 19 de março de 1959). Estranhas coincidências: “Le Bout de la piste” (“O Fim da Pista”) é o título do último capítulo do romance e o título do último álbum do ciclo da série “Blueberry” iniciado com “Le Trésor des Confédérés” (“O Tesouro dos Confederados”), e foi, sobretudo, o último álbum de “Blueberry” escrito inteiramente por Jean-Michel Charlier, antes de seu falecimento.

 

















Jean-Yves Brouard
Site: www.jybaventures.net
Blog: http://jybaventures.blogspot.fr 


Fonte das imagens: Jean-Yves Brouard: Duas imagens exclusivas para o blog Blueberry, uma Lenda do Oeste: 1) Uma vinheta de “Fort Cheyenne”, a primeira história western de Jean-Michel Charlier; 3) Uma vinheta da história sobre Cochise e o oficial Bascom, escrita, no anonimato, por J.-M. Charlier. Imagens publicadas, na revista “Casemate Hors série” nº 3, abril de 2012, juntamente com o artigo Aux sources de Blueberry... : 2) O chefe Cochise na história publicada em “Jeannot”, em 1957; 3) As vinhetas de “Fort Navajo”, com Cochise cortando, novamente, uma tenda, extraídas da revista “Pilote” nº 230, de 19 de março de 1964; 4) A vinheta de “Les Aventures de Jim Flokers” para o projeto da revista “Le Supplément illustré”; 5) Uma vinheta do romance seriado “Tempête à l’ouest”, com Steve Howard, Blueberry imaturo, extraída da revista “Tintin” nº 527, de 27 de novembro de 1958. adesso.blogspace.fr: a capa da revista “Pilote” nº 236, de 30 de abril de 1964, anunciando o segundo episódio de Blueberry. bedetheque.com: a fotografia de JYB.

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.

Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur
Aux sources de Blueberry... © Jean-Yves Brouard
Casemate © Pommes Presse

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